A polícia transferiu de delegacia, na noite de quarta-feira (23), a ex-empresária Vilma Martins Costa, de 57 anos, presa com produtos furtados de uma clínica odontológica em Goiânia. Ela ficou conhecida há cerca de dez anos, quando foi condenada pelos sequestros de dois bebês, um deles Pedro Rosalino Braule Pinto, o Pedrinho, levado de uma maternidade de Brasília, em 1986.
Flagradas na tarde de quarta-feira com aparelhos e equipamentos avaliados em R$ 8 mil, Vilma e a esteticista Sônia Eliene Silva, 40 anos, foram autuadas por receptação qualificada.
As duas deixaram o 20º Distrito Policial (DP), no Setor Sudoeste, por volta das 23h50min e seguiram para o 14º DP, na Vila Pedroso, onde há carceragem com celas femininas.
O delegado Geraldo Brasil informou que a liberdade para esse tipo de crime não pode ser afiançada em delegacia, somente em juízo. Se condenadas, elas podem pegar pena de três a oito anos de prisão.
Em entrevista ao G1, na cela do 20º DP, Vilma e Sônia negaram a acusação.
"Eu não devo nada. Nem desci do carro. Só estava fazendo um favor e agora estou aqui, nesta situação", defendeu-se a ex-empresária. Vilma alega que apenas deu uma carona para a esteticista, de quem é cliente. "Nunca fiz nada errado nos meus 57 anos de vida", garantiu.
Sônia também alega que estava fazendo um favor. Segundo a esteticista, um conhecido pediu que ela levasse o material à loja de um técnico em assistência odontológica para perguntar se ele tinha interesse na compra. "Eu não tinha ideia que esses produtos eram roubados", afirmou ao G1.
Elas acabaram presas ao tentar vender os produtos a um técnico em assistência odontológica. Segundo o delegado que registrou o flagrante, Geraldo Caetano Brasil, o profissional havia sido avisado sobre o furto pela dona da clínica. Quando Sônia chegou ao seu estabelecimento com o material, ele percebeu que todos eles estavam na lista passada pela odontóloga.
O técnico ligou para a dona da clínica e informou sobre as duas mulheres que estavam em sua loja com os produtos iguais aos dela. Uma teria ficado no carro e a outra descido e oferecido os produtos. Quando elas foram embora, o técnico as seguiu. Enquanto isso, a dentista chamou a Polícia Militar, que conseguiu interceptar o veículo onde a dupla estava em uma rua da Vila Planalto, próximo ao Terminal Bandeiras.
No carro, um Fiesta preto que pertence a Vilma Martins, os policiais encontraram aparelhos e instrumentos odontológicos que foram reconhecidos pela vítima. Parte dos produtos furtados ainda está desaparecida, entre eles um aparelho de raio x.
Condenação
Vilma Martins foi condenada, em 2003, a 15 anos e nove meses de prisão por subtrair Pedro Rosalino Braule Pinto, o Pedrinho, e Aparecida Fernanda Ribeiro da Silva, retirados de maternidades de Brasília e Goiânia em 1986 e 1979, respectivamente.
Em junho de 2008, ela ganhou o direito de cumprir pena em regime aberto. Em agosto daquele ano, depois de ter cumprido um terço da pena, Vilma obteve a liberdade condicional.
A pena imposta à ex-empresária chegaria até 2019, mas Vilma Martins terminou de cumpri-la sete anos antes do previsto. Segundo a assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO), ela foi beneficiada por três comutações de pena consecutivas, em 2009, 2010 e 2011.

