Quinta, 23 de Novembro de 2017

Restrições dos pais aumentam prazo para adoções

5 JUN 2010Por 21h:04

MICHELLE ROSSI

As adoções de crianças no Brasil podem levar apenas seis meses ou até mesmo cinco anos, considerando o prazo de início do processo até o dia em que o menor poderá ser levado para a casa dos pais. Há mais tempo de espera quando as restrições dos futuros pais são maiores. O principal entrave ainda é a exigência de faixa etária dos filhos, conforme foi discutido ontem no Encontro Nacional de Apoio à Adoção 2010 (Enapa), em Campo Grande.   

“As famílias que não são exigentes com a idade das crianças conseguem adotá-las em até seis meses”, afirmou a juíza da Vara da Infância e da Juventude de Campo Grande, Katy Braum. O juiz da Vara da Infância e da Juventude em Itabuna (Bahia), Marcos Bandeira, reiterou que no Brasil atualmente são necessários meses para efetivar uma adoção. “Geralmente os prazos estão girando em torno de seis a oito meses para as adoções. Tudo fica mais rápido quando os pretendentes adotam crianças com mais de seis anos”, disse o juiz, que emendou.

Ele confirma a dificuldade decorrente da faixa etária. “Quando os pretendentes querem adotar recém-nascidos, ou bebês, aí o prazo para que se consiga efetivar a adoção é de anos. Às vezes as pessoas chegam a esperar por cinco anos só para ter um bebê em casa”, apontou. 

Segundo a juíza de Campo Grande, a idade continua sendo empecilho para que a fila de adoção ande mais rápido. “A raça e a cor das crianças não são mais motivos para os pretendentes não optarem pela adoção, somente a idade mesmo. A justificativa é que os pais querem educar as crianças desde os primeiros anos de vida, mas isso é extremamente discutível. Quando você adota uma criança com faixa etária maior já vai poder identificar a personalidade dela, o que facilita na adaptação à família”, ressaltou.

Atualmente em Mato Grosso do Sul existem 117 crianças e adolescentes para adoção, enquanto 443 pessoas estão cadastradas como pretendentes.

Enapa
Este é o 15º ano do Enapa e pela primeira vez o evento é realizado em Mato Grosso do Sul. Participam mais de mil pessoas de vários estados brasileiros, entre juízes, promotores, psicólogos, assistentes sociais e pessoas que adotaram, para discussões  sobre a adoção no Brasil.

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