Quinta, 23 de Novembro de 2017

Nelson Trad Filho - Prefeito de Campo Grande

”Só atenderia em posto se tivesse segurança“

31 JAN 2010Por MILENA CRESTANI07h:35

Apesar das especulações políticas, o prefeito de Campo Grande, Nelson Trad Filho (PMDB), garante cumprir o mandato e o compromisso firmado com a população. Sua principal meta nos próximos três anos à frente da administração municipal – conforme relatado em entrevista concedida ao Correio do Estado – é concluir obras que vão proporcionar qualidade de vida à população. Ele detalha alguns dos principais empreendimentos, como a nova rodoviária (que será inaugurada amanhã), a terceira etapa da Via Morena, o Centro de Belas Artes, o Centro de Referência de Atendimento ao Homem, aterro sanitário, Paço Municipal, além de escolas e novas unidades de saúde. No entanto, Nelsinho também trata de problemas que ainda terá de enfrentar para conseguir atingir sua meta de qualidade de vida. Uma das principais é o atendimento nos postos de saúde. Nesta semana, foi discutido o problema de alguns casos de violência nas unidades. Como médico, ele garantiu que não atenderia nos postos sem ter segurança. Veja os principais trechos da entrevista abaixo:

O senhor vai concluir o mandato como prefeito?

Vou concluir o mandato, até porque

foi resultado qualitativo e quantitativo

de pesquisa realizada recentemente

para avaliar esta questão. O

próprio governador André Puccinelli

sempre orientou que, atendendo as

pesquisas, as chances de errar são

menores porque daí nós vamos estar

ouvindo o povo.

Já está confirmada sua participação na coordenação da campanha da ministra Dilma Rousseff à presidência da República? Como deve ser feita sua atuação?

Primeiro que esta questão vai

estar impreterivelmente vinculada

à posição do meu partido, o PMDB,

nas eleições presidenciais de 2010.

Então, seria prematuro qualquer tipo

de especulação num momento

em que não temos essa definição. O

que posso lhe dizer é que muito me

honrou esse convite que foi feito do

Palácio do Planalto.

O senhor já tem definido seu voto para candidato a Presidente da República? É para Dilma Rousseff ou José Serra?

Já tenho definido, mas o voto é

secreto.

O fato da viabilização de verbas com recursos federais para investimentos em Mato Grosso do Sul foi um fator preponderante para que o senhor manifestasse a intenção de apoio a Dilma como candidata?

Não necessariamente a questão

do que Campo Grande mereceu durante

o mandato do presidente Lula,

mas por acreditar num programa

voltado ao municipalismo, como foi

feito nestes anos em que muito se

investiu nas prefeituras em razão

das ações do governo federal.

Qual é seu projeto político após conclusão do mandato?

Primeiro, quero

concluir bem meu

mandato e terminar

as quatro obras do

PAC (Programa de

Aceleração do Crescimento)

que estamos

desenvolvendo na

cidade. Concretizar

os investimentos que

conseguimos para

mais 300 casas e, com

isso, terminar com a

última favela existente

no nosso município.

Concluir as obras de

investimentos próprios que também

representam monta considerável de

recursos. Com tudo isso, acreditar

que a população vai saber reconhecer

que fizemos um bom mandato e

isso vai nos credenciar a voos futuros.

Essa é minha missão até o momento.

Esses voos futuros seriam a candidatura ao Governo do Estado?

É uma possibilidade que tenho

como muito forte dentro daquilo

que pretendo realizar no meu futuro.

Quais são as principais obras que devem ser feitas neste ano pela administração municipal, inclusive naquele pacote que o senhor pretende lançar?

São obras de infraestrutura que

vão garantir a mobilidade urbana

dentro do município. Vamos avançar

no percentual de linhas de ônibus

asfaltadas. Hoje temos 87% e pretendemos

encerrar 2010 com 100%.

Vamos resolver a questão da rodoviária

inacabada (no Bairro Cabreúva)

– atendendo a Termo de Ajustamento

de Conduta (TAC) – com assinatura

da ordem de serviço para iniciar

as obras do Centro Municipal

de Belas Artes. No campo da saúde,

vamos inaugurar unidades básicas

de saúde da família, que são muito

importantes para ações preventivas.

Na área da educação, vamos inaugurar

uma escola nova na Moreninha 4.

