Quinta, 23 de Novembro de 2017

Puccinelli e Orcírio trocam acusações no TRE

6 JUL 2010Por 07h:37
lidiane kober

O governador André Puccinelli (PMDB) e o ex-governador José Orcírio dos Santos (PT) transformaram, ontem, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) – durante ato de registro de suas respectivas candidaturas à sucessão estadual – em palanque eleitoral, com troca de acusações. O peemedebista disse que seu adversário só arregimentou, de última hora, o apoio do PSC e do PSDC porque comprou os respectivos partidos. Inicialmente, o petista tentou evitar o confronto, porém, acabou devolvendo o ataque, questionando a adesão do PTB e do PSB ao arco de aliança do PMDB.
Para evitar encontro com seu adversário, Orcírio chegou às 18h ao TRE — duas horas depois do horário previsto por sua assessoria de imprensa. Uma hora antes, Puccinelli registrou sua candidatura e conversou com os jornalistas. Na ocasião, ele defendeu uma campanha sem “xingamentos e arruaças”. “Eu nunca ofendi ninguém em termos pessoais. Os concorrentes são adversários e não inimigos”, ressaltou.
No entanto, minutos depois, ao ser indagado sobre os reflexos de, na reta final, perder o apoio de dois partidos, o governador acusou o adversário de usar meios ilícitos para arregimentar o PSC e o PSDC. “Ele (Orcírio) comprou dois partidos”, declarou.
Inicialmente, Orcírio tentou fugir das provocações. “Eu não comento tamanha irresponsabilidade”, disse. “Ele (André) tem que provar”, completou. No entanto, em seguida, o petista devolveu o ataque, colocando em xeque acordos firmados pelo PMDB. “E o PTB, o PSB, foram para lá como, acreditando nas propostas?, questionou.
No período pré-eleitoral, em reunião com os petebistas, Puccinelli informou, sem dar detalhes, oferecer “milão, milão, milão” para os candidatos do partido em troca do apoio do PTB. “Foi um exemplo elencado de como funcionou na primeira campanha à Prefeitura de Campo Grande, quando oferecemos R$ 1 mil, R$ 1 mil, R$ 1 mil aos vereadores”, explicou Puccinelli.
Também provocou troca de acusações entre os candidatos o fechamento do Restaurante Popular, criado na gestão de Orcírio. Puccinelli negou responsabilidade pelo fim do serviço social, que atendia 300 pessoas por dia. “Era da Coca-cola, não era meu. Vá para a Coca-cola pedir (informações) porque fecharam”, declarou o peemedebista. “Eu não vou ficar batendo boca com o André. Tem que perguntar para a Coca-cola”, retrucou o petista.

Campanha
Orcírio abre hoje sua campanha com abraço simbólico justamente no antigo Restaurante Popular no Bairro Dom Antônio Barbosa. Enquanto isso, seus adversários André Puccinelli e Ney Braga (PSOL) prometem não ir às ruas em busca de votos, no primeiro dia de campanha.
O governador pretende conquistar votos no seu horário de trabalho. “Nada impede de eu fazer campanha a todo momento. Ao estar trabalhando, já estou fazendo campanha”, afirmou. Para ele, não há irregularidade ao aproveitar-se do seu cargo para conquistar votos. “Eu estou utilizando da figura do candidato para dizer o que eu já fiz e vamos comparar”, alegou.
Orcírio preferiu não comentar a estratégia do seu rival. “Tem que perguntar (sobre a legalidade) para a Justiça Eleitoral, pois não sou fiscal de campanha. Quero fazer a minha campanha, com debate e apresentar minhas propostas”, frisou.

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