Sexta, 24 de Novembro de 2017

Três vão responder por morte de garota em saída de festa

11 AGO 2010Por 07h:51
MICHELLE ROSSI

Três pessoas vão responder pelo assassinato de Juliana Aparecida dos Santos Sales, 19 anos, ocorrido na madrugada do último domingo no Bairro Coronel Antonino, em Campo Grande, depois de um baile na União Campo-Grandense das Associações de Moradores em Favelas e Assentamentos Urbanos e Rurais (Ucaf). Todas já estão sob poder das autoridades policiais. J., de 15 anos, que atirou contra um grupo de amigas, acertando Juliana e a irmã dela, Lilian – também menor, foi apreendida pela polícia no Bairro Monte Castelo enquanto o namorado dela, Jader Leandro Rodrigues, 21 anos, acusado de fornecer a arma foi à delegacia em busca de J. e foi preso. A arma do crime pertence ao pai de Jader, o cabo da Polícia Militar (PM), David Pessoa Rodrigues, e foi apreendida com ele em Camapuã (MS), na segunda-feira, quando ele estava em serviço.
Segundo a delegada Maria de Lourdes Cano, da Delegacia Especializada de Atendimento à Infância e Juventude (Deaij), as versões dos acusados dão conta de que J. e sua irmã gêma teriam discutido com Pâmela Alves Reginaldo, de 20 anos, grávida de 6 meses, ainda durante o baile. “Foi lá que houve a ameaça de morte contra Pâmela, que ainda chegou a falar para Juliana que estava com medo e a amiga (que morreu) teria dito a ela que não se preocupasse pois nada aconteceria com ela e nem com o seu bebê”, citou a delegada.
J. teria pedido então para o namorado uma arma para matar Pâmela, sabendo que ele é filho de policial militar. O jovem, com uma moto emprestada, foi até sua casa e pegou a arma do pai, calibre 38 especial, entregando-a para J. Segundo Jader, o pai estava dormindo no momento em que ele entrou na casa para buscar a arma. Os dois saíram então rumo à festa, mas escontraram o grupo de meninas, Juliana, a irmã dela Lilian e Pâmela na rua e foi quando J. atirou contra o grupo de meninas, acertando Juliana. “Pelos relatos até o momento, a garota teria disparado contra o grupo e o tiro poderia ter pego em qualquer uma delas. O que parece é que a Lilian tentou puxar a irmã, tanto é que ela foi atingida na mão. Mas também há a versão de que a Juliana teria tentado proteger Pâmela”, explicou a delegada.
Segundo relatos de Jader e J., ambos viram que a bala teria acertado uma das meninas e foram embora. Para a delegada, não há motivação consistente para o crime que teria acontecido por conta de um desentendimento na festa e provavelmente em outras ocasiões. Mas, segundo a mãe de Juliana, Elis Moreira dos Santos, havia uma disputa entre Pâmela e J. por conta de namorados, conforme matéria na edição de terça-feira do Correio do Estado. Pâmela teria se insinuado para o namorado de J. no referido baile, e no passado, já teria roubado outro namorado da garota.
J.  está apreendida na Deaij e Jader foi transferido, com prisão preventiva decretada, para a 2ª Delegacia de Polícia Civil da Capital. Ambos vão responder por homicídio doloso qualificado por motivo fútil enquanto o pai do jovem deve responder por omissão de cautela. A arma e a moto utilizadas no crime também encontram-se apreendidas. Juliana deixa um filho de 1 ano e 6 meses de idade, enquanto Lilian, ferida na mão, teve alta ainda no domingo.

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