Sábado, 18 de Novembro de 2017

Trabalho humanizado

15 MAR 2010Por 20h:30
Uma casa localizada em um bairro nobre da Capital abriga psicólogos, fonoaudiólogos, médicos, assistentes sociais e outros tipos de terapeutas. Lá fica o Centro de Atenção Psicossocial Infantil (Capsi). O local difere de outras instituições de saúde pelo ambiente leve e descontraído, no qual crianças e adolescentes brincam e assistem desenhos em meio às consultas e tratamentos. Todo esse clima não foi criado por acaso, tudo faz parte de uma metodologia de atendimento, desenvolvida por profissionais que procuram tratar o paciente em todas as suas dimensões. Quem coordena todo o trabalho desenvolvido pela instituição é Rosely Gayoso, gerente do Capsi há um ano. A equipe atende crianças e adolescentes, que apresentam transtornos mentais, até os 18 anos. “Já vimos crianças de três anos que desenvolvem quadros sérios de depressão ou crianças que sofrem de esquizofrenia. São problemas que exigem tratamento especializado, mas, por lidarmos com crianças, é necessário que esse tratamento seja diferenciado”, relatou Rosely, durante um passeio pela casa localizada no Jardim dos Estados. No local, cada cômodo se tornou um consultório. Até mesmo a piscina tem sua função terapêutica. As janelas permanecem abertas para manter a casa arejada e com iluminação natural. Nada de consultórios pálidos e sem vida. Segundo Rosely, o atendimento multidisciplinar visa conhecer e tratar as áreas em que a criança apresenta dificuldades. Arte-educadores, pedagogos e educadores físicos também participam da equipe de profissionais. Para Rosely, um ponto importante do trabalho feito na instituição é a socialização das crianças. “Um de nossos papéis é preparar o paciente para lidar com os colegas, professores e fami l iares, mesmo em casos graves como demência ou psicose”, explica. Com esse objetivo são realizados passeios e festas dentro do próprio Capsi. A última foi o Dia da Beleza, na qual profissionais foram até o centro, levando maquiagem e roupas para as crianças. Cortaram os cabelos, fizeram as unhas e, no final, houve um desfile. “Isso é importante para que as crianças percebam que as dificuldades que têm não as excluem do mundo”, aponta Rosely. A próxima atividade será um passeio com o City Tour e já estão na agendados o Dia da Pipoca e o do Pirulito. Pacientes Atualmente, o Capsi atende cerca de 300 crianças, mas, existe capacidade para aumentar este número. Para isso, é necessário que pais e responsáveis busquem o serviço. Todo o tratamento é realizado gratuitamente. Se há necessidade de medicamentos, eles também são fornecidos pela farmácia do centro, após a consulta com o psiquiatra. Rosely acredita que para a criação de um segundo centro infantil é necessário pouco. Maria Socorro, de 39 anos, é uma das beneficiadas pelo centro. Seu filho, de 12 anos, sofre com ansiedade e hiperatividade. Ela já buscou tratamento na Santa Casa, mas depois que conheceu o Capsi, decidiu que ali era o melhor local para o filho. “Existe uma prox imidade ma ior aqui, os profissionais veem os pacientes de forma mais humana e isso ajuda muito no tratamento”, afirma. Para ela, os passeios e as festas promovidas pelo centro fazem bem para o filho, permitindo que ele tenha contato com outras crianças e não se sinta tão excluído. Maria aconselha: “Se você percebe que seu filho tem alguma dificuldade mental, aqui é um ótimo lugar para trazê-lo”. Funcionamento Inúmeros motivos podem levar um paciente ao Capsi, mas o mais comum são os comportamentos anormais que a criança apresenta em sala de aula, sendo notados pelos professores. Para Maria Aparecida Borges Araújo, uma das psicólogas da unidade, “o erro visto pela escola, pode indicar uma necessidade psicológica da criança”. Apesar de alguns pais ainda relutarem em aceitar que o filho necessita de tratamento psicológico, a profissional alerta que quanto mais rápida a intervenção, melhor a recuperação. Iniciado o tratamento, o paciente passa a ser assistido por toda a equipe do local. Segundo Rosely, tudo que acontece no centro tem uma dimensão terapêutica e de diagnóstico. “Por exemplo, uma brincadeira feita pela criança, pode revelar traumas e dificuldades que ela tem. Aos olhos do profissional, tudo ganha outro significado”, conta. Em determinados casos, como gagueira, procura-se descobrir se existe um fundo psicológico ou é algo próprio da fala e, então, o paciente é encaminhado ao profissional específico. O tratamento no Capsi segue até a alta do paciente ou até que ele complete 18 anos, quando será encaminhado para outra unidade do Centro de Atenção Psicossocial. “Grande parte dos pacientes têm alta, mas alguns sofrem de problemas mais graves, que necessitam de acompanhamento pela vida inteira. Eles são indicados para outras unidades do centro”, finaliza Rosely.

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