Vereadores afirmaram que a manutenção do veto garante recursos para serviços públicos essenciais e evita prejuízos maiores à população, apesar do aumento da taxa embutida no IPTU
Após votar pela derrubada do aumento do valor da taxa do lixo, em sessão extraordinária convocada pela Câmara Municipal, três vereadores recuaram e mudaram o voto, o que manteve a cobrança do tributo junto ao Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), em Campo Grande.
Na sessão do dia 12 de janeiro, a votação ocorreu por unanimidade, com 20 votos a favor e nenhum contrário, pela suspensão do decreto municipal que definiu a forma de cobrança da taxa de coleta de lixo, tributo embutido no carnê do IPTU e considerado estratégico para aliviar o valor final cobrado dos contribuintes.
Os vereadores Carlão (PSB), Dr. Jamal (MDB) e Leinha (Avante) mudaram de posição e decidiram votar pela manutenção do tributo, acompanhando o veto imposto pela prefeita Adriane Lopes (PP).
Durante a justificativa, o 1º secretário da Câmara, Carlão, afirmou não ter dificuldade de dialogar com eleitores nos bairros para explicar que a taxa do lixo, mesmo após o aumento de 100%, ainda seria a menor existente.
“Não sou a favor de aumento de taxa, mas é preciso mostrar à pessoa que, se você cortar apenas a taxa do lixo, o problema fica ainda maior do que já estava. E isso vale tanto para quem paga pouco quanto para quem paga muito: tem gente que paga cerca de R$ 4 mil a R$ 5 mil de taxa de esgoto, quase R$ 2 mil de taxa de iluminação pública e R$ 900 de taxa de lixo, que dobrou”, explicou Carlão, ao defender que a prefeitura precisa de recursos em caixa para executar os serviços.
Na mesma linha, o vereador Leinha pontuou que não tem dificuldade em alterar o voto e destacou a responsabilidade com as pessoas que trabalham com ele e com a população.
“Quando você chega a um bairro que leva de 60 a 90 dias para receber um tapa-buraco, é preciso ter responsabilidade. Porque, neste momento, ao votar pela derrubada do projeto, quem sofre é quem chega ao posto de saúde e não encontra remédio, quem chega e não encontra médico. Então, também é um recado ao Executivo”, afirmou Leinha.
Nem todos os vereadores se manifestaram durante a sessão, e, por isso, não houve declaração do vereador Dr. Jamal. Para derrubar o veto, eram necessários 15 votos, o que não ocorreu por apenas um voto de diferença.
Dessa forma, por 14 votos a 8, a Câmara Municipal de Campo Grande manteve o veto total ao Projeto de Lei nº 16.402/2025, editado pela Prefeitura no fim de setembro, que regulamenta a cobrança da taxa de coleta, remoção e destinação de resíduos sólidos domiciliares para 2026.
Entre os vereadores que votaram na sessão extraordinária, mas não compareceram à sessão desta terça-feira, estão Fábio Rocha, Dr. Lívio, Júnior Coringa e Neto Santos.
Já os vereadores Landmark e Silvio Pitu não estiveram presentes em nenhuma das sessões.
Ausentes:
- Dr. Lívio (União Brasil)
- Fábio Rocha (União Brasil)
- Júnior Coringa (União Brasil)
- Landmark (PT)
- Neto Santos (Republicanos)
- Silvio Pitu (PSDB)
Veja como votou cada vereador:
Favoráveis pela manutenção do veto
- Beto Avelar (PP)
- Carlos Augusto Borges (PSB)
- Delei pinheiro (PP)
- Victor Rocha (PSDB)
- Professor Juari (PSDB)
- Dr. Jamal (MDB)
- Wilson Lands (Avante)
- Leinha (Avante)
Favoráveis a derrubada do veto
- Ana Portela (PL)
- André Salineiro (PL)
- Clodoilson Pires (Podemos)
- Cabo Almi (PSDB)
- Herculano Borges (Republicanos)
- Jean Ferreira (PT)
- Luíza Ribeiro (PT)
- Otávio Trad (PSD)
- Maicon Nogueira (PP)
- Marquinhos Trad (PDT)
- Rafael Tavares (PL)
- Professor Riverton (PP)
- Ronilço Guerreiro (Podemos)
- Veterinário Francisco (União Brasil)
Manutenção do veto
O secretário de Governo de Campo Grande, Ulysses Rocha, que esteve na sessão dialogando com os vereadores, afirmou que a manutenção do veto demonstra responsabilidade por parte do Legislativo diante da dificuldade financeira enfrentada pelo município.
“Ganha a cidade, ganha Campo Grande. Acho que foi um voto de responsabilidade. Os vereadores entenderam que as finanças do município estão em situação delicada por diversos fatores e que é necessário requalificar o tributo para garantir recursos em caixa”, comentou o secretário.
Ainda segundo Ulysses Rocha, a Câmara Municipal teve papel fundamental no processo e a expectativa é de que a população compreenda com mais clareza o que está sendo cobrado junto ao IPTU.
“Este é um momento que apazígua as dúvidas e traz mais segurança para as pessoas sobre o que estão pagando. A Câmara de Vereadores teve um papel fundamental nisso, e acredito que os parlamentares entenderam que estamos trabalhando em um propósito maior para a cidade de Campo Grande”, concluiu.
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