Segunda, 20 de Novembro de 2017

Refrigerante, só na dose certa

24 ABR 2010Por 06h:10
Thiago Andrade

Tomar refrigerantes é um hábito que se tornou comum entre os brasileiros, principalmente entre os mais jovens. Embora pareça inofensivo, o consumo das bebidas gaseificadas traz prejuízos à saúde em razão da grande concentração de açúcar, principal responsável por casos de obesidade no mundo. As substâncias ácidas contidas nas bebidas também podem causar desmineralização óssea, que com o decorrer do tempo provocam osteopenia e osteoporose, além do enfraquecimento do esmalte dos dentes, propiciando o aparecimento de cáries.

Segundo dados de uma pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde, 42% da população com idade entre 18 e 24 anos consomem refrigerantes quase diariamente. Entre crianças e adolescentes, o refrigerante já faz parte da dieta e muitos reclamam quando ele falta. De oito entrevistados com idades entre 12 e 15 anos, sete afirmaram tomar refrigerante diariamente, várias vezes ao dia.

Para Leonardo Prado, de 14 anos, o consumo é rotineiro. “Bebo em casa, bebo em todo lugar”, afirma. Sobre os malefícios provocados pelas bebidas, ele brinca: “Sei que desentope pia”. Mas também reconhece que as bebidas podem causar problemas ósseos.

Para outro jovem de 15 anos, que pediu para não ser identificado, o grande problema no consumo dos refrigerantes é que é muito difícil fugir dele. “Em casa sempre tem, no colégio também. Não importa aonde a gente vá, tem refrigerante em todos os lugares”, aponta. Ele admite abusar nas doses, mas desconhece os problemas causados pelo consumo exagerado de açúcares industrializados.

Excesso
Evidentemente, os refrigerantes não são os únicos produtos que contêm açúcar em excesso. Contudo, uma lata de 350 mililitros contém cerca de 10 colheres de açúcar, o que equivale a 150 calorias. Se consumidas diariamente, ao final de um ano, elas significam um aumento de 6,75 quilos no peso. Nos Estados Unidos e em alguns países europeus, o açúcar refinado tem sido combatido com a mesma força que se luta contra o cigarro, banindo-se as propagandas televisivas e proibindo-se a venda em escolas e locais próximos a elas.

“O problema não é beber refrigerante ou consumir açúcar, mas a maneira como se ingere essas substâncias está errada”, defende o nutrólogo Sandro Trindade Benites, um dos responsáveis pelo Tratamento de Obesidade Infantil (TOI), do Hospital Regional. Segundo ele, as crianças e adolescentes brasileiras estão sendo intoxicadas de forma crônica por meio dos refrigerantes.

Sandro esclarece que o açúcar em excesso pode causar dependência química, física e psicológica. “Ninguém toma refrigerante forçado, ele é gostoso e por isso não o retiramos da dieta. Depois de algum tempo, nosso corpo passa a sentir falta. Ele é mais viciante que o álcool e a morfina”, critica. Para o nutrólogo, os problemas causados pelo refrigerante não aparecem durante a adolescência, surgindo apenas na idade adulta.
Boa alimentação

“Não é à toa que os casos de obesidade no mundo inteiro estão disparando. Há algum tempo, acreditava-se que o grande vilão eram as gorduras saturadas, mas estudos comprovam que 80% do que ingerimos além do necessário provêm de açúcares”, detalha Sandro.
Por meio do consumo de frutas, legumes, mel, sucos naturais e leite, é possível suprir toda a necessidade que o corpo humano tem pela substância. O que é consumido além disso, em bolos, chocolates, doces e, principalmente, refrigerantes, é completamente desnecessário.

“A alimentação dos brasileiros está muito errada e isso é algo que vem desde a infância. Se nossos filhos comessem como comiam nossos pais, a situação estaria melhor”, acredita o nutrólogo. Para ele, um dos elementos capitais no combate ao abuso de açúcar é a eliminação do refrigerante no cotidiano. “Ninguém precisa passar o resto da vida sem refrigerante, mas seria interessante se as pessoas parassem de levá-lo para suas casas”.
Refrigerantes em excesso também podem desencadear outros problemas, caso haja predisposição genética. Gastrite, refluxo gastroesofágico e diabetes são algumas doenças que podem se desenvolver ou se agravar com o consumo abusivo desses produtos.

Segundo o médico, estudos apontam que o consumo diário de uma lata da bebida leva ao aumento de 44% nas chances de se desenvolver uma síndrome metabólica na idade adulta, ou seja, obesidade acompanhada de outras doenças. Com um copo diário, o risco de obesidade cresce 60%. “Refrigerante não mata a sede, só o tomamos porque é gostoso e não há nenhum ganho alimentar. Para uma alimentação e uma vida saudável, é necessário diminuir seu consumo desde a infância”, pontua.

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