Domingo, 19 de Novembro de 2017

Tornado atingiu Dourados, diz especialista

28 ABR 2010Por 01h:58
Antonio Viegas, Dourados

Confirmado pela meteorologista Cláudio Lazaroto, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa)  como um tornado, os ventos fortes registrados na segunda-feira em Dourados deixaram pelo menos 180 residências e mais dez prédios comerciais avariados, 26 casas destruídas e cerca de dez famílias desalojadas. Esses são números fornecidos pela Defesa Civil, com base em levantamentos parciais feitos até a tarde de ontem. Mas o relatório completo deve sair até a próxima sexta-feira, quando será encaminhado à prefeitura para um possível decreto de situação de emergência.
João Vicente Chencarek, coordenador Municipal da Defesa Civil, disse ao Correio do Estado que os danos foram significativos e que há muito não se via uma situação como essa em Dourados. Segundo ele, o caos não foi maior porque o tornado não passou pela área central da cidade, o que poderia fazer diversas vítimas, já que ocorreu em horário de pico. Outro detalhe que contribuiu para que o número de vítimas fosse menor foi o fato de o fenômeno não estar acompanhado de tromba d´água, como geralmente acontece.
A parte atingida da cidade foi a região norte, com o vento seguindo uma faixa que fugiu da área central, passando por bairros nobres e regiões mais pobres, atravessando a principal avenida, Marcelino Pires, já na saída para Campo Grande e chegando à BR-163, região do Parque de Exposições João Humberto de Carvalho, também vítima do tornado. No entanto, por onde o tornado passou, o  rastro de destruição foi intenso, tanto no que diz respeito a prédios, como árvores, rede elétrica e até mesmo veículos.
Mas para a Defesa Civil, o mais importante é que não houve mortes ou pessoas desaparecidas por conta da ventania. Apenas o caso de duas crianças, filhas de Wellen Marques, como citou ontem o Correio do Estado, que sofreram apenas escoriações pelos fragmentos de telhas que caíram da residência onde residem, localizada na Vila Guarani. João Vicente afirmou que esses levantamentos foram feitos junto ao resgate do Corpo de Bombeiros, unidades do Samu e hospitais da cidade.
Em relação a pessoas desalojadas, a Defesa Civil informou que os dez casos são de famílias que tiveram a casa completamente destelhada e que ficaram sem condições de permanecer no interior. Nenhuma delas foi encaminhada para abrigos, preferindo ficar em residências de parentes até que consigam restaurar suas moradias. No caso de casas ou prédios comerciais, a Defesa Civil notificou apenas um, por ter toda a estrutura comprometida, que é o Posto Pantanal, localizado na Avenida Presidente Vargas.
Esse local recebeu toda a carga do vento e o que restou da edificação ficou abalado. No caso de unidades residenciais, as 180 catalogadas até a tarde de ontem tiveram avarias basicamente na cobertura e quanto às 26 unidades destruídas, integram um conjunto de moradias que está em fase construção por uma empresa particular, através do projeto Minha Casa Minha Vida. Essas casas ainda estariam sem portas e janelas e, segundo informações, por conta disso sofreram mais com o tornado.

Drama
Entre as famílias desalojadas está a de Elizangela Cavanha, moradora à rua Izaat Bussuan, na Vila Arapongas. A mulher é diarista, mora com o esposo Jeferson Rodrigues, desempregado, e mais quatro filhos menores. Ela teve toda a cobertura da casa literalmente arrancada com o madeiramento e ficou totalmente ao relento.  Ontem, depois da tragédia, algumas pessoas em sistema de mutirão tentavam, mesmo aos poucos, reconstruir a residência.
Elizangela contou que, no momento do tornado, estava fazendo almoço, junto com o marido e os quatro filhos, no interior da casa.  Ela relatou que começou a ouvir um barulho estranho vindo do lado esquerdo de onde mora e em seguida a rajada de vento. Imediatamente procurou uma mesa e os seis integrantes da família e se protegeram sob ela. Quando saíram, já não havia mais cobertura da residência. “Foi terrível. Nunca vi nada igual e tão de repente assim”, lembrou a mulher.
Ela disse ainda que, no momento do vendaval, não conseguia pensar em nada, apenas em proteger a família.

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