Segunda, 20 de Novembro de 2017

Quando tudo está pronto

23 ABR 2010Por 07h:11
 “Quando tudo está pronto, fica fácil”. Palavras do presidente que se diz o benfeitor único do Brasil. Até gostaria que o fosse. Como seria bom para todos nós se isto realmente traduzisse em verdade para a população. Onde está tudo pronto? Vamos caminhar por alguns setores importantes da economia do País para ver e saber a “quantas” andam as ações do governo para essa afirmativa “Quando tudo está pronto, fica fácil”. Antecipo o eleitor que vou me ater exclusivamente nas informações da mídia. Para o presidente esta não é confiável porque só gosta de “desgraça” e não anuncia nada do que presta, como por exemplo, inaugurações de casas que chovem dentro da sala, paredes rachadas com menos de 60 dias da entrega e por aí vai.

 O primeiro ponto a ser mencionado é o do setor energético. Em novembro de 2009, eu estava em São Paulo quando de repente tudo virou um breu. Foi o maior apagão dos últimos tempos, “como nunca na história deste País”. Mais de 70 milhões de brasileiros foram afetados e prejuízos enormes se espalharam pelo Brasil todo. A multa aplicada a Furnas pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) no valor de 54 milhões de Reais é troco ante as perdas por ela provocadas. Para mim, foi mais uma satisfação à população que uma penalidade. Ainda mais quando ficou claro e evidente o desmazelo no trato da coisa pública.

A desculpa do incompetente e irresponsável ministro Lobão de que raios provocaram tudo foi desmentida por meio de relatório da própria agência do governo, Aneel, o qual esclarece que foi a falta de manutenção, arcaico sistema de proteção, necessidade de troca das unidades terminais remotas do sistema de supervisão e falta de treinamento de pessoal da operadora Furnas que provocaram o fantástico apagão. Quer porque quer construir a usina de Belo Monte. Loucuras estão e ainda serão feitas por Belo Monte em razão dos votos para Dilminha, ex-chefe da meiga Erenice Guerra.

Exemplo parecido com Belo Monte, foram as rodovias licitadas Fernão Dias e Régis Bitencourt, esta conhecida como rodovia da morte. Continua matando até hoje e sem nenhum responsável por tudo que lá acontece em razão da má conservação e administração da OHL. Esta empresa espanhola ganhou, pelo menor preço, a concessão e o direito de explorar o pedágio nessas rodovias, dentro do Programa de Concessões de Rodovias Federais do governo brasileiro. Foi um alarde sem tamanho do presidente ao anunciar a vencedora do processo licitatório. Deixou o Brasil acreditando que com um ganho de apenas R$ 8,00 por veículo para todo o trecho, teríamos maravilhosas rodovias. Na verdade, o intuito e a obstinação do presidente era atingir o governo de São Paulo que tem suas rodovias com altos pedágios, mas as melhores do País. O resultado está aí: buracos por toda a extensão das duas rodovias da OHL de pedágios baratos. E mais, grande parte com aterros cedendo e escorados com toras  de madeira e prontos para desabar.

 Na área internacional, a bonança mundial de até pouco tempo, permitiu um avanço sem precedente na economia do Brasil e dos emergentes. Ocorre que alguns emergentes, avançaram muito mais que nós, brasileiros. O caso chinês é um exemplo. Dos BRIC (Brasil, Rússia, India, China), que tem um volume de exportação de 1 trilhão e oitocentos bilhões de dólares, US$ 1,2 trilhão é da China. Para se ter uma ideia, representa quase 10% do bolo comercial exportador mundial, o Brasil menos de 1%. A comparação se torna mais aguda quando avaliamos que o Brasil há dez anos exportava 20% do que a China exportava. Hoje exporta menos de 10% do que os chineses exportam. Caímos de 22ª para 24ª posição de exportador no ranking da OMC (Organização Mundial do Comércio).

Existem mil coisas para serem faladas ainda, tipo coisas ilusionistas como pré-sal, a metas de Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP) fracassada, das Parcerias Público Privadas (PPPs) que fracassaram por falta de projetos, do Programa Fome Zero, dos Pólos Petroquímicos e tantas outras como os delirantes Programas de Aceleração do Crescimento – PAC 1 e 2.  Realmente presidente, fica fácil falar, mas não é o caso, quando tudo está pronto.

Raphael Curvo - Jornalista, Advogado pela PUC-RIO e pós-graduado pela Cândido Mendes-RJ.

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