Domingo, 19 de Novembro de 2017

Rodoviária desativada vira deserto

11 FEV 2010Por SILVIA TADA07h:08
Em dez dias, mais 25 estabelecimentos que funcionavam no prédio ao lado do terminal rodoviário Heitor Laburu, que foi desativado, fecharam as portas. No local, existem 170 lojas e apenas 64 funcionam – taxa de ocupação de 37,6%. Nas poucas que persistem abertas, o clima é de insatisfação e incerteza, além de queda acentuada no número de clientes. A maioria dos estabelecimentos em funcionamento está localizada de frente para as ruas Dom Aquino e Barão do Rio Branco, além do corredor central que passa dentro do prédio e liga as duas vias. Nas demais alas, o que se vê são portas fechadas e funcionários na frente dos comércios à espera de clientes. A principal reclamação dos comerciantes que permanecem no local foi o fechamento do antigo terminal com tapumes. “Nós ficamos escondidos aqui. Quem passa lá fora e vê esses tapumes pensa que está tudo fechado”, alertou José Paulino, de 66 anos, dono da Regimar Confecções. A loja funciona há 31 anos e o movimento caiu consideravelmente. “Estamos ilhados. Vem gente, mas é muito pouco, não dá para pagar o aluguel. Vou aguardar mais um pouco para ver como as coisas serão definidas. Enquanto isso, ficamos um olhando para a cara do outro”, comentou, ao lado de colegas comerciantes. Informações A ca belei rei ra Ma risa Santos, que trabalha no condomínio há 28 anos, viu a equipe do salão reduzir de quatro para duas pessoas. “Ontem (anteontem) fiz um corte de cabelo; na segunda- feira, não tive nenhum cliente. E tenho que pagar aluguel, luz, água, comida... Não tem movimento e vejo, a cada dia, os comerciantes desistirem de permanecer com as lojas abertas”, disse. Ela conta que o dinheiro que consegue receber é insuficiente para pagar o passe de ônibus. “Moro no Taquarussu e venho a pé”. Na maior parte do tempo, fica na porta do salão. “Eu me tornei um banco de informações, porque tem muita gente perdida, que quer informações sobre os ônibus e não tem ninguém para orientar”. Alguns proprietários de lojas já têm planos para sair da antiga rodoviária. “Estou esperando devolver as revistas que estão em consignação, e devo partir para outro ramo”, comentou Wilson Mitsuo, dono da banca de jornais que ficava em frente ao ponto de embarque e desembarque de passageiros. Segundo ele, o movimento caiu “praticamente 100%”. A esposa, Rosângela Yamaura, reclamou, no entanto, da cobrança da Prefeitura de Campo Grande pela publicidade (painel) do comércio. “Recebemos a cobrança de R$ 90,89. O problema é que colocaram este tapume e ninguém que passa na rua consegue enxergar nossa loja. Isso não é justo”, afirmou. A cobrança vence no dia 15 de fevereiro. Esperança Os comerciantes ouvidos pelo Correio do Estado acreditam que, após o dia 20 de fevereiro, a Prefeitura de Campo Grande anunciará algum projeto de revitalização do local. Segundo o síndico Antônio de Oliveira Souza, a situação é de incerteza. “Muitos comerciantes fecharam as portas definitivamente e foram para outros locais. Tem alguns que deram férias coletivas e estão aguardando alguma definição. O impacto social disso tudo é muito grande. O complexo todo era dependente da rodoviária, que funcionava como âncora do condomínio”, ressaltou. “É muito triste você andar e ver tudo fechado”. Não apenas dentro da velha rodoviária a situação é ruim. Na Rua Joaquim Nabuco, algumas portas estão fechadas e os comércios não ficam abertos o dia inteiro. Para o engraxate Francisco de Assis da Penha, de 75 anos, que há dez trabalha no local, os clientes sumiram. “Atendia umas 15, 20 pessoas por dia. Agora, nem cinco. Mas acho que uma hora vai melhorar e por isso vou continuar aqui”. Por par de calçados engraxado ele recebe de R$ 2 a R$ 3.

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