Quarta, 22 de Novembro de 2017

TRIBO SERTANEJA

11 MAR 2010Por 07h:53
A terra vermelha sobe à medida que homens montados em cavalos correm atrás de bois e os laçam em pistas de chão batido. O trabalho dos peões, que sempre foi comum nas fazendas, veio para os centros urbanos como prática esportiva, que reúne pessoas de todas as idades, inclusive famílias, para assistir e participar das provas. Entre elas, a mais popular é o laço comprido, que se integrou no contexto sul-mato- grossense, um Estado reconhecido pela força da economia voltada para a agropecuária. Hoje pode-se falar sobre a tribo do laço, que reúne jovens e suas famílias ao redor dessa atividade e dos eventos que são promovidos. “Antigamente, os jovens não se interessavam pelas atividades rurais ou mesmo pelo campo. Eles saíam das fazendas para estudar, nunca mais voltavam e acabavam vendendo as terras herdadas. Quando começaram a ser feitos eventos de laço, os jovens começaram a se interessar”, conta João Ramos. Com 68 anos, ele participa de eventos como esses há 20. “Provas de laço comprido tem tudo a ver com nossa cultura. A tradição do manejo do gado retornou”, defende João, que foi campeão na categoria Capitão da etapa 2010 do Circuito de Laço Comprido (CLC), um dos eventos do tipo que acontecem na Capital. Tudo que acontece na pista é narrado por um locutor que atropela as palavras em um fôlego infinito. Quando o peão laça o animal, o público entra em êxtase. Nas arquibancadas, a grande maioria se veste a caráter, com calças apertadas, botinas e chapéu. Crianças, adolescentes, adultos, mulheres e homens, todos assistem às proezas feitas para prender os animais sem tirar os olhos da pista. “É uma festa familiar. Todos vem assistir e participar. E não são apenas fazendeiros que vêm ao evento, mas todas as pessoas que gostam do espírito sertanejo”, alega Anderson Arcas, que foi um dos organizadores da segunda edição do CLC. Ele é pai de Fernando Arcas, de 11 anos, e Sílvia Lúcia Arcas, de 14. Ambos os filhos participam das provas, mas em categorias diferentes. Fernando maneja com precisão o laço, o que lhe garantiu o título de melhor laçador. Já Sílvia monta no cavalo para participar da prova dos três tambores, na qual cada montador deve contornar com precisão cada um. As provas das festas de laço têm diversas modalidades. Todas simulam situações reais encaradas pelos peões nas fazendas. O “team penning”, por exemplo, coloca o montador diante de um grande número de bois, para que ele os confine no curral. As provas são realizadas em duplas, times ou individualmente. Apesar de nem todas usarem o laço, como é o caso dos três tambores, elas estão ligadas de alguma forma à cultura sertaneja.

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