Sábado, 18 de Novembro de 2017

Serra rompe o silêncio e adota discurso com temas nacionais

3 MAR 2010Por 05h:47
Três dias depois da divulgação da mais recente pesquisa Datafolha (no sábado, dia 27), o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), rompeu o silêncio, mudou o tom e adotou discurso político e nacional. Ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da pré-candidata do PT à Presidência, ministra Dilma Rousseff, durante inauguração do novo complexo industrial da Case New Holland, em Sorocaba, o governador fez, em seu discurso, uma defesa enfática do papel da indústria para o desenvolvimento econômico do País, citou o papel do expresidente Fernando Henrique Cardoso para a retomada e modernização da indústria automobilística e discorreu sobre a importância dos programas de sua administração, no governo paulista, para o combate à crise econômica global. Serra vem sendo pressionado por membros do PSDB e do DEM a assumir sua candidatura ao Palácio do Planalto, principalmente depois que a diferença entre ele e pré-candidata do PT caiu de 14 pontos para apenas quatro pontos na última pesquisa Datafolha. Essa mostra indica Serra com 32% das intenções de voto, contra 28% de Dilma. “Eu pessoalmente participei dessa modernização em 1995 quando muitas fábricas, inclusive a Ford, estavam para deixar o Brasil em função da valorização cambial, juros e retirada de tarifas (de importação). Nós fizemos um programa de modernização que impulsionou bastante o setor e ele veio se expand i ndo em condições de muito boa qualidade e produtividade”, afirmou Serra, em Sorocaba. “Nos preocupa hoje em dia, uma preocupação que é compartilhada pelo ministro Miguel Jorge (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, que também participou do evento), a questão das exportações do setor (automobilístico). No ano passado, tivemos um déficit de US$ 3,7 bilhões nessa área, incluindo autopeças, e é importante que a indústria se desenvolva também exportando, não apenas atendendo, embora seja seu motor principal, ao mercado interno”, disse. O governador demonstrou ceticismo sobre a capacidade de geração de empregos pelos setores agropecuário e de serviços. “Muitas vezes se desenvolvem teorias de que o Brasil pode vir a ser um País primário exportador, como era no passado, exportando commodities, matérias-primas e alimentos e com isso crescer. Ou então que o moderno agora, o chique, é a economia de serviços”, reiterou. E continuou: “Ambas essas teses estão erradas e são falaciosas. Nós não vamos conseguir gerar os empregos num País de 180 milhões de habitantes e que ainda tem uma grande parte da sua força de trabalho subempregada, quando não desempregada, sem a indústria”. Serra avaliou que o governo federal adotou medidas corretas para conter os impactos da crise internacional no País ao reduzir impostos e aumentar o volume de financiamentos por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). “Aqui em São Paulo cooperamos com isso quando tínhamos a Nossa Caixa (...). Conseguimos manter um nível de investimentos em 2009 que foi o mais elevado de nossa história por parte do governo do Estado e ajudou muito na manutenção do nível de emprego e ocupação em todo o território paulista”, disse. Operário Serra voltou a fazer referência às suas origens e tentou associar sua imagem aos trabalhadores da fábrica. “Eu pessoalmente tenho uma identificação com a indústria na minha origem, porque sou de um bairro operário, morava numa vila operária”, afirmou, citando a Mooca. “Morei numa casa que era ‘pegada’ a uma fábrica e tinha uma caldeira vibrando dia e noite. Quando desligavam a caldeira eu não conseguia dormir porque estava acostumado com o barulho. Na origem, pra mim, a indústria está muito associada à minha infância e ao meu desenvolvimento”, afirmou.

Leia Também