Quinta, 23 de Novembro de 2017

Vale quanto pesa

5 AGO 2010Por 07h:25
Se vingar da forma como foi apresentado ontem o projeto para transformar o lixo em biogás e lançar no mercado Crédito de  Carbono, Campo Grande deixará para trás herança secular do lixão a céu aberto e estará dando passo importante para se transformar numa cidade ambientalmente correta e saudável. No mesmo caminho, o município acena com a oportunidade de implantar moderno sistema de separação do lixo por esteiras direcionado para melhorar condições de saúde de famílias que vivem hoje no lixão,  já condenado pelo Ministério Público.
Não se tem dúvidas de que o assunto é complexo e de difícil solução e qualquer iniciativa no sentido de eliminar seus efeitos são sempre bem-vindas. Basta, para tanto, lembrar de que população produz diariamente quase 700 toneladas de resíduos sólidos coletados e depositados no aterro em Campo Grande. O somatório, ao final de 12 meses, significa algo em torno de oito mil toneladas. No País, essa conta é ainda bem maior, aliás, estratosférica se contabilizarmos produção de 172 mil toneladas por dia.
Trata-se, pois, de uma decisão de grande alcance social, que contribuirá, sem sombra de dúvidas, para o encaminhamento e solução de um dos mais graves problemas urbanos, que vem pondo em risco a saúde de milhares e milhares de pessoas.
A apresentação do projeto de produção de energia a partir do lixo produzido pelo campo-grandense chega junto com Política de Resíduos Sólidos  sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta semana. A nova regra, moderna e, espera-se eficiente, determina que União, estados e municípios elaborem estratégias para tratar do lixo, estabelecendo metas e programas de reciclagem, proibindo importação de resíduos sólidos perigosos e rejeitos. Além disso, embalagens deverão ser fabricadas com materiais que propiciem a sua reutilização ou reciclagem. O projeto também proíbe lixões e traz para as indústrias a responsabilidade pelo descarte de produtos eletrônicos, pneus, lâmpadas fluorescentes, entre outros.
De posse dessa nova ferramenta jurídica e disposição administrativa, o prefeito Nelson Trad Filho tem em suas mãos meios para transformar o lixo em dinheiro, com produção de bionergia e investimentos em estrutura para implantação da coleta seletiva e reciclagem dos resíduos sólidos,  e tirar da miséria centenas de famílias, que hoje vivem em condições desumanas e em ambiente degradadante.
Do outro lado, de nada adiantará esforço da administração municipal se a sociedade também não mudar hábitos. Basta caminhada para ver que quase não se tem respeito pelas ruas e calçadas, cobertas por dejetos de toda espécie. Há muitas causas para esse comportamento. Uma delas é o fato de ninguém se sentir responsável pela limpeza das suas próprias calçadas e cuidados com espaços públicos. Na cabeça de muita gente esta tarefa é sempre problema das autoridades. Outra razão é que não se perde nada agindo assim. Não há fiscalização nem multas pesadas para quem joga lixo na rua, prato cheio para “sujismundos”.  Contudo, espera-se que a iniciativa do município venha servir de incentivo para mudança de hábito da população.  São passos  importantes, mas as coisas só vão mudar quando cada um souber o que deve fazer, e o que pode acontecer se descumprir suas obrigações.

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