Sábado, 18 de Novembro de 2017

Temporal de 7 minutos castiga Dourados

27 ABR 2010Por 23h:49
Fábio Dorta e Antonio Viegas, Dourados

Forte vendaval que começou por volta das 11h43min e durou cerca de sete minutos foi suficiente para provocar estragos em vários pontos da região urbana de Dourados. Dez famílias ficaram desabrigadas. O Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil atenderam a mais de 50 chamadas por socorro. Faltou energia por mais de três horas em diversos pontos no centro da cidade e nos bairros. O temporal tirou do ar emissoras de rádio e televisão e prejudicou a sinalização eletrônica no trânsito.  
Dois acidentes automobilísticos envolvendo motoclistas foram provocados na área central por causa dos ventos. Duas mulheres ficaram feridas e precisaram ser internadas no Hospital da Vida. Duas crianças também se machucaram na periferia da cidade porque a cobertura da casa onde moravam desabou com a força do vento. Várias casas foram destelhadas, além de muros, grades e portões destruídos.
O vendaval destruiu completamente um silo no prolongamento da Avenida Marcelino Pires, saída para Campo Grande, e a cobertura de um posto de combustível localizado na Avenida Presidente Vargas.
Dezenas de ruas ficaram bloqueadas por causa da queda de árvores (algumas foram arrancadas), como no prolongamento da Avenida Marcelino Pires.
No Auto Posto Pantanal toda a cobertura veio abaixo. As paredes do escritório estão rachadas. Ônibus que estava estacionado no pátio foi arrastado por mais de dez metros. Um Ford Escort e uma carreta, foram atingidos pela queda dos galhos de árvore e tiveram danos materiais.
O gerente do posto, Mauro Lanzani, ainda não sabia avaliar os prejuízos. Em contrapartida, o susto foi grande. “Todos nós ficamos apavorados. A gente estava atendendo normalmente, quando veio o vendaval, parecia um redemoinho gigante, em pouco tempo a cobertura já estava no chão”, afirmou o gerente.

Família assustada    
No rastro do vendaval, casa de alvenaria próxima do posto de combustível ficou praticamente destruída. A dona da casa, Mariana Espíndola, 46 anos, disse que precisou esconder rapidamente os familiares debaixo da mesa na sala e por sorte conseguiram evitar tragédia.  
A filha dela, Priscila Espíndola, 25 anos, que está grávida de sete meses, conta que estava no quintal e foi arremessada pelo forte vento contra uma árvore. “Eu pensei que ia morrer, nunca vi uma situação dessas, foi muito, muito feio mesmo”, afirmou. Além do susto, a sua família pode ficar desabrigada porque não tem dinheiro para reconstruir a casa.
A estudante Patrícia Vieira, 21 anos, que mora no Jardim Europa, um dos bairros mais afetados, afirmou que estava na frente de casa quando começou o vendaval. Por sorte a casa dela não foi atingida, mas na vizinhança várias outras residências ficaram parcialmente destelhadas. Em duas delas, os portões foram arrancados pelo vento.
No outro lado da cidade, na Vila Guarani, a residência de Wellen Marques, 31 anos, ficou parcialmente destruída. Ela contou que as filhas, Gabriela, de quatro anos, e Júlia, apenas de um ano de vida, foram atingidas e tiveram ferimentos leves na cabeça e nas costas. Elas chegaram a ser levadas para o Hospital da Vida, mas foram liberadas depois de receber atendimento médico.
A sede do Sindicato Rural de Dourados, que fica no Parque de Exposições João Humberto de Carvalho, foi atingida. Os alambrados foram arrancados e um restaurante que fica no interior do parque ficou parcialmente destruído. Toda a rede elétrica ficou danificada e dez postes de energia caíram.

Bombeiros e Defesa Civil     O Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil tiveram de mobilizar reforço para atender aos chamados de socorro. O coordenador da Defesa Civil de Dourados, Vicente Chencarek, informou que trinta casas ficaram totalmente destelhadas e, em dez delas, os moradores tiveram de ser removidos para as casas de amigos ou parentes.
“Nós mobilizamos trinta pessoas para o trabalho, além das equipes do Corpo de Bombeiros. O objetivo principal é atender as famílias desabrigadas, assim como desobstruir as ruas que foram bloqueadas por causa da queda de árvores. Mais de 15 bairros das regiões sudeste e noroeste da cidade foram atingidos”, afirmou Chencarek.
Pela força do vento e pela forma como testemunhas informaram à Defesa Civil o coordenador acredita ter ocorrido um tornado. “Foi uma ventania alta, em espiral, na forma de um redemoinho. Pelas características eu acredito que foi mais que um vendaval, foi um tornado”, finalizou Vicente Chencarek.
No Corpo de Bombeiros todo o efetivo que estava de serviço foi utilizado no socorro e ainda foi preciso chamar reforço. “Nós utilizamos diversas equipes e o maior problema foi com as residências atingidas e com ruas que ficaram bloqueadas por causa da queda de árvores”, afirmou o cabo Éden Nascimento.

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