Quarta, 22 de Novembro de 2017

Sibutramina: faz mal ou não?

9 MAR 2010Por 07h:57
Você sabia que o Brasil é um dos maiores consumidores mundiais de medicamentos para emagrecer? Mais de 40% da nossa população vive com sobrepeso e mais de 10% sofre com os efeitos da obesidade. Para enfrentar o problema, muitas pessoas correm para o consultório médico o que resulta em três recomendações: reeducação alimentar, prática regular de atividades físicas e remédio para emagrecer. Pois agora um dos medicamentos mais populares para perda de peso, a sibutramina, está na mira de autoridades sanitárias de todo o mundo. O motivo? Um estudo feito na Europa, que envolveu 10 mil pacientes durante seis anos, apontou que os riscos com o seu uso parecem ser muito maiores do que os benefícios. Problemas cardiovasculares Concluído em 2009, o estudo mostrou um crescimento de 16% das chances de desenvolvimento de problemas cardiovasculares, como infarto do miocárdio, parada cardíaca e derrame entre os pacientes obesos ou com sobrepeso que usam medicamentos à base de sibutramina. De acordo com as autoridades sanitárias da Europa, a perda de peso resultante do uso desses medicamentos é bem pequena – em média, de dois a quatro quilos. Ou seja: afeta a saúde e não resolve o problema. O resultado repercutiu em vários países. Nos Estados Unidos, mesmo com pedidos de grupos de defesa de consumidores para que os produtos sejam retirados do mercado, os órgãos responsáveis pela regulação de medicamentos, pediram aos fabricantes que coloquem na bula a contraindicação do uso em pacientes com histórico de doenças cardiovasculares. Na Europa, a decisão foi radical: no dia 21 de janeiro deste ano, a Agência Europeia de Medicamentos (Emea) proibiu o uso da sibutramina no continente. No Brasil a situação está sendo avaliada. No ano passado, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), recebeu 37 notificações sobre reações adversas decorrentes do uso da sibutramina, sendo 14 delas referentes a problemas cardiovasculares. Ninguém morreu, mas foi dado o alerta. Em nosso país, a bula dos medicamentos com sibutramina fala da possibilidade de haver efeitos adversos sobre o coração, porém a única contraindicação se dirige a pessoas com histórico de distúrbios alimentares, como a anorexia. Porém, depois que a Emea soltou o comunicado sobre a proibição da sibutramina na Europa, a Anvisa enviou um alerta a médicos e farmacêuticos e ampliou o perfil dos pacientes que não devem usar a substância. Agora ela não pode mais ser prescrita a pacientes obesos com problemas ou antecedentes de doenças cardio e cerebrovasculares e também a quem é obeso, sofre de diabete mellitus tipo 2 e apresenta risco de desenvolvimento de problemas cardiovasculares. Ainda assim, a Câmara Técnica de Medicamentos da Anvisa vai se reunir para analisar se amplia as contraindicações ou proíbe de vez a sibutramina no Brasil.

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