Quarta, 22 de Novembro de 2017

Saques aumentam e buscas nos escombros prosseguem

2 MAR 2010Por 06h:49
Os saques i ntensificaram- se na tarde de ontem na cidade chilena de Concepción, devastada por um forte terremoto no fim de semana. Um grupo de pessoas saqueou produtos de um supermercado e ateou fogo na loja. Os alimentos estão cada vez mais escassos na região. A polícia lançou bombas de gás lacrimogêneo contra os saqueadores. O número total de mortos pelo sismo de 8,8 graus na escala Richter subiu para 723 e há 19 desaparecidos. As buscas continuam entre os escombros. Devido à nova onda de saques ontem à tarde, a prefeita da cidade chilena de Concepción, Jaqueline Van Rysselberghe, criticou publicamente a falta de militares nas ruas para impedir a ação de saqueadores. Jaqueline disse que os saqueadores estão rondando bairros residenciais, onde violam caminhões-pipa. A cidade, uma das mais afetadas pelo terremoto do último sábado, enfrenta falta de água, comida e combustível. Toque de recolher Pelo menos uma pessoa morreu e 160 foram detidas por não respeitar o toque de recolher durante a madrugada de ontem, anunciou o subsecretário do Interior, Patricio Rosende. A morte pela violação ao toque de recolher ocorreu em Chiguayante, na peri feria de Concepción. “Houve alguns disparos. A força policial tomou o controle dessa zona, houve uma morte, mas não houve saques contra imóveis comerciais ou residenciais”, afirmou Rosende. O toque de recolher de nove horas teve início às 21h locais (mesmo horário de Brasília) em Concepción, que fica 500 quilômetros ao sul de Santiago, uma das áreas mais afetadas pelo tremor e que no domingo vivenciou muitos saques a grandes lojas e supermercados. Novo toque de recolher começou às 21h de ontem. Danos Funcionários governamentais disseram que 1,5 milhão de casas e edifícios foram destruídos ou danificados seriamente. O terremoto deixou cerca de dois milhões de desabrigados. Noventa por cento do centro histórico da cidade de Curico foi destruído. Diferentemente do Haiti, abalado por um forte terremoto de magnitude 7,0 na escala Richter, em 12 de janeiro, que matou 217 mil pessoas, o Chile é um dos países mais ricos da região e está mais preparado para situações do tipo, desde o violento terremoto ocorrido em 1960. A companhia norte-americana de cálculo de risco EQECAT estimou que o valor total do prejuízo econômico deve ficar entre US$ 15 bilhões e US$ 30 bilhões. Isso equivale a entre 10% e 15% do Produto Interno Bruto (PIB) real do país. Falta de infraestrutura Os chilenos sofrem com a falta de infraestrutura. O ministro da Saúde, Alvaro Erazo, afirmou que pelo menos nove hospitais do país não têm condições de funcionar. Um desses hospitais, o Félix Bulnes, teve que ser evacuado devido à grande quantidade de destroços no local. Cerca de 30 pacientes foram transferidos para clínicas particulares após a destruição de hospitais públicos. A Organização Mundial da Saúde (OMS) vai enviar um especialista em gestão de desastres ao Chile para cooperar com os trabalhos de reconstrução do país. Uma equipe com 80 profissionais de saúde foi colocada em alerta à espera apenas de uma solicitação oficial do governo para seguir até o país. Serão encaminhadas ainda estruturas para a montagem de hospitais de campanha, enviadas por países vizinhos, como Brasil e Argentina. O ministro de Energia chileno, Marcelo Tokman, disse que há problemas na distribuição da energia para as residências e estabelecimentos comerciais em várias regiões. Áreas costeiras A extensão do desastre nas áreas costeiras começou a ficar mais clara após ondas gigantes causarem mortes e muita destruição. A presidente chilena, Michelle Bachelet, admitiu que o Governo errou ao não advertir sobre o risco de tsunami após o terremoto no sábado. As ondas gigantes atingiram cidades e vilas da costa, afogando moradores, levando casas inteiras e causando desespero entre os moradores. Muitos não sabiam da possibilidade da formação das ondas, sendo pegos de surpresa pelo fenômeno. “Foi um erro”, reconheceu o ministro da Defesa, Francisco Vidal. A Marinha “cometeu um erro ao não emitir um alerta de tsunami”.

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