Segunda, 20 de Novembro de 2017

Teatro a todo vapor

24 MAR 2010Por 07h:14
Quais forças foram responsáveis pela morte de uma liderança indígena na região de Dourados, na década de 1980? Como a violência aparece no cotidiano? O que move uma família marcada pela imobilidade de seus integrantes? O autoritarismo está presente nos instantes mais íntimos das relações pessoais? Um grupo local pode trazer nova perspectiva cênica para um texto emblemático de Nelson Rodrigues? As respostas a essas perguntas estarão nos palcos campo-grandenses ao longo de 2010. Pode até parecer que o silêncio domina a cena teatral, mas esta situação é somente aparente, pois nos bastidores a movimentação é total. Os ensaios estão em pleno andamento. No momento, cinco grupos preparam espetáculos para esta temporada, cada um respondendo a uma pergunta específica formulada acima. O Grupo Teatro Imaginário Maracangalha, que há cinco anos divulga o teatro de rua, ocupa, atualmente, em vários dias e horários, a Praça do Rádio Clube para acertar as arestas de “Tekoha – ritual de vida e morte do deus pequeno”, que contará a trajetória de Marçal de Souza, líder indígena guarani-nhandeva, morto por disputa de terra. “Queremos abrir a reflexão sobre os aspectos do poder que afetam não só os índios, mas outras minorias também. No caso específico do Marçal, como se comportaram no julgamento do assassino dele, o judiciário, a imprensa e outros setores sul-mato-grossenses”, explica o diretor do grupo, Fernando Cruz, que roteirizou as etapas a serem desenvolvidas na peça. Serão cinco atores representado os momentos importantes da trajetória de Marçal, porém, há mais envolvidos no processo. “No total, somos 12 pessoas, incluindo a historiadora Patrícia Rodrigues. Começamos a intensificar os trabalhos no fim do ano passado. Agora, ensaiamos às segundas, terças, quartas e quintas-feiras, das 18h30min às 22h, e aos sábados, das 8h às 12h, na Praça do Rádio Clube”, destaca Cruz. A estreia está prevista para o fim de maio, e a montagem percorrerá várias praças da Capital. O grupo recebeu R$ 12,5 mil do Fundo Municipal de Cultura para colaborar com a montagem. Nova proposta “Incontornáveis – um teatro de incoerência e horror” não será um espetáculo de rua e também não destacará somente o palco italiano – o tradicional das representações teatrais – para desenvolver sua proposta. “Na primeira parte do espetáculo, ocuparemos o palco do Teatro Aracy Balabanian; na segunda, iremos para fora do teatro, usando vários elementos cênicos”, antecipa Vitor Hugo Samudio, diretor do Mercado Cênico. A produção faz seguir a carreira do grupo, que ainda tem no repertório a peça “Paredes revisitadas”. A nova produção passou por etapas diferentes até ganhar a atual versão. “Anteriormente, pensamos em encená-la numa garagem, mas ficou inviável. No decorrer da pesquisa para a montagem, apareceram vários assuntos e aspectos. Resolvemos, então, criar uma trilogia. Começamos abordando a violência. Na primeira parte, o assunto será tratado com dramaticidade; na seguinte, o enfoque será mais escrachado, mostrando que a violência pode estar até em um programa de televisão como o ‘Big brother’”, enfatiza Vitor. Oito atores, juntamente com o diretor, têm ensaiado de segunda a sexta-feira, das 8h às 11h30min, no Centro Cultural José Octávio Guizzo. A previsão de estreia é para o próximo mês. A segunda parte da trilogia, denominada “Propina’s days”, deverá ser feita no segundo semestre e, a terceira, no próximo ano. A primeira parte foi premiada com R$ 20 mil pela Funarte, por meio do Prêmio Myriam Muniz para montagem.

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