Terça, 21 de Novembro de 2017

Relação de responsabilidade

10 MAI 2010Por 05h:40
Thiago Andrade

Animais de companhia costumam trazer muito alegria e diversão para seus donos. Como diz o velho ditado, os cães são os melhores amigos do homem. Mas, para tanto, o homem também precisa ser um bom amigo e entender que ele é o responsável por todos os cuidados com os animais. No Brasil, os dados apontam uma realidade diferente, na qual poucos animais recebem tratamento veterinário especializado. O País tem cerca de 25 milhões de cães, contudo, apenas 17% são levados ao veterinário pelo menos uma vez ao ano, o que significa que mais de 20 milhões de cães passam anos sem receber cuidados.

“Comprar ou adotar um filhote significa iniciar uma relação de responsabilidade. Não se está levando para casa apenas um bicho, mas um animal com necessidades e dependências, que poderão ser supridas apenas por seus donos”, defende Oclydes Barbarini Jr., veterinário e gerente de negócios da Pfizer Saúde Animal.

Ele acredita que uma relação saudável entre o cão e seu dono depende da saúde do pet. “O animal fica em casa, tem contato direto conosco e com nossos familiares. É importante haver um controle veterinário capaz de identificar doenças e problemas que o pet pode trazer para dentro de casa”, aponta.
Alguns cuidados são necessários já na hora de escolher um cão, como pedir testes que identifiquem problemas hereditários e certificar-se de que o cão recebeu, pelo menos, duas doses de vacinas. “Isso é um modo de começar, mas os cuidados devem prosseguir. Quando decidimos ter um cão, temos que ter em mente que essa é uma responsabilidade que dura mais de 15 anos”, argumenta.

De acordo com Oclydes, o fator cultural é o principal determinante para que tão poucos animais sejam levados ao veterinário. “No Brasil, lugar de animal é fora de casa. Deste modo, acredita-se que eles são resistentes a todos os tipos de doenças”, explica. Enquanto no Estados Unidos 30% dos donos consideram os animais como parte da família, no Brasil, esse número é de 10%.

Contudo, um dado alarmante mostra que enquanto apenas 17% dos cães no Brasil visitam veterinários pelo menos uma vez por ano, 23% dormem no quarto com os donos. Ou seja, comenta Oclydes, as pessoas estão levando animais sem tratamento para dividir a casa com os familiares.

Cuidados específicos
Em cada fase da vida do animal, certos cuidados específicos são necessários, seja por parte do dono ou do veterinário. Quando filhotes, os cuidados devem se voltar para a alimentação adequada, vacinação e vermifugação. Estes três fatores são os principais para o crescimento saudável dos filhotes. Oclydes frisa que “nenhum filhote deve sair à rua ou ter contato com outros animais antes de completar a vacinação”.

Entretanto, para receber a vacina, o veterinário deve avaliar se o cão está em condições. Durante essa fase, os vermes intestinais são comuns e devem ser tratados, pois eles podem abrir caminho para outras doenças mais sérias.

Durante a juventude, que vai em média do primeiro ao terceiro ano, deve-se prestar atenção no animal, de forma a se entender seu comportamento e ter pistas para problemas de saúde e comportamento. “Enquanto o veterinário passa uma hora ao ano com o cão, o dono fica o quase o dia inteiro. Ele é quem deve indicar comportamentos estranhos ao veterinário”, alerta Oclydes.

Na fase adulta, dos quatro aos oito anos, infecções respiratórias, de pele e de ouvido são problemas comuns, assim como enjoos e vômitos provocados pela ingestão de alimentos ou locomoção, problemas odontológicos e nos rins. É necessário continuar a vacinação e manter a carteirinha em dia.
A partir dos oito anos, a maioria dos cães encontra-se na sua terceira idade. Assim como os humanos, os problemas se agravam nesse período.  Eles costumam perder agilidade e ficam quietos por longos períodos. Há um aumento de casos de osteoartrites, causadoras de dores e incômodos, e o surgimento de doenças crônicas. O acompanhamento médico nesse período é imprescindível.

Leia Também