Segunda, 20 de Novembro de 2017

Tirando as marcas do passado

1 JUN 2010Por 06h:30
Laura Cavallieri, Bolsa de Mulher

Qual mulher nunca pensou em eternizar sua grande paixão com uma tatuagem? A milenar técnica de marcar o corpo sempre foi encarada como prova de amor, mas se até o amor é eterno enquanto dura, as tatuagens também encontraram uma solução para o momento em que a chama da paixão se apaga. Se há trinta anos a única forma de esquecer-se do Pedro e da fatídica letra P tatuada na nuca era providenciando um Paulo, hoje já contamos com a ajuda de dermatologistas, e dos poderes do laser. Disponível em inúmeras variações, o laser evoluiu a ponto de remover praticamente qualquer tatuagem. Mas nem sempre foi simples assim.

Antes de sua estreia na dermatologia, outros procedimentos, não tão eficazes, eram utilizados na esperança de nos livrar de antigas paixões. A sal-abrasão foi uma das primeiras tentativas. Como o próprio nome já diz, consistia em esfregar sal contra a pele, fazendo uma esfoliação até atingir o desenho. Obviamente, a pele terminava ferida, e a tatuagem muitas vezes intacta. Uma outra versão desta esfoliação profunda era a dermoabrasão. A ideia era a mesma, mas no lugar do sal, utilizavam-se lixas de raspagem, e a dor era tanta que exigia o uso de anestesia local. Felizmente, ambos os métodos foram aposentados.

Apesar de ter seu uso difundido e utilizado pela maioria dos dermatologistas, o laser é um tratamento muito caro e demorado, e exige diversos cuidados com a pele após cada aplicação. Para quem não vê a hora de se livrar da tatoo, mas também não anda com dinheiro sobrando, existem duas técnicas disponíveis que podem poupar nossa pele e bolso no processo da remoção. Elas são a microeletrocauterização e a remoção cirúrgica, que dependendo das características do desenho podem ser boas opções. Recomendada para tatuagens pequenas e escuras, a microcauterização é eficaz apenas nesses casos. Esta técnica consiste em enviar pulsos de energia térmica até o pigmento, através de agulhas muito finas. A vantagem é que estes pulsos só são disparados depois que a agulha é inserida, evitando assim queimar a superfície da pele. Para muitas mulheres, é a única opção, já que o laser custa pelo menos dez vezes mais, e o resultado pode ser perfeito. Já a remoção cirúrgica nada mais é do que a retirada do tecido desenhado, o que invariavelmente gera uma cicatriz e tem restrições de tamanho.

Para as mais abastadas, desfrutar dos benefícios do laser continua sendo a melhor opção. Atualmente há vários lasers seletivos à disposição, que têm como alvo o pigmento da tatuagem. Dentre os mais utilizados estão os q-switched lasers, que têm como característica um efeito fotomecânico, promovendo uma espécie de explosão do pigmento.

Quando terminou um namoro, a assistente Joana Reis, chegou a pensar em utilizar o laser para se ver livre de uma enorme tatuagem no braço num acesso de apaixonite. Mas foi só saber do valor para mudar de ideia. “Além de ser caro demais, não havia nenhuma garantia de que o laser seria capaz de retirar. Acabei optando por fazer um desenho sobre a letra e ainda tenho que usar sempre camisa, pois o desenho me incomoda muito”, explica Joana. Os dermatologistas informam que é errado pensar que qualquer desenho pode sair, e dependendo da cor utilizada, não há laser capaz de remover o pigmento. Das cores utilizadas, o amarelo e o vermelho estão entre as que dão mais trabalho aos médicos, e potenciais parceiros para a vida toda. Tatuagens feitas com tintas pretas e azuis, por não terem pigmentos coloridos, são mais fáceis de ser removidas, enquanto as vermelhas e amarelas têm grandes chances de continuarem ali para sempre, e exigem várias aplicações de laser. Já no que diz respeito à pele, quando mais clara for, melhor é a resposta do laser, e pessoas de peles negra e oriental correm o risco de desenvolverem queloides quando a área tatuada for muito grande.

Mas qualquer que seja a cor, ou o tamanho, a remoção exige no mínimo oito sessões. O desenho pode ser do tamanho de uma moeda ou de uma melancia, não importa. Em menos do que isso, não sai. Além disso, entre uma sessão e outra, deve-se fazer um intervalo de trinta a quarenta dias; portanto, se você andou pensando em se livrar da fadinha que anda tão fora de moda, prepare-se para passar praticamente um ano longe da piscina.
Além das privações, a remoção com laser é extremamente cara. Um bom profissional não cobra menos do que R$ 2.000 reais e, dependendo do tamanho, pode sair mais caro que um automóvel. O melhor método continua sendo pensar duas vezes antes de se marcar. Para as mulheres que estão com o desejo à flor da pele, mas indecisas, há ainda as tatuagens temporárias. A versão mais conhecida dessa modalidade é a de henna, que nada mais é do que um desenho sobre a pele, feito com a antiga tinta indiana. Superficial, sai em poucos dias com a lavagem e exposição ao sol.

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