Também há obras na área do esporte

e lazer que se refletem diretamente

na qualidade de vida e saúde da população,

onde vamos disponibilizar 14

academias ao ar livre para as pessoas

se exercitarem, principalmente aquelas

da melhor idade, numa parceria

que estamos fazendo com a Unimed

de Campo Grande. Há ainda investimentos

na área de drenagem para

acabarmos com os problemas das enchentes,

que causam transtornos a algumas

regiões do nosso município. É

um pacote para mostrarmos o quanto

é importante o dinheiro do IPTU (Imposto

Predial e Territorial Urbano),

que reverte na sua totalidade para benefício

da cidade e da população. O

total do pacote é de R$ 76 milhões.

Quando fica pronta a terceira etapa da Via Morena?

Infelizmente neste período as

obras não têm a agilidade que a gente

queria que tivesse. As frentes que

podem ser feitas e cumpridas dentro

do período de chuva estão sendo organizadas.

Mas, para outras, temos

que esperar diminuir as chuvas para

trabalhar. Em função disso, estamos

esperando a chegada de março para

acelerar e concluir estas obras ainda

em 2010. Além de dotar a região de

infraestrutura de mobilidade urbana,

nós agregamos o conceito moderno

de qualidade de vida com ciclovia e

pista de caminhada. Isso é muito importante

porque gera na cidade o aspecto

moderno que a gente está querendo

para a Capital.

Nesta semana, foi discutida a questão da segurança nos postos de saúde de Campo Grande depois que cerca de 20 pessoas invadiram a unidade da Vila Almeida incomodadas com a demora no atendimento. Hoje, há dificuldade para que os profissionais aceitem trabalhar nas unidades?

Essa é a questão. Alguns oportunistas

que fazem

p r o g r ama d e

televisão começaram

a criticar

o fato de nós

colocarmos policiais

dentro dos

postos de saúde

e não médicos.

Essa pergunta

é a chave. Não

conseguimos nenhum

profissional

para trabalhar

em um local

que não lhe ofereça

segurança.

Além de dar conforto,

comodidade e segurança, temos

que dotar o espaço de condições

adequadas para que os profissionais

possam produzir. Eu não estou conseguindo,

em função deste problema,

contratar mais médicos para suprir

a demanda. Enquanto essa solução

não for resolvida, nós vamos ter essa

dificuldade. Estamos buscando a

parceria com o governo estadual para

que a gente possa definitivamente dar

tranquilidade aos trabalhadores dentro

dos postos.

O senhor, como médico, trabalharia em um posto de saúde?

Se não tivesse segurança, não.

Um dos problemas que a população também enfrenta é a falta de pediatras para atender nos postos. O que a prefeitura estuda para resolver isso?

Com o passar dos anos, essa demanda

reprimida de profissionais da

pediatria tende a diminuir porque

hoje nós temos Medicina na Universidade

Federal de Mato Grosso do Sul

(UFMS), na Uniderp/Anhanguera e na

Universidade Federal da Grande Dourados

(UFGD). Com isso, nós reduzimos

um pouco a demanda de pediatras

nos postos com os profissionais

que vão sair dessas turmas agora.

Além dos seis anos da faculdade, o

formando que decide fazer a pediatria

tem mais quatro anos de estudo,

sendo dois de clínica médica e dois

de pediatria. Agora que estão surgindo

os primeiros pediatras destas universidades.

Isso vai cair no mercado e

nós vamos com certeza fazer a contratação

destes profissionais.

Campo Grande está enfrentando novamente uma epidemia de dengue. Qual recado o senhor deixa para a população, que está preocupada com o aumento dos casos?

A dengue se resume em combate

todos os dias. O que falta à população

é ter atitude. Os moradores sabem

o que é a dengue, qual remédio que

pode tomar, quais são os sintomas,

quais exames precisam ser feitos e o

que deve se fazer para não ter dengue

na sua residência ou terreno. O

que falta é realmente fazer, é atitude.

Cada um fazendo sua parte para resolvermos

esta questão. Porém, desta

vez, a dengue não nos pegou de surpresa.

Nós já prevíamos esta epidemia

em meados do ano passado até por

uma questão de circulação dos vírus

dos tipo 1, 2 e 3 que estão no nosso

município. Tenho certeza de que, com

a contribuição da população, vamos

vencer mais essa situação desfavorável.

Quais ações a prefeitura já está realizando para combate à dengue?

