Sexta, 24 de Novembro de 2017

Sorento mostra a nova "cara" da Kia

21 MAI 2010Por 08h:19
Paulo Cruz, São Paulo - com Autopress

Conversando com executivo de uma grande montadora nacional, fiquei surpreso com a sua preocupação com os modelos asiáticos, mais precisamente coreanos e chineses. “Marcas japonesas, como Toyota e Honda, têm qualidade comprovada, mas volume de vendas pequeno. As outras de ‘olhos puxados’ terão preço competitivo e qualidade que vem melhorando muito. Essas sim vão dar trabalho”, disse o alto funcionário da fabricante nacional.
Pelo ritmo dos lançamentos e novas marcas que chegam ao Brasil, sua preocupação é mesmo real.

Participamos no começo desta semana da apresentação do novo Kia Sorento, um modelo totalmente renovado, com preço atraente, dentro do que pedem os concorrentes, e com ótima qualidade de acabamento e requinte.

A Kia, na verdade, é um capítulo à parte nesta história. Não faz muito tempo era uma marca em busca de imagem. No Brasil, por exemplo, a montadora sul-coreana era associada ao furgão Besta. Isso ficou no passado, mas nada entrou em seu lugar. Até que contratou o designer alemão Peter Schreyer – o mesmo que injetou um ar moderno nos Audi a partir do esportivo TT. Pois foi a ele que coube dar uma nova cara para a Kia. E Schreyer logo inventou uma grade que “sugere” um tigre rosnando e espalhou a ideia pela linha. Primeiro, o tigre imaginário apareceu no Soul, depois no Cerato. Agora é a vez do Sorento.

A nova geração do SUV médio-grande da Kia ganhou um design de frente robusta, conjuntos óticos angulosos, cintura alta e em cunha, que transmite a sensação de velocidade, e uma traseira pesada, com grandes lanternas, inspirada na do utilitário grande Mohave. Além, é claro, da tal grade, que logo vai rosnar na frente do sedã grande Cadenza, que substitui o Opirus, e do novo Sportage – que serão lançados no Brasil em setembro e outubro.
A pressa da Kia em trazer tantas novidades é para aproveitar o expressivo aumento de vendas proporcionado por Soul, Cerato e também Sportage. Nas projeções da empresa, neste ano a participação subiria de 0,8% para 1,8% do mercado – algo como pular das 26 mil unidades de 2009 para 57 mil em 2010. E o Sorento contribuiria bem com esse esforço. A expectativa é de que se emplaquem 4.200 unidades em 2010. Ou seja, pularia das 130 unidades/mês do antigo Sorento para 600 unidades em cada um dos sete meses restantes deste ano.

Nova “cara”
Parte de tamanho otimismo vem da boa receptividade que a nova identidade visual da marca tem tido. Outra parte é pelo fato de as mudanças irem além da estética. Elas marcam, de verdade, uma nova geração. E no caso do Sorento, a alteração foi profunda. Além da nova carroceria e dos novos motores – um quatro cilindros 2.4 litros de 174 cv e um V6 3.5 litros de 278 cv, que só chega em junho –, o utilitário esportivo mudou na estrutura: deixou de se apoiar em longarinas e passou a ser sustentado em um monobloco.

Esta mudança praticamente faz o Sorento mudar de categoria. Ele deixa de ser um SUV e passa a crossover. Afinal, ganhou maior suavidade e rigidez para rodar no asfalto em troca da habilidade para trafegar em estradas maltratadas – perdeu até a motorização diesel e o opcional de reduzida para o câmbio. Mas como o modelo nunca foi mesmo dado a trechos com buracos e lama, o Sorento não perdeu muito.

Ocupando espaço
Até outubro ou novembro, o Sorento vai ter ainda outra missão: cobrir nos concessionários a falta do SUV médio Sportage. Para isso, a Kia “criou” uma versão de entrada mais em conta. Embora tenha o mesmo padrão de acabamento, vem apenas com cinco lugares, tração 4x2, motor 2.4, câmbio de seis marchas, sem teto solar duplo, entre outras economias, e custa R$ 96.900. Bem mais barato que os modelos normais, recheados de eletrônica e toques de requinte. Com esse mesmo trem de força, mas com sete lugares, o SUV sai a R$ 115.900. A terceira versão com motor 2.4 recebe a tração 4x4 e custa R$ 120.900. Mais caro até que o modelo 3.5 V6 4x2, que sai a R$ 119.900. Já na versão 4x4, o Sorento sai a R$ 124.900. Os preços bem próximos de rivais mais consolidados no mercado, casos do Chevrolet Captiva, Hyundai Santa Fe e XC 60, sem os tradicionais apelos ao bom custo/benefício. Prova de que a autoimagem da Kia anda em alta.

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