Domingo, 19 de Novembro de 2017

Sem lógica

2 JUL 2010Por 06h:26
Há quase um mês não chove em Campo Grande  e em grande parte das regiões Centro-Oeste e Sudeste do País. E, além das consequências negativas no dia a dia, como os problemas de saúde decorrentes da baixa umidade do ar e das queimadas,  neste ano o bolso da população inteira será afetado, pois por conta do baixo nível dos reservatórios de algumas das principais hidrelétricas, as térmicas movidas a gás natural estão sendo acionadas. O Governo estadual e as prefeituras de Mato Grosso do Sul estão comemorando esta medida, pois está provocando aumento na importação de gás boliviano, o que automaticamente eleva a arrecadação de ICMS sobre o produto e o transporte. Somente com a ativação das duas térmicas instaladas em MS será possível incremento da ordem de R$ 5 milhões mensais, dinheiro extra que entra nos cofres públicos sem nenhum tipo de esforço ou dispêndio das autoridades.
   
Por outro lado, como já deixaram claro as autoridades do setor, esta ativação fará com que o reajuste das tarifas de energia no próximo ano seja maior, pois um custo da ordem de R$ 6 milhões diários terá de ser rateado pela população do País inteiro. É certo que as térmicas foram construídas exatamente com o objetivo de serem utilizadas em momentos emergenciais. E, se os controladores do nível das hidrelétricas estão temendo que por conta da insuficiência de chuvas nas cabeceiras haja algum risco de desabastecimento, leigo nenhum no assunto tem condição de questionar a decisão.
   
O inexplicável, porém, é que em anos anteriores as tarifas já tiveram reajustes por conta da mesma explicação. Mais adiante, porém, as térmicas foram desativadas, ficando assim durante longos e longos meses, e nem por isso a conta de luz ficou mais barata. Então, qualquer leigo pode chegar à conclusão de que há muito está pagando para manter a lucratividade das térmicas, que pertencem a multinacionais ou a grandes grupos empresariais brasileiro. E, se em anos anteriores não houve redução, certamente agora não será diferente. O mesmo acontece quando as tarifas aumentam por conta da variação do dólar, como em 2003, logo após a primeira vitória do presidente Lula. Àquela época houve verdadeiro tarifaço, que nunca mais foi revertido, embora a moeda norte-americana tenha recuado em mais de um terço. Naquela época, o dólar aproximou-se da casa dos três reais, mas logo em seguida recuou para valor inferior a dois e nunca mais passou deste patamar. Por isso, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) deve explicações à sociedade antes de autorizar novos aumentos na já pesada conta de energia elétrica.

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