Sexta, 17 de Novembro de 2017

Tromboembolismo venoso

21 JUL 2010Por 20h:22
SCHEILA CANTO

Há algum tempo, ou até mesmo hoje, o que mais assusta uma pessoa quando tem de submeter-se a qualquer tipo de cirurgia é a anestesia. Mas o fato é que a combinação da utilização de medicamentos eficazes e seguros com bons equipamentos de monitorização e de administração por profissionais altamente qualificados e especializados tornaram a anestesia, uma pratica segura. Preocupados com a anestesia o que muitos esquecem é que o maior risco cirúrgico sempre foi e ainda é o tromboembolismo venoso (TEV), leigamente definido como coágulo de sangue que entope as veias e pode levar à morte.
Embora qualquer pessoa esteja suscetível ao TEV, há um perfil de pacientes que exige mais cuidado, não só em caso de internação, mas em pré e pós-operatório, bem como em viagens de longa distância, pessoas engessadas ou acamadas. No grupo de maior risco também se encontram os diabéticos, portadores de doenças cardiovasculares, tumores malignos, tabagistas, obesos, gestantes e mulheres que fazem uso de anticoncepcional oral. É importante destacar que não há sintomas para o problema, em alguns casos, a pessoa pode apresentar dores nas pernas e inchaço.

Doença e suas complicações
Também conhecido como síndrome da classe econômica, o tromboembolismo venoso, que atinge também a trombose venosa profunda e a embolia pulmonar, é responsável por 10% dos óbitos em pessoas hospitalizadas, ressalta a cardiologista Claudia Tavares de Mello Magalhães.
Trocando em miúdos, a especialista esclarece, que o TEV tem duas manifestações clínicas distintas: a mais conhecida é a trombose venosa profunda (TPV) – quando um coágulo ou trombo obstrui o fluxo sanguíneo das veias da perna, coxa ou pelve – e sua maior complicação é a embolia pulmonar (EP) – situação em que o trombo se desprende, migra para os pulmões, podendo levar ao bloqueio total ou parcial das artérias pulmonares. “O problema é tão sério que uma estatística realizada pela Comissão Europeia (Eurostat) revelou que o TEV causa, anualmente, mais óbitos que aids, câncer de mama, de próstata e os acidentes de carro juntos”, enumera a médica.

Ações preventivas
Pensando em diminuir essa incidência, seis hospitais de Campo Grande (Hospital do Coração de MS, Hospital Proncor, Hospital Geral El Kadri, Hospital Sírio Libanês de Campo Grande, Hospital da Unimed e Hospital Adventista Pênfigo)  participarão de uma Campanha de Conscientização Médica para a Prevenção do Tromboembolismo Venoso no ambiente hospitalar. A partir de hoje, até o fim do mês, os hospitais promoverão atividades que incluem distribuição de banners, cartazes e palestras sobre o tema.
Hoje, por exemplo, a área de enfermagem do Hospital Proncor e do Hospital Adventista Pênfigo participarão da palestra: “Prevenção do tromboembolismo venoso em pacientes clínicos e cirúrgicos”, com a enfermeira Magda Aparecida dos Santos Silva, do Instituto do Coração (Incor), de São Paulo. Amanhã, dia 22 de julho, a conferência sobre o mesmo tema será realizada para a equipe do Hospital do Coração de MS.  
Essas iniciativas fazem parte do Programa TEV Safety Zone, da Sanofi-Aventis, implantado nesses hospitais, com o objetivo de criar “zonas livres de TEV”. O programa é composto por palestras coordenadas por especialistas em TEV, durante as quais são discutidos dados epidemiológicos, casos clínicos e cirúrgicos, cuidados pré e pós-operatórios, prevenção do TEV, entre outros temas. Implantado no Brasil em 2007, o “Safety Zone” já é realizado em cerca de 60 hospitais do País.

Resultados eficazes
De acordo com a doutora Cláudia Magalhães, que faz parte da Comissão de TEV do Hospital Proncor, a implantação do Programa Safety Zone há um ano e meio trouxe resultados promissores e consegue cada vez mais melhorar os índices de tromboembolismo venoso no hospital.
“Com este programa de educação continuada conseguimos seguir um protocolo que avalia os riscos de todos os pacientes internados para identificar mais rapidamente quais são as probabilidades de eles desenvolverem a TEV e assim adotamos medidas preventivas, que variam desde o método mecânico como bombas de compressão pneumáticas, fisioterapia, até mesmo o uso de medicamentos anticoagulantes”, finaliza a cardiologista.

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