A prefeitura está mapeando os

locais onde o índice de infestação é

maior e fazendo uma ação de varredura

destes pontos, que estão restritos

a alguns bairros da cidade. Estamos

fazendo exatamente ação intensa

para combater o mosquito (Aedes

aegypti) e as larvas nestes respectivos

locais.

Quando a população de Campo Grande poderá contar com o Centro de Saúde do Homem, que vai funcionar no antigo Albergue, na Avenida Afonso Pena?

O projeto está

em fase final pela

Secretaria de Obras.

Está sendo elaborada

planilha de

custos. Vamos fazer

ainda esse ano o

Centro de Referência

de Atendimento

ao Homem para começar

a funcionar

ainda em 2011. O local contará com

atendimento desde o nascer do menino

até a melhor idade. Essa é uma

meta do Ministério da Saúde. Temos

visto propaganda na imprensa mostrando

que os homens se cuidam menos

que as mulheres.

Já está resolvida a questão da posse do Albergue?

Estamos terminando a efetivação

da matrícula no nome do município

para poder resolver esse impasse. A

área é do município.

Como está a expectativa com relação à inauguração da nova rodoviária?

Estamos com expectativa

muito grande.

A gente sente por

onde anda, levando

convite da inauguração

– e eu tenho feito

isso pessoalmente –, a

alegria das pessoas em

poder participar. Vai

ser um marco histórico

na nossa cidade.

A partir do primeiro

minuto de fevereiro,

o nosso município

vai estar dotado da

rodoviária mais bonita

do Brasil. Campo Grande merecia

essa obra e, graças a uma parceria

público-privada, desenvolvida com

a empresa responsável pela concessão,

nós iremos concluir esse sonho.

Com isso, depois de muitas décadas

o campo-grandense vai ter a alma lavada

na questão da rodoviária.

Como será feita a obra do novo Paço Municipal?

Estamos em um estudo preliminar

até para conhecer melhor as

condições e não vamos dar nenhum

passo maior que as nossas pernas no

sentido de ver se é viável a construção

do novo Paço Municipal e de um

centro administrativo. O local adequado

para se construir esse complexo

é na área escolhida

em função

da proximidade

com os Poderes

constituídos e

com a modernidade

que o projeto

se impõe no

sentido de eficiência

e agilidade.

Já está definido que a empresa Arbeit Desenvolvimento Imobiliário Ltda. irá realizar a obra?

Há apenas um início de tratativa.

Essa empresa já está atuando em algumas

cidades do ABC Paulista. Vamos

entrar em contato com os prefeitos

daquela região para poder ver

como ela está se portando naquelas

cidades. Além disso, há um estudo

financeiro detalhado para ver se é

viável a implantação. Até porque

a sede do Paço já está acanhada e

não é condizente com a cidade que

nós temos.

Não há possibilidade de abrir uma licitação e dar oportunidade para que todas as empresas participem da disputa pela obra até para obter um preço mais vantajoso?

Logo depois

que isso veio

colocado na imprensa,

alguns

e m p r e s á r i o s

locais manifestaram

interesse em conversar com

a prefeitura e tentar viabilizar isso.

Estamos abertos para esse diálogo

e pode ter certeza que a prefeitura

fará tudo dentro da lei.

A obra do aterro sanitário ainda está parada. Qual solução deve ser dada para a destinação do lixo em Campo Grande?

A solução do aterro e a modelagem

do seu funcionamento, incluindo

os catadores que são uma

questão social que não poderia

ser desprezada, vai seguramente

se concretizar em 2011. Já estamos

no processo de licitação e, tão logo

termine, iremos dar sequência a

nossas ações para, numa ação conjunta,

terminar o aterro sanitário,

organizar uma grande modelagem

para que se abriguem os catadores

e implantar a coleta seletiva de lixo.

Algumas empresas apresentaram novas tecnologias para destinação e tratamento do lixo. A prefeitura estuda alguma maneira de utilizar estes meios para economizar com os serviços ?

Estamos participando do credenciamento

para captação do

crédito de carbono para que possamos

ter algum lucro em função

do lixo que vale luxo, que vale dinheiro,

que não fique apenas num

passado sombrio como é o lixão

da nossa cidade. Isso vai nos render

euros. Toda solução inteligente

que venha diminuir custo e seja

benéfica para o município nós iremos

implementar.

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