Rankings de bens de candidatos costumam listar apenas os titulares. Em Mato Grosso do Sul, isso deixa de fora o quarto e o nono maiores patrimônios do estado, ambos suplentes de senador, ambos na mesma coligação. Juntos, os doze integrantes das quatro chapas ao Senado registradas até 4 de agosto declararam R$ 94,5 milhões à Justiça Eleitoral, segundo o sistema DivulgaCandContas do Tribunal Superior Eleitoral.
Suplente de senador não faz campanha própria, não tem teto de gastos próprio e raramente aparece na cobertura eleitoral. Mas herda o mandato de oito anos em caso de vacância do titular.
Claudio Mendonça (PP), 1º suplente da chapa de Capitão Contar (PL), declarou R$ 18,22 milhões, o quarto maior patrimônio de MS, atrás apenas de Reinaldo Azambuja, Zé Teixeira e Paulo Corrêa, e acima do que declarou o governador Eduardo Riedel, candidato à reeleição.
A declaração lista duas fazendas em Nioaque, uma avaliada em R$ 6.002.085,42 e outra em R$ 4.948.264,50, ambas declaradas como participação de 50%; 1.139 cabeças de gado, no valor de R$ 3.075.300,00; 70% de uma fazenda em Terenos (R$ 1.404.610,32); e R$ 1,23 milhão em créditos a receber. Ele se declara economista. Sua única candidatura anterior registrada no TSE foi a vice-prefeito de Campo Grande, concorrendo junto de Rose Modesto em 2016, pelo então PR, não eleito.
Na chapa de Azambuja, o 2º suplente Felipe Mattos (União Brasil) declarou R$ 10,46 milhões, dos quais, R$ 6 milhões estão concentrados em um único imóvel urbano; o restante inclui outros cinco imóveis urbanos, 1/7 de um imóvel rural, dois consórcios (R$ 573 mil e R$ 246,8 mil), um seguro de vida de R$ 434,5 mil, uma BMW X4 de R$ 490 mil, uma Dodge Ram de R$ 320 mil e cotas de quatro empresas, entre elas o Hotel Laguna (R$ 200 mil). Advogado, ele não tem registro de candidatura anterior na base do TSE.
Um senador em exercício como suplente de outro
O senador Nelsinho Trad (PSD), eleito em 2018 pelo então PTB e prefeito de Campo Grande em dois mandatos, a partir de 2004 e 2008, está registrado como 1º suplente da chapa de Reinaldo Azambuja. Declarou R$ 3,17 milhões, distribuídos em 22 bens, entre eles uma casa em Campo Grande de R$ 1,08 milhão e lotes na capital.
Trad também disputou o governo do estado em 2014, pelo então PMDB, sem sucesso.
Azambuja e Contar disputam pela mesma coligação, “Fazendo o Futuro Acontecer”, que reúne PL, Federação União Progressista (União Brasil e PP), Republicanos, Federação PSDB/Cidadania, PSD, MDB, Podemos e Avante, o mesmo bloco que registrou, na tarde de 4 de agosto, a chapa do governador Eduardo Riedel (PP) à reeleição, com Barbosinha (Republicanos) como vice.
O 2º suplente da chapa de Capitão Contar, Luciano Barbosa Rodrigues (PP), declarou R$ 4,06 milhões.
Na chapa de Capitão Contar, os dois suplentes juntos declaram treze vezes o patrimônio do titular: R$ 22,28 milhões contra R$ 1,66 milhão.
O que ainda pode mudar
A lista é provisória. O prazo para o requerimento dos registros só se encerra às 19h de 15 de agosto.