Sábado, 18 de Novembro de 2017

Tem cheiro de golpe político

3 MAI 2010Por 07h:50
Antes de comentar tal possibilidade na questão Ciro Gomes, quero dar uma pincelada no assunto  Belo Monte que também tem muito cheiro de velhacaria política. Está claro que a usina não vai custar só o que se alardeia, isso é de muita inocência, quase angelical. A entrada da Odebrecht e Camargo Corrêa no consórcio que tocará as obras é sinal cristalino de que o governo vai gastar mais de 30 bilhões de reais na construção dessa inoperante usina. É uma obra de custo gigantesco e resultado suspeito para apenas atender um discurso político do senhor presidente tendo como motivação maior os votos para Dilminha, sua enteada política. Essas raposas da construção civil no Brasil não entram em concorrência que não tenham lucros futuros e menos ainda em obra que não gere recebimento compensatório na sua participação. O presidente está fazendo loucuras para manter o discurso.

 Belo Monte é uma montanha de mentiras. Uma delas, a principal, é de que o preço megawatt/hora será de 77,97. Basta somar a isso os incentivos de 75% do Imposto de Renda dados pelo governo e  chegará a fácil percepção de que é uma farsa o preço acima. É como se não existisse o valor do imposto a ser pago pelas ganhadoras. Então não é perda de reais. A fala do ministro de Minas e Energia, Marcio Zimmermann ou é de um idiota que não sabe onde está ou é de um contumaz mentiroso ao dizer que “o Brasil está vitorioso porque Belo Monte produzira a energia mais barata do leque de usinas”.

 Isso sem comentar que o governo, na verdade, é que está por trás de tudo o que vai ser gasto em Belo Monte. Tem 49% do investimento e o BNDES vai financiar 80% da obra que tem como ganhadora de sua licitação um monte de empresas desprovidas de capacidade técnica para esse porte de obra. Daí a razão da Odebrechet e Camargo Corrêa estarem de volta ao palco, no fundo chamadas pelo governo federal. Estas não estão preocupadas com a bilheteria do circo montado pelo presidente da república. Dão o espetáculo, recebem seu cachê e se mandam.

 No fundo, o brasileiro fica com 49% da obra e se torna credor de 80%. Sabe, tenho para mim que essa obra da usina Belo Monte é pura cascata no final do espetáculo. Após outubro e as eleições, o presidente vai dizer que caberá ao novo governo tomar a decisão final. As justificativas vão ser as demandas judiciais pelo Ministério Público e o tal Plano Básico
Ambiental, mas que as duas raposas, Odebrecht e Camargo Corrêa, têm tudo prontinho, daí o presidente engolir o sapo e chama-lás de volta.
 O cheiro de golpe político, título do artigo, sai fora de Belo Monte, mas continua com o presidente da República na direção geral. Há momentos que me questiono sobre o menosprezo à minha inteligência. É o caso do “sem rumo e partido” vivido por Ciro Gomes. É jogada das grandes, com certeza. Ao transferir o seu título de eleitor para São Paulo, a peça teatral já estava com script pronto. Ciro Gomes não pode ser candidato a cargo majoritário no Ceará porque seu irmão é candidato à reeleição a governador. Não querendo ser mais um coadjuvante na Câmara Federal, a sua candidatura ao Senado da República teria que ser migrada para outro estado, como sempre ensinou o professor José Sarney.

 Ao lançar sua candidatura a presidente, o jogo de cena teatral foi feito para o palco paulista, onde ele deu o seu primeiro berro. Colocou seu nome na seara, primeiro como governador e agora encontra um forte motivo para ser lançado a senador por São Paulo. Poderá ser a “saída honrosa” à sua desistência para presidente e com apoio do PT e seu chefe. Tá eleito. O presidente sabe muito bem que o Ciro em São Paulo, vai tirar votos de Serra. O “juris esperneandi” de Mercadante foi para a plateia.

 Levando em conta que apenas 40% dos eleitores brasileiros não são analfabetos funcionais e que desses quarenta, 65% estão em São Paulo, a candidatura Ciro se torna alto negócio para tentar fazer frente aos votos culturais serristas e ainda sobrar influência em Minas Gerais em contraponto a influência Aécista no território paulista, ambos com alcance no Rio de Janeiro. Como em política tudo é possível, cá comigo, tem cheiro de golpe político.

Raphael Curvo, Jornalista, advogado pela PUC-RIO e pós graduado pela Cândido Mendes-RJ

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