Domingo, 19 de Novembro de 2017

Clima

Tempo de seca e de choques

9 SET 2010Por 21h:32
Thiago Andrade

Ações simples como fechar a porta do carro ou encostar em outra pessoa, em razão da baixa umidade relativa do ar, podem causar descargas elétricas que provocam susto e dor. O tempo seco que está se prolongando em várias regiões do Estado é propício para choques e o fenômeno se dá por conta do acúmulo de eletricidade estática no corpo humano. “Enquanto caminhamos, temos atrito com o ar. Geralmente, a umidade consegue eliminar o acúmulo de energia e não temos problemas. Mas no tempo seco é diferente e nosso corpo vai ficando cada vez mais carregado”, descreve Hamilton Pavão, doutor em Geofísica Espacial e professor do Departamento de Física da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul.
O atrito do corpo com o ar funciona de modo parecido com aquela experiência que geralmente se faz nas primeiras aulas de Física que se tem na vida, na qual se esfrega um pente ou uma caneta no cabelo, gerando pequena carga de eletricidade estática capaz de atrair elementos como fios e pequenos pedaços de papel. “Entretanto, as cargas que se acumulam no corpo são muito maiores, em razão das proporções, por isso o choque acontece quando encostamos em algo”, aponta o professor.
A ciência explica que o choque acontece porque há uma diferença de potencial, ou seja, um dos corpos está mais eletrizado que o outro. Quando há contato entre eles, as energias tendem a se equilibrar, provocando as descargas elétricas. “O problema maior é o susto e a pequena dor, mas não existem outros riscos. Entretanto, veículos também costumam ficar carregados de eletricidade estática e nisso podem surgir alguns riscos”, alerta Hamilton Pavão.
Segundo o físico, quando os caminhões-tanque descarregam combustíveis nos postos de gasolina é necessário usar um cabo antiestático, geralmente uma corrente de metal para eliminar a eletricidade sobressalente, evitando que as descargas provoquem fagulhas, causando incêndios ou explosões.
Para a jornalista Mariana Lopes, os choques são incômodo que não passam despercebidos. “Faz tanto tempo que acontece isso, mas não consigo me acostumar. Quando estou trocando de roupa ou quando saio do carro, sempre tenho problemas. Para evitar o choque, não toco em nenhuma parte metálica e na hora de fechar a porta, empurro pelo vidro”, conta. Ela recorda que, certa vez, trocava de blusa quando a quantidade de raios provocados pelas descargas iluminaram a roupa que vestia.
Acabar com a “síndrome de Magneto” – famoso vilão das histórias em quadrinhos que pode controlar as forças magnéticas – é fácil. Segundo Hamilton Pavão, é necessário encontrar modos de descarregar a energia de modo suave. O principal meio para isso é caminhar descalço, principalmente sobre a grama, para que o corpo se livre das cargas de elétrons por meio do solo, funcionando como uma espécie de fio-terra. Encostar as mãos em paredes também ameniza o problema. “Além disso, o jeito é esperar a chuva e o aumento da umidade do ar”, admite o físico. Cremes hidratantes podem ajudar a diminuir os choques.

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