Sábado, 18 de Novembro de 2017

Sinais perigosos

19 JAN 2010Por 08h:28
Sem qualquer intenção de ser alarmista, este jornal noticiou, na sua edição de ontem, a possibilidade de que, neste ano, o Pantanal de Mato Grosso do Sul não apenas sofra inundação antecipada: joga-se com boas chances de que venha a ser uma das maiores de sua história, o que será catastrófico caso os produtores da região não fiquem atentos ao eventual problema. Analisando os dados das últimas cheias pantaneiras, a Embrapa – Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuárias – antecipa a probabilidade de que, em se continuando os altos índices de chuvas, teremos uma enchente de porte, no mínimo, acima das médias normais. A novidade apontada pelos técnicos é a de que os rios pantaneiros, que desaguam nos dois pantanais – o Alto e o Baixo – apresentam evolução anormal, dando sinais perigosos que não podem ser descartados. Há dados concretos de que os principais rios do Pantanal do Mato Grosso e de Mato Grosso do Sul, contribuintes do Rio Paraguai e de toda a bacia pantaneira, estão com volumes de água acima do esperado. Nada que possa gerar um clima de inquietação e de apreensão, mas o suficiente para que se acompanhem as evoluções com atenção maior. Rios como Piquiri, São Lourenço, Taquari, Aquidauana e Miranda (os principais) continuam “pegando” água acima do normal. O que está provocando, como principal consequência, volume razoavelmente maior do Rio Paraguai em toda a sua extensão. Há que se considerar, ainda, a precariedade de dados referentes aos rios da mesma bacia pantaneira no lado da Bolívia e do Paraguai. Mas é muito provável que as chuvas constantes estejam provocando alterações sensíveis e inesperadas, também naquelas regiões. O mês de janeiro nem sempre é período de aumento do volume das águas dos rios acima dos níveis considerados corriqueiros. Este é que apresenta anormalidades, portanto, alterações inesperadas e que merecem a atenção geral, sobretudo dos fazendeiros que têm suas propriedades em áreas sujeitas a inundações maiores. Nas próximas semanas, continuaremos acompanhando a evolução dos níveis do Rio Paraguai, com o objetivo primordial e necessário de informar aos pecuaristas da região, de modo a permitir que continuem atentos, precavidos, diante de evoluções que poderão gerar níveis ainda mais altos e, daí, realmente preocupantes. As chuvas mais amenas, do final de semana que passou, causaram alívio aos técnicos. Os indicativos para o começo da semana também geraram um pouco mais de tranquilidade. Ainda assim, apenas três dias de poucas chuvas não são o suficiente para devolver o sossego a ninguém. Será preciso muito mais do que isso.

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