Segunda, 20 de Novembro de 2017

Temor generalizado

29 MAR 2010Por 10h:26
Embora não tivessem sido dias atípicos, a semana passada foi infelizmente pródiga em casos de violência em Campo Grande. A morte de um idoso durante assalto praticado por adolescentes num bar no Bairro Cidade Morena foi, possivelmente, o caso mais grave, pois uma segunda pessoa também foi baleada. Talvez mais estúpida morte, porém, tenha sido o assinato de um adolescente numa quadra de esportes no Jardim Macaúbas. O autor dos disparos foi outro menor. A grande habilidade da vítima no futsal irritou outros adolescentes, que acabaram cometendo a estupidez. Em ambos os casos, alguns dos envolvidos foram detidos. A morte de um idoso no Bairro São Francisco é outro fato que merece destaque. Ele foi barbaramente espancado por ladrões que levaram objetos de valor de sua residência. Em outra região da cidade, no Bairro São Bento, um bandido invadiu uma loja e obrigou uma funcionária e uma cliente a despirem-se enquanto ele enchia sacolas com roupas da loja. Com as vítimas nuas, saiu tranquilamente e fugiu sem chamar atenção, pois as constrangidas mulheres certamente não sairiam pedindo socorro nas condições em que se encontravam. Segundo comerciantes da região, este era um dos únicos estabelecimentos comerciais da Rua Sebastião Lima que ainda não havia sido atacado. Isto, porém, porque a loja é nova. A farmácia que ocupava o mesmo prédio fora alvo em mais de uma oportunidade. A padaria do outro lado da rua sofreu nove assaltos nos últimos anos. Nem mesmo a presença constante de seguranças na padaria conseguiu afugentar os bandidos. Estes são somente alguns casos, que ganharam destaque no noticiário. Outros tantos nem mesmo são registrados na polícia, pois um incontável número de comerciantes já desistiu de perder tempo fazendo boletim de ocorrência. Na mesma semana, o comandante-geral da Polícia Militar revelou que solicitou oficialmente a convocação de 130 policiais para completar os mil selecionados em concurso realizado há cerca de dois anos. Até agora, 500 foram para o interior e 370 estão atuando na Capital. Esta convocação precisa ser feita de imediato, pois a legislação eleitoral impede que sejam chamados a partir de abril. Com o pedido de convocação, o comando da PM admite, indiretamente, que o trabalho de repressão está deixando a desejar em Campo Grande, embora a convocação pura e simples não resolva por si só o problema da violência na Capital. Há muito sabe-se que a criminalidade na cidade atingiu níveis alarmantes. Então, simplesmente não se compreende porque até agora não foi colocada na ativa a totalidade dos soldados aprovados no tão alardeado concurso. E, caso estes venham a reforçar o efetivo, pouca diferença fará se não tiverem veículos e combustível para patrulhar a cidade. Esperar o fim da criminalidade seria ingenuidade. Porém, o mínimo que se espera é que a sensação de segurança seja devolvida aos cotribuintes.

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