Sábado, 18 de Novembro de 2017

Rio Miranda ameaça ribeirinhos no Passo do Lontra

26 JAN 2010Por SÍLVIO ANDRADE | CORUMBÁ07h:40
As águas do Rio Miranda, que deságua no Rio Paraguai entre o Porto da Manga e o Morrinho, no Pantanal de Corumbá, chegaram com intensidade na região do Passo do Lontra, ameaçando a Estrada-Parque e os ribeirinhos. Reflexo da subida repentina do afluente, que há uma semana transbordou desabrigando dezenas de famílias em Miranda. O transbordamento já isolou parcialmente alguns moradores e a Base de Estudos do Pantanal mantida pela Universidade Federal de MS. Há um mês, o rio apresentava bancos de areia devido à falta de chuvas. A maioria das casas do Lontra – um dos principais destinos de pesca e ecoturismo – são de palafitas, mas as águas estão a meio metro das moradias dos pescadores. “Faz uns dez anos que a gente não via tanta água”, disse Geraldo Soares Pereira, 75. Ele participou da construção da unidade da UFMS, situada na beira do Miranda, e há 26 anos reside no local. “Vai encher mais. A cheia aqui começa em fevereiro”, diz ele, da sacada da varanda, onde as águas chegaram na escada. “A cheia faz bem, até os bichos sentem falta dela”. O volume de água do rio, que chegou a atingir 7,68 metros em Miranda, começa também a se espalhar pelos campos, entre a Estrada-Parque a BR- 262. Nas pontes de madeira sobre os corixos, a vazão é muito forte no sentido norte-sul. Em alguns trechos, entre o Buraco da Piranha (trevo da BR-262) e o Lontra, a água ameaça o leito da Estrada- Parque. Paraguai sobe O dono de pousada Asa, Roy Shimidt, que também reside na região há décadas, acredita que o Miranda vai subir pelo menos mais um metro no Lontra, por conta também do transbordamento do Aquidauana. “O Miranda está subindo uma média de quatro centímetros por dia, isso não ocorria havia muito tempo”, observa. “Vai ser uma cheia semelhante à de 2000.” Principal rio da planície, o Paraguai continua subindo entre dois e três centímetros por dia devido à concentração de chuvas nas cabeceiras. Ontem, a régua de Ladário, cidade vizinha a Corumbá, registrou 2,16 metros, superior, na data, às marcas dos últimos dois anos, período de forte seca. Essa água ainda está chegando à planície de forma lenta.

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