Quinta, 23 de Novembro de 2017

PSDB perde força com os ataques do PMDB

17 FEV 2010Por 07h:36
O PSDB de Mato Grosso do Sul ficou vulnerável com os ataques dos deputados estaduais do PMDB à senadora Marisa Serrano (PSDB) e o partido perdeu força com o avanço da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT), nas pesquisas eleitorais sobre a sucessão presidencial. A estratégia do PMDB é enfraquecer a senadora para deixá-la isolada no partido. Líderes do PMDB articulam com o atual presidente regional do PSDB, deputado estadual Reinaldo Azambuja, para assumir o controle do partido. Nas conversas com deputados peemedebistas, o governador André Puccinelli revelou achar Marisa complicada para negociar política. Para ele, o tucano certo para acertar acordo político seria Azambuja, hoje o seu maior aliado dentro do PSDB. As críticas do presidente da Assembleia Legislativa, deputado Jerson Domingos (PMDB), à postura desafiadora de Marisa foram interpretadas por alguns líderes políticos como parte da estratégia de enfraquecê-la. O alvo dos ataques no PSDB foi apenas a senadora. Jerson fez questão de excluir os deputados do seu bombardeio. “Eles são nossos companheiros”, comentou. Os seus ataques deixaram sequelas políticas. Marisa não gostou da declaração de Jerson de que vem “plantando dificuldade para vender facilidade”. A senadora considerou essas críticas como ofensa pessoal. Os sinais dados pelo governador são de que não precisa da senadora, porque conta com apoio dos deputados estaduais Ary Rigo, Onevan de Matos e Professor Rinaldo, além de Azambuja. Todos eles evitam atacar André. O único que criticava diretamente o governador era justamente Azambuja. Ele até parou de ameaçá-lo com candidatura do PSDB à sucessão estadual, mesmo se Puccinelli continuar protelando a definição por aliança. Agora, ele faz parte do jogo do governador. Com a união dos parlamentares, Marisa ficou sozinha no PSDB. Hoje o seu maior defensor não é tucano. É o presidente regional do PPS, Athayde Nery, encarregado de rebater todas as críticas de líderes do PMDB. A direção do PSDB publicou nota de apoio a senadora. Passados 20 dias de ela enfrentar a onda de ataques, os deputados a defenderam publicamente na tribuna da Assembleia Legislativa. O menos fervoroso nesta defesa foi justamente Azambuja. Sem comentários Marisa evita falar sobre as críticas que recebeu de André e Jerson. “Não quero comentar nada sobre esta questão”, esquivou-se, recentemente, a senadora. Mas desabafou com o prefeito de Campo Grande, Nelsinho Trad (PMDB), dias atrás, sobre o bombardeio que sofreu dos grandes líderes peemedebistas. Marisa começa a sentir hoje a falta de respaldo do PSDB regional para concorrer ao governo do Estado. Ela conta, no entanto, com apoio da direção nacional para enfrentar André. Mas não é tudo, porque a base do partido está comprometida com a reeleição de André Puccinelli. Como f ie l escude i ro, Athayde Nery continua batendo no PMDB. “A Marisa não precisa pedir penico a ninguém, usando um jargão pantaneiro. Ela não precisa pedir bênção nem se ajoelhar para ninguém, porque tem um projeto nacional que lhe dá consistência”, afirmou o dirigente do PPS. Esfriando os ânimos Apesar da troca de farpas e passada a ressaca do carnaval, a cúpula do PSDB deve afinar o discurso para tentar acalmar os ânimos e analisar os reflexos do crescimento de Dilma. Isto porque os tucanos correm o risco de ficar sem o governador de São Paulo, José Serra, na sucessão presidencial. Os líderes do PMDB também prometem economizar nas críticas. Tudo isso porque ainda acreditam que vão figurar no mesmo palanque nas eleições de outubro.

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