Fundador da União Brasileira de Escritores de Mato Grosso do Sul, escritor e poeta dedicou décadas ao incentivo da leitura e ao fortalecimento da literatura sul-mato-grossense
A literatura sul-mato-grossense está de luto com a morte de Guimarães Rocha, escritor, poeta, membro da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras (ASL) e fundador da União Brasileira de Escritores de Mato Grosso do Sul (UBE-MS). Ele morreu na madrugada desta quinta-feira (11), aos 69 anos, em Campo Grande.
Guimarães estava internado havia alguns dias em um hospital particular da Capital e enfrentava uma amiloidose, doença rara caracterizada pelo acúmulo de proteínas anormais em órgãos e tecidos do corpo, comprometendo seu funcionamento.
Reconhecido como uma das vozes mais atuantes da produção literária regional, construiu uma trajetória marcada pela defesa da cultura, pelo incentivo à leitura e pela valorização da poesia como instrumento de transformação social.
Nascido em Quixeramobim, no Ceará, em 3 de julho de 1956, Antônio Alves Guimarães, conhecido nacionalmente pelo pseudônimo literário Guimarães Rocha, construiu grande parte de sua história em Mato Grosso do Sul.
Após viver em diferentes cidades do antigo Mato Grosso, fixou residência em Campo Grande, onde consolidou sua carreira literária e se tornou referência para gerações de escritores e leitores.
Membro da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras desde 2002, ocupava a cadeira número 4 da instituição. Além da atuação acadêmica, destacou-se pela intensa participação em projetos culturais, saraus, encontros literários e iniciativas voltadas à democratização do acesso à literatura.
Ao longo das últimas décadas, esteve presente em escolas, bibliotecas, universidades e eventos culturais, sempre defendendo a importância da leitura e da produção artística. Sua obra transitou entre a poesia, a crônica e a reflexão social, abordando temas como o amor, a existência humana, a fé, o cotidiano e as transformações da sociedade.
Além da literatura, Guimarães Rocha também teve destacada atuação na Polícia Militar de Mato Grosso do Sul, alcançando o posto de tenente-coronel da reserva.
A experiência profissional e o contato com diferentes realidades sociais influenciaram parte de sua produção intelectual, frequentemente marcada por reflexões sobre a condição humana e a vida em comunidade.
Ao longo da carreira, publicou mais de 20 livros. Em 2001, lançou a Coleção Recorde Guimarães Rocha, composta por 15 obras. Também desenvolveu projetos que uniam literatura e música, como o CD Encanto e, mais recentemente, o EP Nosso Amor, lançado em 2021 em parceria com o Trio Malaquias.
O trabalho transformou seis de seus poemas em composições inspiradas nos ritmos do forró e do baião.
Entre suas contribuições mais relevantes para a cultura sul-mato-grossense está o trabalho permanente de incentivo à produção literária regional.
Guimarães participou da fundação de entidades culturais, colaborou com coletâneas, promoveu eventos literários e apoiou projetos voltados à valorização dos autores locais.
Sua atuação extrapolou a publicação de livros e alcançou a construção de espaços de diálogo, formação e difusão cultural, ajudando a fortalecer o cenário literário de Mato Grosso do Sul.
A morte de Guimarães Rocha representa uma perda significativa para a cultura do Estado. Ao longo de décadas, o escritor contribuiu para consolidar a identidade literária sul-mato-grossense, levando sua poesia a diferentes públicos e influenciando novas gerações de autores.
Seu legado permanece vivo por meio de suas obras, dos projetos que ajudou a construir e da inspiração deixada para leitores, escritores e agentes culturais. Guimarães Rocha deixa a esposa, Rosa, e quatro filhos.
O velório terá início às 17h desta quinta-feira (11), no Cemitério Jardim das Palmeiras, localizado na Avenida Tamandaré, 6.934, em Campo Grande. O sepultamento está previsto para as 10h de sexta-feira (12).