Domingo, 19 de Novembro de 2017

Um atentado à nossa dignidade

10 MAR 2010Por VALFRIDO M. CHAVES, PSICANALISTA, PÓS-GRADUADO EM POLÍTICA E ESTRATÉGIA VMCPANTANEIRO@TERRA.COM.BR09h:13
Falando da poluição no mundo (Yutube.com), Lula lembrou que nem Freud tudo explicaria, o que é bem verdade. Entretanto, Freud explicou muito bem como as almas com problema grave de autoestima são infernizadas pela inveja e usam, como droga para aliviá-la, o ataque àqueles que marcam sua presença no mundo por sua produtividade, trabalho, fecundidade. Nosso homem do campo, com suas propriedades pequenas, médias ou grandes, firma sua imagem como sinônimo de trabalho e competência quando, além de atender à necessidade alimentar do povo brasileiro, faz de nossa Nação o terceiro maior exportador mundial de alimentos. Além de maiores geradores de emprego da economia nacional, somos responsáveis por um saldo de 32 bilhões de dólares em nossa balança comercial. Sem isso, Lula não falaria tão grosso em seu alegre mundo afora, fazendo sua campanha para Secretário-Geral da ONU, com o cofre nacional aberto para fartas generosidades. Nesse contexto, chega aqui a MS o Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana para solucionar nossa questão indígena e sua coordenadorageral Juliana Miranda, conforme a imprensa, teria soltado esta obra-prima de distorção, incitação e maldade contra nosso homem do campo: “A disputa pela terra – cobiçada por latifundiários – tem causado uma série de violações de direitos humanos naquela região”. É distorção, leitor, pois nega as ações da Funai para expansão de aldeias em propriedades particulares, legítimas e produtivas; incitação, porque tenta jogar a opinião pública contra o produtor e proprietário legítimo, definindo-o como latifundiário de olho grande sobre terras das aldeias; tenta colocar a “disputa pela terra” como um embuste encobridor da fracassada política indigenista preconceituosa, pois quer colocar o índio à margem dos benefícios da civilização, como se ele desejasse manter-se um silvícola vivendo da caça e pesca. A bem da verdade, Lula recebeu uma herança maldita, que era a política indigenista já em curso e que se mantém até hoje. A falta de investimentos, paternalismo, ausência de crença no índio, de que ele quer progresso e os benefícios da civilização, e que tem, se apoiado, condições culturais de alçar tais degraus, se constituem num crime continuado da política indigenista a que o governo Lula deu continuidade. Agora precisa de um bode expiatório, de um culpado pela deterioração cultural, social e moral das aldeias e o “fazendeiro” foi escolhido para esse papel. É para isso que a tal comissão está aqui, para encobrir uma política indigenista criminosa, fracassada a olhos vistos, ideológica, promotora de ódios. E o Estado brasileiro, a União, como um Pilatos maldito, não só lava as mãos e abandona nossos pioneiros rurais à uma sanha ideológica invejosa, mas se beneficia dela, pois camufla sua responsabilidade pela desgraça da condição social indígena e de seus vizinhos, o produtor rural, eleito para o papel de bandido, usurpador. E que também está sendo e será violentado em seus mais elementares direitos. Triste, lamentável, uma ignomínia, mas é o que se passa.

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