'Sou guardião de um anjo', diz Marcos Mion sobre filho especial

R726 de Janeiro de 2014 | 00h00
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Na última quarta-feira (22), Marcos Mion veio a público pela primeira vez falar sobre as dificuldades de desenvolvimento do filho mais velho, Romeo. Em depoimento no Facebook, ele falou sobre a dificuldade do diagnóstico do menino, que está dentro do "spectrum autista", mas que "segue evoluindo e aprendendo no seu ritmo". No sábado (25), o jornal Folha de S. Paulo publicou um novo depoimento do apresentador do Legendários, da Record, sobre o primogênito.

"A gente visitou inúmeros especialistas no Brasil e no exterior. Todos dizem que ele não é autista. O espectro do autismo é amplo. Envolve comunicação, interação social e padrões comportamentais estereotipados. Como Romeo apresenta menos de seis sintomas, ele foi diagnosticado com um distúrbio de desenvolvimento definido como 'invasivo e sem outras especificações'.

"Um estudo de 2007 mostra que uma em cada 150 pessoas tem genes autistas. Existem graus severos, em que a criança não suporta o toque nem se comunica. Mas, mesmo assim, ela pode evoluir" .

"Nunca tivemos um momento de desespero, de falar: 'Meu Deus, e agora?'. Romeo é uma bênção. Aprendemos todos os dias ao conviver com uma criança que é amor puro. Você coloca os pés na terra dos valores reais. É um privilégio".

"Com estímulo correto, amor e apoio, elas respondem constantemente. Foi por isso que resolvi contar a nossa história. Foi emocionante ler mensagens do tipo: eu tenho um irmão, um filho assim. Existem milhares como ele. O retorno foi maravilhoso, por termos dado uma luz na vida de pais que procuram entender o que o filho tem. No Brasil, as pessoas têm pouca informação. Recebi mensagens de pais contando que o filho foi diagnosticado autista com um ano e meio, dois anos. Isso é crime" .

"Sei que um monte de especialistas vai me crucificar, mas ficar preso ao diagnóstico é a maneira mais fácil de limitar a pessoa. Ouvi histórias de médicos que dizem para as famílias: 'Se preparem para cuidar dessa criança a vida inteira, economizem" .

"Quando se coloca esse carimbo, os pais podem perder a esperança e deixar de dar os estímulos de que o filho precisa. E tem o preconceito. Por isso falo que essas crianças estão dentro de um espectro com muitas variáveis".

"O caminho delas é ilimitado. A evolução do Romeo tem sido constante. Foi tudo muito orgânico. Após muita pesquisa, levamos ele, aos 3 anos, para Miami, onde encontramos uma clínica, um lugar mágico. Nos identificamos com a metodologia. Passamos um ano e meio lá, direto. A família inteira, um intensivo" .

"Eu viajava para Miami toda semana. Agora, vão entender a minha motivação para um gasto e uma disposição tão grandes. Os profissionais são importantes, mas os pais são fundamentais. Duas vezes por semana, eu dormia no avião. Na ida, ia do aeroporto direto para a clínica. Na volta, ia direto para o estúdio" .

"A última vez que voltamos à clínica foi no ano passado. Ele e os irmãos amam ir para lá. Não quero falar o nome nem dar detalhes do método, pois cada família tem que encontrar seu caminho. Não existem duas crianças iguais, com os mesmos sintomas".

"Romeo é totalmente voltado para arte e tecnologia. É muito sensível. Crianças como ele estão aqui para nos ensinar. Sou guardião de um anjo. Somos os escolhidos".

"Ele é bom aluno. Estuda numa escola bilíngue e fala inglês e português. É o popular da classe. Aprende no ritmo dele. Pesquisamos muitas escolas e escolhemos aquela que abraçou nossa família e nos deu oportunidade de ficar próximos. Permitiu que colocássemos uma profissional para estar com ele lá".

"Além da professora, conta com outra especializada em inclusão. Tem aulas que faz com a classe, outras só com ela, naquelas matérias em que não consegue ter a mesma eficiência. Faz natação, fonoaudióloga. Vai ao clube e à casa dos avós e primos".

"Quando ele tinha dificuldades maiores, nós o protegemos até ele ter uma base para um desenvolvimento firme. Hoje, em Miami, ele já fica sozinho com outros meninos no parque. O coração fica na mão ao vê-lo no escorregador, mas a gente deixa, e ele se joga".

"Eu sempre quis ser pai. Gosto de prover, de cuidar. Romeo é o elo mais forte da nossa família. A minha maior motivação para ser uma pessoa melhor é por ele e para ele. Sou eternamente grato a ele por ter escolhido a Suzana e a mim e ter abençoado nossa vida".

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