Quinta, 23 de Novembro de 2017

Recordistas

8 JUL 2010Por 08h:05
Quando da pri-vatização do serviço de tele-fonia no Brasil, o principal argumento de defesa era a provável ampliação da oferta, principalmente da telefonia móvel, que ainda estava começando no País à época. Por conta disso, atualmente três em cada quatro brasileiros têm celular. Desses, a grande maioria é de pré-pagos. Ninguém sabe se a realidade seria parecida caso não tivesse ocorrido esta concessão, que acompanhou inúmeras outras. Mas, o que é certo é que as tarifas cresceram na mesma proporção da disponibilização de “linhas".

    E, conforme reportagem publicada ontem no Correio do Estado, as tarifas dos pré-pagos móveis brasileiras são as mais altas da América Latina e do Caribe. Tomando-se por base uma determinada cesta de serviços, que inclui uma ligação e uma mensagem de texto diária, os brasileiros gastam, em média, US$ 45 por mês. Entre os 20 países pesquisados, Honduras ficou em segundo, com US$ 25,69 por serviços idênticos. Na Jamaica, onde foi encontrado o menor custo, é possível fazer as mesmas ligações por US$ 2,2. Quer dizer, os brasileiros pagam 75% mais que o segundo colocado e quase 2.000% acima daquilo que desembolsam os jamaicanos.

    A mesma pesquisa também revelou que as tarifas daqui são mais altas, e muito mais, que as de países asiáticos em desenvolvimento e que as de países do primeiro mundo, como Portugal, Estados Unidos, Bélgica, Suíça, Espanha e Reino Unido, por exemplo. Ou seja, é bem provável que estejamos pagando uma das tarifas mais altas do planeta.
    É certo que boa parcela da responsabilidade disso cabe aos governantes, que cobram impostos incomparavelmente mais altos que a grande maioria das nações. Por outro lado, é inegável que com tarifas deste tamanho, embolsadas principalmente por multinacionais, até mesmo a ineficiente e burocratizada administração pública teria conseguido disseminar a telefonia pelos quatro cantos do País.

    As tarifas de energia dos brasileiros, outro serviço privatizado à mesma época, também estão, comprovadamente, entre as mais altas do mundo. Tanto estas quanto as de telefonia são fixadas por agências reguladoras. Então, não se trata de crucificar a privatização, um fenômeno que fez parte da economia mundial do período, mas de questionar a eficiência destas agências reguladoras, que permitiram que a situação chegasse a este ponto.
    Para um sem-número de atividades, o telefone móvel é hoje uma ferramenta imprescindível, ou um gênero de primeira necessidade. Sobre a energia nem é necessário falar. E, a não ser que alguém queira falir ou jamais “sair do chão”, absolutamente todos os custos acabam sendo embutidos no preço final do produto ou do serviço. Ou seja, se serviços essenciais estão entre os mais caros, efeito cascata acaba afetando toda a economia nacional. Isto ajuda a explicar, por exemplo, porque uma infinidade de produtos é tão mais barata em lojas paraguaias, cada vez mais procuradas pelos sul-mato-grossenses.   

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