Quarta, 22 de Novembro de 2017

Renovação

29 JUL 2010Por 23h:11
Renovação de nomes é, normalmente, entendido como evolução e melhora no mundo político. Por isso, não são poucos os jovens e idealistas que por hábito votam em integrantes de partidos novos que, em tese, representam esta mudança, ou depuração. Trata-se do conhecido voto de protesto, aquele que demonstra a insatisfação com aqueles que estão no poder. Na disputa presidencial, normalmente são mais de 10% dos eleitores que votam desta forma. Porém, absolutamente nada garante que os chamados “alternativos” sejam realmente mais confiáveis que as “raposas velhas”.
            Um exemplo concreto disso pode ser visto atualmente no episódio da "lavação de roupa suja" no PSOL, um dos partidos que atualmente representam, para muitos, a renovação. O Tribunal Regional Eleitoral (TRE) constatou que o único candidato ao Senado que se registrou pelo partido não é filiado à sigla. O presidente regional do partido alegou ser problema de ordem burocrática e falta de experiência com os procedimentos legais exigidos pela Justiça Eleitoral. O candidato, porém, rasgou o verbo e disse que está havendo um complô para afastá-lo da disputa e que o presidente da entidade quer assumir seu lugar, já que apareceu com 2% das intenções de voto, estando mais bem cotado que o próprio candidato a governador do partido. E, em meio ao tiroteio, sobrou até mesmo para o candidato ao Governo, que teria sido filiado fora do prazo legal, denúncia que pode custar até mesmo a sua impugnação do registro.
            Quem está falando a verdade não cabe aqui discutir. O fato é que num partido pequeno, no qual supostamente a sujeira seria menor que nos tradicionais e que é visto como personificação do novo, as conspirações e golpes internos não se diferenciam dos conhecidos rachas de partidos tradicionais. E, embora somente as urnas possam dizer quem foi vencedor e perdedor, o partido em questão tem chances reais mínimas de obter grandes vitórias nesta disputa. Então, se mesmo assim chegam ao ponto de falsificar documentos ou de acusar sem fundamentos os colegas de sigla, imagine-se do que seriam capazes caso fossem eleitos e passassem a administrar os recursos públicos. Provavelmente levariam adiante as falcatruas que há muito existem.
            Isto não significa, porém, que o voto deva ser dado aos políticos de profissão. A única saída para evitar que os piores sejam eleitos é estabelecer alguns critérios. Ser ficha limpa é o primeiro deles. Aqueles que gastam muito com cabos eleitorais e publicidade são outros que de forma alguma merecem credibilidade. Os que preferem ficar do lado do mais forte em assuntos polêmicos são outros que devem ser banidos. Aqueles que já tiveram chances reais de defender os interesses da população e não o fizeram também não merecem o voto. Defensores do aumento indiscriminado da carga tributária são outros candidatos a receber cartão vermelho. Ou seja, mesmo que os partidos pequenos e novos estejam longe de ser sinônimos de purificação, é possível, pelo voto, defenestrar os mais sujos. Primeiramente, porém, os próprios eleitores precisam ser mais limpos.

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