Segunda, 20 de Novembro de 2017

Sono é saúde

17 JUL 2010Por 07h:09
Thiago Andrade

Não há nada melhor que uma noite de sono bem dormida. Os efeitos do descanso podem ser percebidos no decorrer do dia e vão desde a agilidade de raciocínio e a facilidade de aprendizagem ao bem-estar provocado pelo descanso. Contudo, existe certo descaso com o sono e é comum a ideia de que dormir é perder tempo. Especialistas concordam que tais afirmações precisam ser combatidas, pois já se chegou à conclusão de que o bom sono está entre os principais aliados de uma vida saudável.
“Dormir é tão importante quanto a vigília, ou seja, o período do dia em que estamos despertos. É durante o sono que repomos nossas energias e consolidamos as memórias acumuladas diariamente”, explica o médico neurólogo Marcílio Delmondes, especializado em medicina do sono. A afirmação demonstra como o sono é importante para o ser humano, assim como para todos os outros animais, sendo responsável pela manutenção de condições psíquicas saudáveis.
Entretanto, embora seja tão necessário, o sono também sofre com comportamentos patológicos e distúrbios, que podem causar desde noites de insônia a problemas como sonambulismo e narcolepsia. Mas estes são apenas alguns dos problemas que afetam o sono. Segundo Marcílio, existem cerca de 90 síndromes e distúrbios que incomodam a noite de homens e mulheres, além de seus parceiros.
“Existe um certo preconceito em se procurar um médico quando surgem distúrbios que afetam o sono. Tem-se uma visão errônea de que dormir é perder tempo, ‘quando, na verdade, ele é um dos momentos cruciais para uma vida saudável”, detalha o neurologista. Ele explica que as causas são diversas, podendo ter origem hereditária, psicológica, comportamental, ambiental e, em alguns casos, podem estar ligadas a outras doenças. “A depressão, por exemplo, pode ser a causa de  estados de sonolência exagerada”.
Para se constatar a existência de problemas no sono, o primeiro passo é identificar os sintomas que surgem no dia a dia. Cansaço e sonolência mesmo depois de muitas horas dormindo, lapsos de memória constantes, mau humor, déficit de atenção, são alguns deles. “Como não nos lembramos do que fazemos durante o sono, essas reminiscências diurnas podem ser um ótimo sinal de como anda o comportamento noturno”, descreve Marcílio.

Funcionamento do sono
Os avanços no entendimento sobre esse período da vida humana foram muito grandes nas últimas cinco décadas. A princípio se acreditava que era um comportamento passivo, no qual o cérebro era desprovido de suas funções e assim poderia descansar junto com o corpo. Entretanto, com a ajuda de exames como o eletroencefalograma e a polissonografia, percebeu-se que o órgão mantinha suas atividades e se identificou o movimento cíclico pelo qual o sono passa, sendo ele composto das fases I, II, III, IV e Rem (período dos sonhos).
Esses momentos ocorrem em sequência preestabelecida, sendo que os principais são os últimos três estágios, que são responsáveis pela recuperação das funções mentais e físicas, pela sedimentação da memória e pelo amadurecimento cerebral em crianças recém-nascidas. “Qualquer interrupção nesta última fase pode causar problemas. Vale lembrar que cada ciclo tem duração média de 90 minutos, ou seja, passamos por cada estágio de três a quatro vezes por noite”, detalha.
Por esse motivo, Marcílio aponta que a sesta no início da tarde deve ter duração máxima de 20 minutos ou mínima de uma hora e meia. “Desse modo se evita interromper as fases mais profundas do sono. Quando isso ocorre, acordamos cansados, pois o cérebro foi incomodado em meio ao processo de descanso”, aponta. De acordo com o neurologista, as noites de sono devem ter entre quatro e 10 horas, variando entre indivíduos, com média de sete a oito horas. Dormir menos de quatro ou mais de 10 pode ser considerado comportamento patológico.

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