Domingo, 19 de Novembro de 2017

PTB deve fechar aliança nacional com PSDB

28 FEV 2010Por 05h:27
O PTB deve fechar aliança nacional com o PSDB para apoiar a candidatura do governador de São Paulo, José Serra. O presidente nacional do partido, Roberto Jefferson, já conversou com o candidato tucano sobre a parceria no primeiro turno, ampliando a coligação dos partidos de oposição, hoje composta apenas pelo DEM e pelo PPS, além do PSDB. O acordo ainda não está sacramentado, mas Jefferson antecipou ao jornal “O Estado de S. Paulo” que esse é seu desejo e também a tendência natural da base petebista. “Meu coração tende pelo PSDB e o sentimento da base partidária é ficar com os tucanos, seja Serra ou Aécio o candidato”, revelou o presidente do PTB. Com a adesão, o PT da pré-candidata Dilma Rousseff perderá 42 segundos no programa eleitoral gratuito no rádio e na televisão. A revelação de Jefferson deixa claro que, embora faltem seis meses do início da propaganda eleitoral, vão de vento em popa as articulações do PT e do PSDB para ampliar o tempo de seus candidatos na campanha eletrônica. Os petistas saíram na frente e já contabilizam como garantidos 8 minutos e 21 segundos em cada um dos dois blocos diários de 25 minutos, somando o tempo de PT, PMDB, PC do B e PDT. Resta aos tucanos correr para empatar o jogo. Juntos, PSDB, DEM e PPS somam 6 minutos e 48 segundos. Para não perder terreno no palanque eletrônico, os aliados de Serra querem fechar aliança também com o PSC, além do PTB, ambos cobiçados pelos petistas. Se a oposição for bem-sucedida, totalizará um minuto a mais em cada bloco de propaganda que irá ao ar às 7h30min e às 12h30min, em cadeia de rád io, e às 13h30min e às 20h30min, em rede nacional de televisão. “Eu estou costurando a aliança nacional com Serra para ter o mínimo de atrito no partido e não criar nenhum cisma”, contou Jefferson, lembrando que tem conversado intensamente para evitar problemas com líderes de peso como o senador Fernando Collor (AL), que está fechado com Lula e Dilma na disputa presidencial. Se tiver sucesso como espera, será o segundo abalo patrocinado por Jefferson no projeto de poder de Lula, depois da denúncia do mensalão do PT, que lhe custou a cassação do mandato de deputado em setembro de 2005 e a perda dos direitos políticos até 2014. O certo é que, assim como há cinco anos, Jefferson não conseguirá levar por inteiro, para a oposição, o partido que ainda hoje integra a base do Planalto. Mas o estrago será suficiente para equilibrar o jogo no palanque eletrônico e na briga para vencer a corrida presidencial Brasil afora. Ele está certo de que o PTB dos quatro maiores colégios eleitorais do País – SP, MG, RJ e BA – fechará com o candidato do PSDB, que também terá o apoio do partido em estados de menor peso como Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. “Como a coligação nacional não obriga as regionais a seguirem o mesmo caminho, posso construir aliança com cautela e não interferir nas questões locais”, explica Jefferson, ao observar que Lula é forte no Norte e no Nordeste, mas, “da Bahia para baixo, é tudo PSDB”. No DF, onde a crise acabou fortalecendo a candidatura do senador Gim Argel lo a governador, ele acredita que o palanque do PTB ficará para Dilma. Presidentes O ganho de incorporar mais uma legenda à coligação nacional vai muito além do minuto a mais que o PTB e o PSC poderão somar ao programa de Serra. A conta total também interfere na divisão do tempo que cabe exclusivamente ao candidato a presidente de cada coligação. Em um cenário com as candidaturas de Serra, Dilma, Marina Silva (PV e PSOL) e Ciro Gomes pelo PSB, o candidato tucano em aliança com o DEM e o PPS teria um minuto e meio. É pouco, frente aos 2min48 segundos da petista em uma coligação amplíssima de 14 partidos – PT, PMDB, PDT, PC do B, PR, PTB, PP, PMN, PTC, PHS, PAN, PRB e PT do B – que o Planalto espera reunir em torno de sua candidata. Nesse caso, Dilma teria quase o dobro do tempo de Serra – 1 minuto e 17 segundos a mais – para se comunicar diretamente com os ouvintes e telespectadores de todas as emissoras Brasil afora. A situação só melhora para os tucanos na simulação em que o PSDB tira o PTB da petista e ainda acrescenta o PSC a sua coligação. Serra passa a ter quase dois minutos para dar seu recado ao eleitorado, e Dilma segue confortável, com 2 minutos e 56 segundos.

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