Sexta, 17 de Novembro de 2017

Rastreabilidade do gado de MS será auditada em março

22 JAN 2010Por ADRIANA MOLINA08h:13
Mato Grosso do Sul será um dos nove estados brasileiros que passarão por auditoria da União Européia (UE) entre os dias 12 e 15 de março. O objetivo é verificar frigoríficos e propriedades da Lista Traces – aptos a exportar carne bovina à UE. Sete equipes percorrerão, além do Estado, o Mato Grosso, Goiás, Espírito Santo, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Os técnicos da UE realizarão um levantamento completo da documentação das fazendas e plantas de abate, além, é claro, de verificar se todas as normas do Serviço de Rastreabilidade da Cadeia Produtiva de Bovinos e Bubalinos (Sisbov) estão sendo cumpridas. Segundo Orasil Romeu Bandini, responsável pelo serviço de rastreabilidade em Mato Grosso do Sul, hoje o Estado possui 157 propriedades que cumprem as rigorosas exigências de certificação e estão na Lista Traces. “Nem todas propriedades serão auditadas, os técnicos europeus escolhem algumas para avaliação, assim como os frigoríficos”, explica. Caso alguma irregularidade seja constatada, a fazenda corre o risco de ser excluída imediatamente da lista de exportadores do mercado que melhor remunera pela carne bovina. O mesmo critério é adotado para os abatedouros. Bandini acredita que esta será uma auditoria tranquila e promissora, já que, da última vez que técnicos da UE estiveram no Brasil, em fevereiro de 2009, eles se surpreenderam com o trabalho dos criadores. “Pela primeira vez, fomos elogiados pelo desempenho do Sisbov e eles disseram que deveríamos continuar com o modelo implantado”, lembrou. Sisbov Terminou na última terçafeira (19) a consulta pública sobre as regras do novo Sisbov, que traz novidades em relação a certificação de empresas, agentes e fornecedores e também identificação dos animais. Um número de 40 sugestões chegou a ser divulgado, mas, segundo Bandini, a informação não procede. “Só certificadoras existem mais de 50 que, com certeza, enviaram suas sugestões. Ainda há produtores, sindicatos, federações, associações. Com certeza esse número será bem maior”, avalia. A UE também ficou de enviar observações em relação ao novo modelo. A quantidade exata deve ser divulgada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) nos próximos dias. O pecuarista João Borges dos Santos Junior foi um dos primeiros a implantar o atual modelo do Sisbov em sua propriedade. Ocupa a primeira posição na lista do Mapa e a quarta na Lista Traces (de exportadores à UE). Sua propriedade já passou por duas auditorias e ele avalia o novo Sisbov como um sistema de alto custo. Acredita que mudar novamente as regras pode implicar em mais despesas. “Ficar mudando as regras toda hora é complicado. Se houvesse melhor remuneração por isso tudo bem, mas hoje não recebemos nada a mais pela arroba”, diz. Segundo Junior, logo que o serviço foi implantado, os produtores chegaram a receber 12% a mais pela arroba no frigorífico. Hoje o valor é o mesmo pago a um não rastreado e os custos de produção de um animal certificado são bem maiores. “Precisamos de um acréscimo de, pelo menos, 5% a 10% pra compensar a despesa com o Sisbov”, explica. O criador já pensa em parar com o sistema. Ele, que já realizava quase todos os controles exigidos por conta do tipo de gestão implantado em sua propriedade, acredita que não faz sentido ter um alto custo por algo burocrático que não acrescenta nada ao preço do gado.

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