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Sem R$ 5 para remédio, homem encontra R$ 20 mil e devolve

Sem R$ 5 para remédio, homem encontra R$ 20 mil e devolve

G1

12/10/2012 - 11h02
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Sem R$ 5 para comprar um analgésico para o filho de 9 anos, Carlos Cesar Garcia de Souza, de 50 anos, foi pedir ajuda a um cunhado. Na volta para casa, Carlos encontrou um envelope com R$ 20 mil no chão. Carlos, que é pensionista do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) e recebe mensalmente um salário mínimo, procurou o dono do envelope e o devolveu. O caso aconteceu na terça-feira (9) em Jaru, a 250 quilômetros de Porto Velho.

“De longe eu vi um papel e até achei que era panfleto de candidato. Quando cheguei perto, vi que era um envelope e ao abrir tinha dinheiro e cheques”, lembra.

Carlos foi pedir ajuda ao cunhado Francisco Siríaco para encontrar o dono do dinheiro. “Ele veio logo me procurar e sua maior preocupação era como devolver o dinheiro”, conta Siríaco.

O pensionista ressalta que, apesar das dificuldades, não pensou em ficar com o dinheiro. “Jamais eu ficaria com o que não me pertence. Em momento algum passou pela minha mente tomar posse do dinheiro”, enfatiza.

Através da identificação no envelope, Souza e Siríaco ligaram para o proprietário do dinheiro. “Ligamos, fizemos algumas perguntas para saber se conferia com os dados do envelope e o dinheiro foi devolvido. Fiquei emocionado com a atitude dele [Souza], pois com tanta falcatrua por aí, ele que é uma pessoa simples, com problemas de saúde não pensou duas vezes em devolver o dinheiro”, ressalta Siríaco.

O pensionista diz que o dinheiro ajudaria muito, mas está feliz pelo exemplo que está dando aos filhos e também pela tranquilidade de ter feito a coisa certa. “Eu posso deitar minha cabeça no travesseiro e dormir tranquilo. A minha recompensa vem de Deus e do reconhecimento dos amigos”, conclui.

Carlos conta que há três anos sofreu um acidente de trabalho, teve um problema na coluna e não pôde mais trabalhar. O pensionista, que mora em Jaru há cerca de 30 anos, reside numa casa cedida pelo irmão e sustenta os três filhos com beneficio do INSS, mais o resultado das diárias que a esposa realiza durante a semana.

SUCCESSIONE

Condenado por assalto à mão armada, Razuk é "caçado" pelo Gaeco

Integrantes do Ministério Público teriam ido até a residência da família do ex-deputado, em Dourados, à sua procura

09/07/2026 08h00

Neno Razuk perdeu o mandato de deputado estadual em maio

Neno Razuk perdeu o mandato de deputado estadual em maio Wagner Guimarães/Alems

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Condenado a 15 anos e 7 meses de prisão por chefiar uma organização criminosa voltada a prática do jogo do bicho e que teria praticado assaltos à mão armada, o ex-deputado Roberto Razuk Filho (PL), conhecido como Neno Razuk, que perdeu o mandato e, consequentemente o foro privilegiado, é procurado pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco).

Na manhã de ontem, investigadores e policiais a serviço do Gaeco estiveram na residência do pai do deputado, o também ex-deputado estadual Roberto Razuk, em Dourados. Porém, Neno não foi localizado. 

Seu advogado, Ricardo Pereira, confirmou a visita do Gaeco à residência do pai de Neno. Ele não revelou, porém, se os agentes estavam tentado cumprir um mandado de prisão que teria sido expedido contra o ex-deputado.

O advogado informou que não teve acesso aos autos e não sabia informar se havia sido emitido decreto de prisão contra Neno.

Como o processo está em segredo de justiça, a reportagem não conseguiu confirmar se há realmente um mandado de prisão contra ele, porém, dentre os ditos líderes da suposta organização criminosa, Neno é o único que não havia sido preso, muito por conta de seu foro privilegiado.

Uma reportagem do Correio do Estado já havia relatado que, em maio, quando perdeu o mandato, Neno Razuk chegou a confidenciar para deputados que possivelmente deixaria o País por conta do temor de ser preso, já que estava perdendo a imunidade garantida pelo cargo de deputado.

O ex-deputado perdeu o mandato em decorrência de decisão da Justiça Eleitoral que cassou o diploma de suplência de Raquelle Trutis (PL), fazendo com que os votos dela fossem anulados.

A medida provocou uma recontagem dos votos, o que mexeu com o coeficiente eleitoral, resultando na perda de mandato de Neno e na diplomação de João César Mattogrosso (PSDB).

Parlamentares chegaram a relatar ao Correio do Estado que, desde que ficou sem uma cadeira na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems) o ex-deputado praticamente rompeu contato com os colegas, impossibilitando até a manutenção de sua pré-candidatura à Câmara dos Deputados.

CONDENAÇÃO

Neno foi considerado chefe de uma organização crimonosa voltada ao jogo do bicho em dezembro do ano passado, pela 4ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS). A pena de 15 anos e 7 meses de prisão deverá ser cumprida em regime fechado.

A condenação dele foi proferida com as condenações de mais 11 pessoas que também foram alvo da Operação Successione.

De acordo com investigação do Gaeco, Neno liderava uma organização criminosa que estaria intensificando suas práticas em Campo Grande após as prisões de Jamil Name e Jamil Name Filho, durante a Operação Omertà, deflagrada em 2019 pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) contra milícias armadas.

