Quarta, 22 de Novembro de 2017

Sem escrúpulos

5 MAI 2010Por 21h:47

Arcângela Mota, TV Press

 

O olhar maroto e o sorriso maquiavélico de Werner Schunemann antecedem a descrição do invejoso empresário Saulo, seu papel em "Passione", próxima novela das oito da Globo que estreia no dia 16 de maio. Com a testa franzida e os olhos apertados, o simpático gaúcho de 51 anos parece já ter interiorizado algumas das características de seu personagem na trama de Silvio de Abreu. E deixa evidente a grande expectativa em interpretar um dos vilões da história. "Espero que o Saulo seja unanimidade no ódio popular. Quero fazer um personagem que fique na lembrança das pessoas", empolga-se.

Na trama, Saulo é o filho mais velho do casal Bete e Eugênio Gouveia, interpretados por Fernanda Montenegro e Mauro Mendonça. Ambicioso, ele sonha em assumir a presidência da empresa da família, a Metalúrgica Gouveia. No entanto, para decepção dele, depois que o pai morre quem fica à frente dos negócios é a matriarca Bete. A partir de então, Saulo entra em uma grande disputa na tentativa de desmoralizar a mãe e tomar o comando da empresa. "Ele é um garoto mimado de 45 anos de idade. Tudo que quer é o poder", analisa Werner. Casado com Stela, de Maitê Proença, e pai de Danilo, Lorena e Sinval, interpretados respectivamente por Cauã Reymond, Tammy Di Calafiori e Kayky Brito, Saulo também não tem um bom relacionamento dentro de casa. "O grande dilema do personagem é não conseguir se relacionar direito com ninguém. É uma pessoa detestável", sintetiza o ator.

Para compor o personagem, Werner se inspirou em figuras emblemáticas do cinema, como o canibal Hannibal Lecter, vivido por Anthony Hopkins em "O silêncio dos inocentes", e o mafioso Michael Corleone, interpretado por Al Pacino na trilogia "O poderoso chefão". Mas ele reconhece que os teores de maldades são diferentes. "Busquei referência neles, mas sei que o Saulo não tem competência para ser tão mau. Mas quero que ele seja marcante", afirma. O ator admite que sua maior dificuldade tem sido lidar com os desequilíbrios emocionais e a intensa carga emocional do personagem. "A inconstância dele foi meu primeiro pânico quando comecei a trabalhar. É um papel difícil e me custa muito emocionalmente. Saio carregado das gravações", desabafa.

Longe da tevê desde 2008, quando interpretou o também mau-caráter Tomás na novela "Beleza pura", Werner conta que já estava com saudade de voltar a atuar nos folhetins. Mas ressalta que, mesmo assim, não é qualquer personagem que o deixa empolgado. "Gosto de ter espaço para aprofundar. Tenho 50 anos de idade e não quero mais fazer tolices", ressalta o ator, que, após 20 anos de carreira no teatro e no cinema, só fez sua estreia na tevê em 2003, quando interpretou o Bento Gonçalves na minissérie "A casa das sete mulheres", exibida pela Globo.

Após sete anos nesta emissora, e a única em que trabalhou, o ator garante se sentir realizado com os papéis que já interpretou. Mas nem por isso ele encara seu trabalho na tevê com tranquilidade. "Novela é a coisa mais difícil que eu já fiz. Tem um outro funcionamento industrial e é mais complicado fazer bem feito", avalia.

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