Domingo, 19 de Novembro de 2017

Bastidores

Sintonia histórica

21 JAN 2010Por ARCÂNGELA MOTA, TV PRESS05h:25
Norma Blum tinha apenas 11 anos quando a TV Tupi Rio foi inaugurada, em janeiro de 1951. Mas, apesar da pouca idade, a jovem descendente de austríacos acompanhou de perto a estruturação e o crescimento da emissora, que foi pioneira no Rio de Janeiro. No mesmo ano, Norma já apresentava, ao lado do pai, o professor Robert Blum, o primeiro curso de idiomas transmitido pela TV, o programa “Aulas de inglês”. Aos 14 anos, passou a integrar o quadro fixo de atores da Tupi. E esse foi o pontapé inicial da longa trajetória da atriz, que já trabalhou em sete emissoras e fez mais de 20 novelas. Agora, aos 70 anos, ela recorda, sempre com um sorriso no rosto e um olhar saudoso, os bastidores da época. “Eu tive a honra de ver a Tupi se estruturando. Nós éramos uma grande família e aprendemos tudo juntos”, lembra. O amadurecimento profissional de Norma ocorreu paralelamente ao da própria linguagem televisiva. Isso porque, quando a TV chegou ao Brasil, tudo era feito na base da experimentação, já que não havia referências. “Nós tivemos de criar uma linguagem. Não existia escola nem exemplo para isso. Era tudo muito calcado no rádio e no teatro”, relembra a atriz, que começou a fazer teleteatro em 1951 e fez sua estreia nas novelas no papel de Nossa Senhora de Lourdes, em “A Canção de Bernardete”, de 1958. Como na época não existia videoteipe, todos os programas eram feitos ao vivo e tinham no improviso uma de suas características principais. “Às vezes caía um lampião ou uma câmara pifava e nós tínhamos de adaptar a cena na hora. O ator também era contrarregra, figurinista e maquiador. Precisava prestar atenção em tudo e ter uma visão geral”, conta. Nem mesmo a chegada do videoteipe ao Brasil, em 1962, tornou os trabalhos mais fáceis. Norma lembra que, em um primeiro momento, a fita era odiada, pois tornava tudo muito mais demorado. “Era um sufoco porque ainda não tinham uma máquina para edição. A fita era cortada com lâmina de barbear. Se algo desse errado, tinha de refazer a cena inteira”, reclama. A atriz confessa que gostava mesmo era da adrenalina de contracenar rápido e ao vivo. E conta que teve suas maiores escolas nos programas “Teatro de comédia”, “Grande teatro Tupi” e “Teatrinho Troll”, grandes sucessos da Tupi em 1954. “Aprendi muito ao lado de pessoas como o Sérgio Britto, Fernanda Montenegro, Ítalo Rossi e Natália Timberg. Era uma turma muito boa”, elogia.

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