Domingo, 19 de Novembro de 2017

Tarifas bancárias aumentaram 176% entre os principais bancos do País

31 JUL 2010Por 16h:38
ADRIANA MOLINA

Os preços das tarifas de um mesmo serviço chegam a variar até 176% entre as principais instituições financeiras do Brasil. O porcentual foi verificado pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), ao pesquisar os preços dos serviços bancários mais comuns no País.
O serviço que apresentou a maior diferença foi a emissão de extratos de conta corrente e poupança.  Os valores apurados oscilaram entre R$ 1,45 (Bradesco) e R$ 4 (Caixa Econômica Federal, Banco Real e Santander) – 176% mais oneroso. Quem usa muito o serviço e quiser fazer a conta no final do mês, vai perceber que poderia solicitar quase 28 extratos no banco mais barato, contra apenas 10 no de preço mais alto.
Em seguida, aparece a confecção de cadastro, que pode sair até 107% mais cara ao consumidor dependendo do banco que ele escolher. As tarifas mais em conta para o serviço foram encontradas no Banco Real e Santander, que cobram R$ 28,50; já a mais cara é a cobrada pelo HSBC, de R$ 59.
Concessões de adiantamento ao depositante variam de R$ 22 (Caixa Econômica Federal) a R$ 42 (HSBC), revelando diferença de 90% entre as instituições. Já folhas de cheque podem custar até 77,7% mais entre um banco e outro, de R$ 0,90 (Nossa Caixa)  a R$ 1,60 (Bradesco).
A emissão de segunda via de cartão de débito é outro serviço com variação expressiva, de 80%, custando entre R$ 5 e R$ 8,80. Em regra, a maioria dos produtos ou serviços pesquisados pelo Idec, tiveram diferenças grandes entre os bancos, que tabelam os valores para suas agências em todo o País.
Uma das menores oscilações encontradas pelo instituto foi a da taxa de saque, que apresentou diferença entre o preço mínimo e máximo de 26,3%. A maior foi de R$ 2,40, cobrada pelo Santander e a menor de R$ 1,90, do Bradesco.

Falta concorrência
Segundo o economista Ricardo Senna, as grandes diferenças são reflexo da falta de concorrência mercadológica entre as instituições que, neste caso, não são estimuladas a isso. “Não vemos o consumidor pesquisando, negociando ou até mesmo reclamando das tarifas nos bancos. Eles simplesmente aceitam o que é cobrado. Dessa forma as instituições não têm interesse algum de baixar seus preços, já que não há um cenário de competitividade entre elas”, explica.
O fato é comprovado em Mato Grosso do Sul pelo número de reclamações na Superintendência de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon-MS). De acordo com o órgão, apesar das queixas contra bancos ocuparem o segundo lugar no ranking geral, perdendo apenas para os serviços de telefonia,  75% delas não se referem a tarifas e sim a cobranças indevidas.
“Apenas 10% dos cerca de dois mil processos abertos no Procon por ano contra instituições financeiras remetem à relação cliente banco, que inclui a questão tarifária”, afirma o superintendente Lamartine Ribeiro, lembrando que o número é muito pequeno para causar algum impacto competitivo entre as instituições, melhorando os preços aos clientes.

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