Quinta, 23 de Novembro de 2017

Rota do crime

25 MAI 2010Por 07h:30
Na madrugada e manhã de domingo, policiais rodoviários federais interceptaram, respectivamente, duas carretas com cerca de quatro mil pares de tênis de fabricação chinesa procedentes da Bolívia e uma carreta com 4,7 toneladas de maconha, que partira da fronteira paraguaia. A primeira descoberta aconteceu em Terenos  e a outra, em Jaraguari. Nos dois casos, de acordo com as informações oficiais, as apreensões aconteceram durante vistorias de rotina, embora esta informação muitas vezes seja somente para não revelar detalhes sobre a investigação ou a delação. Em todos os casos, os caminhões foram interceptados a cerca de 400 quilômetros das fronteiras com a Bolívia e Paraguai, países de origem das cargas clandestinas.

            As duas retenções aconteceram duas semanas depois da maior apreensão de cocaína já feita no Estado, 725 quilos, em Guia Lopes da Laguna. A cocaína provavelmente entrou no Brasil em ponto diferente ao dos 4,7 mil quilos de maconha e dos tênis. Neste mesmo período, inúmeras outras frações menores de contrabando de drogas foram interceptadas em diferentes pontos do Estado. E, toda essa movimentação das quadrilhas está ocorrendo em meio à Operação Sentinela, que, em tese, reforçou a vigilância na região de fronteira. Se as apreensões fossem fruto desse trabalho especial, dificilmente seus organizadores perderiam a oportunidade de colher os louros destas descobertas.
 Então, se mesmo durante estas atividades especiais o crime organizado age dessa forma, é de se imaginar o que acontece em períodos “normais”. A não ser, é claro, que este reforço seja somente para “inglês ver”. Outra possibilidade é a eterna infiltração da bandidagem nas corporações policiais, pois não é difícil de acreditar que o crime organizado seja desorganizado a tal ponto de colocar na estrada carregamentos que valham algumas dezenas de milhões de dólares sabendo que existe reforço na vigilância.

            Elucubrações à parte, o certo é que as estradas de Mato Grosso do Sul estão cada vez mais na rota do crime organizado. E, diante da informação de que a rede terrorista Al Qaeda está atuando em conjunto com contrabandistas e traficantes de cocaína brasileiros, não será surpresa caso venha a ser descoberto que cocaína que ajuda a bancar o terrorismo internacional está passando por aqui, sob as barbas de todas as autoridades. Na visita ao Paraguai, no começo deste mês, o presidente Lula, com apoio do presidente paraguaio Fernando Lugo, garantiu que seria dada prioridade ao combate de todas as formas de crime na região de fronteira. Está claro que não se poderia esperar resultados imediatos. Porém, se a promessa tiver a mesma eficácia daquela feita na visita de maio de 2009, quando o presidente garantiu que antes de encerrar seu mandato faria a viagem de Miranda a Corumbá com o Trem do Pantanal, pouco há de se esperar no que se refere ao aumento no combate à bandidagem.

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