Conforme consta em documento que decretou as prisões preventivas de 20 pessoas que foram alvo da quarta fase da Operação Successione, deflagrada em novembro de 2025, a família Razuk é “conhecida há décadas pela exploração ilegal do jogo do bicho e com expertise nas negociatas relacionadas ao ilícito”.

O texto dizia ainda que eles “têm praticado crimes de toda ordem, entre os quais assaltos à mão armada e lavagem de dinheiro”.

Esses assaltos, segundo a investigação, aconteciam contra grupos rivais que estavam dominando o jogo do bicho em Campo Grande, após a saída dos Name.

Ainda segundo o Gaeco, a tentativa dos Razuk era de que, além de dominar a contravenção em Dourados, eles também se instalassem em Campo Grande. No entanto o “ponto” teria sido vendido pelos Name para um grupo de São Paulo, com ligações com o Primeiro Comando da Capital (PCC).

Essa condenação é referente apenas a primeira fase da operação, que já teve quatro etapas e levou à prisão o pai de Neno, Roberto Razuk, e seus dois irmãos, Rafael Razuk e Jorge Razuk.

Além de Neno, também foram condenados: Carlito Gonçalves Miranda; Diogo Francisco; Edilson Rodrigues Ferreira; Gilberto Luis dos Santos; José Eduardo Abdulahah; Júlio Cezar Ferreira dos Santos; Manoel José Ribeiro; Mateus Aquino Júnior; Taygor Ivan Moretto Pelissari; Valnir Queiroz Martinelli; e Wilson Souza Goulart.

*SAIBA

A primeira fase da Operação Successione foi deflagrada em dezembro de 2023 e cumpriu 10 mandados de prisão e 13 mandados de busca e apreensão. Nesta fase, até os ex-assessores parlamentares de Neno Razuk foram pegos.

Tragédia

Relatório parcial aponta falhas de pilotos, Voepass e Anac em acidente que matou 62 pessoas

A aeronave despencou 13 mil pés (4.000 metros) em dois minutos no dia 9 de agosto de 2024, caindo em Vinhendo, SP

08/07/2026 22h00

Reprodução/Divulgação

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Um relatório parcial do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) aponta que a queda de um avião da Voepass, em 2024, foi causada por um conjunto de falhas de pilotos, da empresa e da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

A existência do documento sobre as causas do acidente que matou 62 pessoas foi revelada pela Folha de S.Paulo e confirmada pelo Estadão. O relatório final, consolidado, ainda não foi concluído pelo Cenipa, que deve apresentá-lo primeiramente às famílias das vítimas.

O Estadão apurou que a versão final deverá sofrer atualizações em relação à versão parcial enviada a órgãos de países onde estão as fabricantes de componentes do avião que caiu.

Segundo a versão preliminar, a empresa ignorou falhas de segurança e tinha um contexto organizacional deficiente que tolerava desvios e desprezava alertas, como em relação a problemas no sistema de degelo da aeronave que já haviam sido detectados em viagens anteriores.

O documento parcial também diz que houve "distração" dos pilotos durante o voo que partiu de Cascavel, no Paraná, com destino a Guarulhos, em São Paulo, no dia 9 de agosto de 2024. A conduta, marcada por conversas informais durante procedimentos críticos, teria oferecido elevado risco ao voo.

Em relação à Anac, o relatório diz que a agência não foi capaz de tomar decisões que mitigariam os riscos, apesar de fiscalizações terem apontado ausência de padrões técnicos na manutenção das aeronaves da companhia.

Procuradas, a Anac e a Voepass não se manifestaram ao Estadão. Em resposta à Folha, a companhia afirmou que não comentaria os apontamentos e que segue colaborando com as autoridades de forma transparente e diligente. A Anac diz que não teve acesso ao documento e que só vai se posicionar quando houver um relatório final oficialmente enviado à agência.

O relatório do Cenipa não serve para definir as responsabilidades das pessoas envolvidas no voo. Há em paralelo um inquérito da Polícia Federal em fase de conclusão.

A expectativa é de que sejam indiciadas pessoas que não estavam a bordo, mas tinham poder sobre a permanência do avião em atividade. Após o acidente, a Voepass teve o alvará de operador aéreo cassado pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

Como foi o acidente em 2024

No início da tarde de 9 de agosto de 2024, o avião ATR-72-500 da Voepass caiu em Vinhedo, interior de São Paulo, matando 62 pessoas. A aeronave havia decolado de Cascavel, no Paraná. Os quatro tripulantes e seus 58 passageiros morreram após o impacto do avião bimotor contra o quintal de uma casa em um condomínio. Alguns corpos ficaram carbonizados.

A aeronave despencou 13 mil pés (4.000 metros) em dois minutos. Na ocasião do sinistro, o registro de voo do Flight Radar mostrou que o avião estava a 17 mil pés de altitude às 13h20 e a 4.000 pés (1,22 km) às 13h22, quando o sinal de GPS foi perdido pela plataforma. O avião caiu cerca de 20 minutos antes de pousar e atingiu casas do condomínio residencial.

O piloto do avião, Danilo Santos Romano, comentou sobre uma falha no sistema de degelo da aeronave. A informação foi divulgada em relatório preliminar apresentado pelo Cenipa, no dia 6 de setembro daquele ano.

Foram registrados também alertas Cruise Speed Low (baixa velocidade de cruzeiro) e, posteriormente, Degraded Performance (performance degradada) - quando o avião encontra condições que reduzem sua capacidade de voo, já que o acúmulo de gelo prejudica a sustentação da aeronave.

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