Integrantes do Ministério Público teriam ido até a residência da família do ex-deputado, em Dourados, à sua procura
Condenado a 15 anos e 7 meses de prisão por chefiar uma organização criminosa voltada a prática do jogo do bicho e que teria praticado assaltos à mão armada, o ex-deputado Roberto Razuk Filho (PL), conhecido como Neno Razuk, que perdeu o mandato e, consequentemente o foro privilegiado, é procurado pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco).
Na manhã de ontem, investigadores e policiais a serviço do Gaeco estiveram na residência do pai do deputado, o também ex-deputado estadual Roberto Razuk, em Dourados. Porém, Neno não foi localizado.
Seu advogado, Ricardo Pereira, confirmou a visita do Gaeco à residência do pai de Neno. Ele não revelou, porém, se os agentes estavam tentado cumprir um mandado de prisão que teria sido expedido contra o ex-deputado.
O advogado informou que não teve acesso aos autos e não sabia informar se havia sido emitido decreto de prisão contra Neno.
Como o processo está em segredo de justiça, a reportagem não conseguiu confirmar se há realmente um mandado de prisão contra ele, porém, dentre os ditos líderes da suposta organização criminosa, Neno é o único que não havia sido preso, muito por conta de seu foro privilegiado.
Uma reportagem do Correio do Estado já havia relatado que, em maio, quando perdeu o mandato, Neno Razuk chegou a confidenciar para deputados que possivelmente deixaria o País por conta do temor de ser preso, já que estava perdendo a imunidade garantida pelo cargo de deputado.
O ex-deputado perdeu o mandato em decorrência de decisão da Justiça Eleitoral que cassou o diploma de suplência de Raquelle Trutis (PL), fazendo com que os votos dela fossem anulados.
A medida provocou uma recontagem dos votos, o que mexeu com o coeficiente eleitoral, resultando na perda de mandato de Neno e na diplomação de João César Mattogrosso (PSDB).
Parlamentares chegaram a relatar ao Correio do Estado que, desde que ficou sem uma cadeira na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems) o ex-deputado praticamente rompeu contato com os colegas, impossibilitando até a manutenção de sua pré-candidatura à Câmara dos Deputados.
CONDENAÇÃO
Neno foi considerado chefe de uma organização crimonosa voltada ao jogo do bicho em dezembro do ano passado, pela 4ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS). A pena de 15 anos e 7 meses de prisão deverá ser cumprida em regime fechado.
A condenação dele foi proferida com as condenações de mais 11 pessoas que também foram alvo da Operação Successione.
De acordo com investigação do Gaeco, Neno liderava uma organização criminosa que estaria intensificando suas práticas em Campo Grande após as prisões de Jamil Name e Jamil Name Filho, durante a Operação Omertà, deflagrada em 2019 pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) contra milícias armadas.
Conforme consta em documento que decretou as prisões preventivas de 20 pessoas que foram alvo da quarta fase da Operação Successione, deflagrada em novembro de 2025, a família Razuk é “conhecida há décadas pela exploração ilegal do jogo do bicho e com expertise nas negociatas relacionadas ao ilícito”.
O texto dizia ainda que eles “têm praticado crimes de toda ordem, entre os quais assaltos à mão armada e lavagem de dinheiro”.
Esses assaltos, segundo a investigação, aconteciam contra grupos rivais que estavam dominando o jogo do bicho em Campo Grande, após a saída dos Name.
Ainda segundo o Gaeco, a tentativa dos Razuk era de que, além de dominar a contravenção em Dourados, eles também se instalassem em Campo Grande. No entanto o “ponto” teria sido vendido pelos Name para um grupo de São Paulo, com ligações com o Primeiro Comando da Capital (PCC).
Essa condenação é referente apenas a primeira fase da operação, que já teve quatro etapas e levou à prisão o pai de Neno, Roberto Razuk, e seus dois irmãos, Rafael Razuk e Jorge Razuk.
Além de Neno, também foram condenados: Carlito Gonçalves Miranda; Diogo Francisco; Edilson Rodrigues Ferreira; Gilberto Luis dos Santos; José Eduardo Abdulahah; Júlio Cezar Ferreira dos Santos; Manoel José Ribeiro; Mateus Aquino Júnior; Taygor Ivan Moretto Pelissari; Valnir Queiroz Martinelli; e Wilson Souza Goulart.
*SAIBA
A primeira fase da Operação Successione foi deflagrada em dezembro de 2023 e cumpriu 10 mandados de prisão e 13 mandados de busca e apreensão. Nesta fase, até os ex-assessores parlamentares de Neno Razuk foram pegos.