Segunda, 20 de Novembro de 2017

Sem violência

25 JAN 2010Por 08h:19
As cenas de revolta de pacientes pela demora no atendimento em postos de saúde de Campo Grande, registradas com ma is frequência nos últimos dias, causamnos preocupação pelas consequências ainda mais desastrosas que podem provocar na rede de saúde pública da Capital. As deficiências no atendimento não são novidades para o Poder Público, para os médicos e muito menos para a população. Mas o pensamento deve estar voltado em como resolver estes problemas de forma sensata e sem partir para a barbárie, como fizeram cerca de 20 pessoas que invadiram a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Vila Almeida na noite da última quintafeira. Certamente, os familiares ou os próprios pacientes que estavam esperando pelo atendimento estavam revoltados – e com razão – com a demora no atendimento. No entanto, perdem toda a racionalidade quando partem para o ataque aos profissionais, que estavam simplesmente cumprindo seu dever. E temos de pensar que as reclamações poderiam partir de dois lados. Caso não fosse pela demora, seria, ao contrário, pela pressa com que o diagnóstico foi feito e acabaríamos esbarrando novamente na insatisfação dos pacientes. A Prefeitura de Campo Grande – com toda razão – precisa ser cobrada, mas também enfrenta obstáculos, diante do crescimento da demanda por atendimento nos postos de saúde. Paralelamente, o número de médicos que atendem nas unidades não acompanha este mesmo ritmo. Hoje, muitos profissionais recusam-se a atender nos postos. As cenas dos últimos dias tornam ainda mais distante este interesse. Um exemplo desta dificuldade é que, mesmo oferecendo aumento de quase 35% para os plantões, a prefeitura não conseguiu fechar as escalas durante o feriado de Natal e Ano-Novo. Atacar as causas do problema da saúde poderia ser uma das soluções para diminuir esta procura e, consequentemente, garantir que mais pessoas possam ter acesso ao atendimento. Por isso, torna-se cada vez mais fundamental o trabalho dos médicos de saúde da família – que não focam apenas no tratamento – mas orientam a população sobre prevenção. A questão é que os médicos não querem mais trabalhar inseguros. No tumulto recentemente registrado, havia apenas uma guarda municipal, que não teve como conter a fúria dos cerca de 20 homens que adentraram ao posto em busca de respostas. A Polícia Militar chegou a ser acionada por duas vezes e também precisa ser cobrada porque não compareceu ao local. Certamente, não podemos ser esperançosos ao ponto de acreditar que o atendimento nos postos deve melhorar por causa da construção de uma nova unidade ou contratação de alguns médicos. O problema está bem além. A certeza que devemos ter é a de que a solução não será alcançada com violência.

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