Sábado, 18 de Novembro de 2017

POLÊMICA

Receita vê indício de venda de dados fiscais sigilosos

28 AGO 2010Por 04h:33
Brasília

O corregedor-geral da Receita Federal, Antonio Carlos D’Ávila, revelou ontem a identificação de um esquema criminoso de compra e venda de dados sigilosos e descartou interesse político-partidário na comercialização das informações. Na próxima terça-feira (31), ele será ouvido pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, às 10 horas, em mais um capítulo da investigação sobre a quebra de sigilo do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge. A audiência pública será realizada em meio ao esforço concentrado de votações convocado para terça e quarta-feira (1º).
A revelação de que mais três tucanos ligados ao alto comando do partido - Luiz Carlos Mendonça de Barros, Ricardo Sérgio de Oliveira e Gregório Preciado - também tiveram os dados fiscais violados por funcionários da delegacia da Receita Federal em Mauá, no ABC paulista, acrescentou ingredientes explosivos ao episódio, que a oposição imediatamente associou à corrida presidencial.
Na próxima semana, a Corregedoria vai encaminhar ao Ministério Público representações contra duas servidoras suspeitas de participar do esquema, Adeildda Ferreira Leão e Antônia Aparecida Rodrigues, ambas lotadas na delegacia fiscal de Mauá.

Uso político
O candidato do PSDB à Presidência, José Serra, voltou a acusar sua adversária e líder das pesquisas, Dilma Rousseff (PT), de determinar a violação dos sigilos para confeccionar dossiês contra os tucanos que serviriam de munição contra ele na campanha eleitoral. Em resposta, o presidente do PT, José Eduardo Dutra, anunciou que o partido vai mover ações penais por calúnia e injúria contra o tucano e acusou a oposição de criar “factoides e armações” para tumultuar a campanha.
É nesse cenário explosivo que o corregedor da Receita será questionado pelos senadores, principalmente da oposição, quanto à necessidade de rápida apuração do crime. O pedido para ouvi-lo partiu do vice-líder do PSDB no Senado, Álvaro Dias (PR). Anteontem representantes do PSDB, DEM e PPS encaminharam à Procuradoria Geral da República um pedido para que o órgão intervenha na sindicância da Receita, a fim de acelerar a investigação.
O Grupo Estado revelou, ainda, que o mesmo computador que violou o sigilo dos tucanos acessou os dados das declarações de Imposto de Renda da apresentadora da Rede Globo Ana Maria Braga e de integrantes da família Klein, das Casas Bahia.

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