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Projeto de lei acende debate sobre direito animal

Projeto de lei acende debate sobre direito animal

FOLHA.COM

08/11/2011 - 21h00
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Um projeto de lei apresentado na Assembleia Legislativa de São Paulo quer proibir o uso e o sacrifício de animais em cultos religiosos no Estado.

Mesmo longe de ser votado, o projeto mobilizou religiosos e protecionistas. O debate contrapõe tradição cultural e direito animal e mostra furos na atual legislação.

Para o deputado Feliciano Filho (PV), o autor, ele não propõe nada além do que a lei prevê. "Só fixei multa para quem praticar o sacrifício, que já é proibido."

Ele se refere à Constituição e à Lei de Crimes Ambientais. Uma garante que os animais não sofram crueldade. Na outra, maus-tratos é crime. "Matar sem anestesiar é maus-tratos", argumenta.

Mas a Carta também garante liberdade de culto. O que viria primeiro?

"É um conflito. A legislação encampa valores da liberdade religiosa e do ambiente. Os dois lados podem ter razão", diz Daniel Lourenço, especialista em direito animal.

No Sul, uma lei de 2003 permite sacrifício de bichos em rituais de matriz africana. Em 2005, houve tentativa frustrada de derrubá-la.

Em São Paulo, a discussão mal começou e não envolve só as religiões africanas.

Tradição do sacrifício

O sacrifício animal está na origem das maiores religiões do mundo. Historicamente, a morte dos animais era feita para expiação dos pecados ou em celebrações, explica o sociólogo Reginaldo Prandi.

Como religião institucionalizada, o cristianismo nunca adotou o sacrifício, mas teologicamente admite o seu significado. "Quando recebem a hóstia, os católicos fazem um sacrifício simulado. Para os cristãos, a morte de Jesus foi o último sacrifício."

No judaísmo, não é comum o sacrifício de animais, mas existe o abate kosher, que usa em larga escala técnicas próprias para matar o animal.

No abate kosher, assim como no halal (abate muçulmano), o animal é morto por degola e não é anestesiado.

A nova lei enquadraria toda morte de bicho feita sem insensibilização (anestesia).

Em 2010, o Brasil exportou 475,23 mil toneladas de carne para países que exigem abate halal ou kosher (39% do total exportado).

"O abate kosher não é um ritual. O ideal judaico é o vegetarianismo. Consumir carne é uma concessão a alguém de alma fraca", diz o rabino Ruben Sternschein, da Congregação Israelita Paulista. Segundo ele, o abate kosher "deve ser feito com o mínimo de sofrimento para o animal".

Já o abate halal de bois, aves e carneiros é um sacrifício religioso, diz Mohamed Hussein El Zoghbi, diretor da Federação das Associações Muçulmanas do Brasil.

"Mas prima pelo bem-estar como nenhum outro. A morte por degola não causa sofrimento. A ruptura das veias e da traqueia faz com que o animal morra rapidamente. Quem vê pensa que está sofrendo, mas já está morto, se debate por reflexo."

De acordo com o presidente do CEN (Coletivo de Entidades Negras), Márcio Alexandre Gualberto, o bicho morto no candomblé também é consumido -nada a ver com a imagem de feitiçaria e galinha em encruzilhada.

"Tem quem faça isso, mas não é nossa tradição. Usam partes da tradição para fazer coisas que não são nossas."

Segundo ele, o sacrifício é praticado por sacerdotes treinados para minimizar o sofrimento. "O animal não pode sofrer. Somos preocupados com o bem-estar dos animais oferecidos aos deuses."

São Paulo tem 719 terreiros, segundo levantamento de Prandi, para quem o projeto é preconceituoso: "As motivações da lei são o preconceito e a ignorância. Se o deputado estivesse preocupado com animais, deveria bater na porta de frigoríficos".

Para Antonio Carlos Arruda, coordenador de políticas públicas da Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania de SP, o projeto é "inaceitável". "Liberdade religiosa é princípio da democracia."

Uma reunião do Fórum Inter-Religioso da secretaria discutiu a participação de entidades do Estado no movimento de reação ao projeto. O slogan da campanha, que antes era "Não toquem nos nossos terreiros", foi ampliado para "Cultura de paz e liberdade religiosa já!".

Um ato público organizado pelo CEN está previsto para o dia 15, às 13h, em São Paulo, no vão do Masp.

Limite da liberdade

Do outro lado, os defensores dos animais consideram o projeto pertinente ao menos por levantar o debate. "Nossa sociedade ainda tem a ideia de que animais são coisas. Nessa visão, o direito do homem é superior ao deles", diz o advogado Lourenço.

O promotor de Justiça do Estado Laerte Fernando Levai diz que há limites morais para o exercício da liberdade religiosa. "Há que se respeitar o direito ao culto, sim, desde que as práticas não impliquem violência."

O promotor João Marcos Adede y Castro, do Rio Grande do Sul, reforça o coro: "Se fosse assim, era só criar uma religião de sequestradores e haveria respaldo legal".

O mesmo pensa a veterinária Ingrid Eder, da ONG WSPA Brasil. "Que cultura é essa que causa maus-tratos aos animais? A cultura evolui de acordo com o conhecimento. Hoje, sabemos que os animais sentem dor."

Reginaldo Prandi acredita que a evolução deve vir de dentro da religião. "Há segmentos do candomblé que não matam animais. Pode ser que, no futuro, a religião evolua para um sacrifício mais simbólico, mas isso não pode ser imposto. Não se muda uma religião por decreto."
 

CAMPO GRANDE

Empreiteira obtém reajuste de 49% quatro meses após assinar contrato

Empresa é uma das que prestam serviços de tapa-buracos em Campo Grande. Operação do MPMS no mês passado apontou série de fraudes no setor

17/06/2026 12h30

Empreiteira contemplada com o aumento no valor do contrato é uma das responsáveis pelo serviço de tapa-buracos

Empreiteira contemplada com o aumento no valor do contrato é uma das responsáveis pelo serviço de tapa-buracos Gerson Oliveira

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Publicação do diário oficial da prefeitura de Campo Grande desta quarta-feira (17) revela que a empreitera responsável pelo serviço de tapa-buracos da região do Lagoa recebeu reajuste de 49,2%  sobre o valor original apenas quatro meses após a assinatura do contrato. 

A assinatura ocorreu no dia 5 de janeiro deste ano, pelo valor de R$ 4.832.984,29. Nesta quarta-feira o diário oficial informou que no dia 28 de abril foi concedido um aditivo e o valor original saltou para R$ 5.786.083,88, representando acréscimo da ordem 19,7%.

Antes disso, porém, em 12 de fevereiro, este mesmo contrato já havia sido corrigido, por apostilamento, em 29,4%, sofrendo um acréscimo superior a R$ 1,4 milhão. Este aumento, conforme o site da transparência da própria prefeitura, foi retroativo a dezembro de 2025.

A publicação assinada pelo então interino da Secretaria Municipal de Obras, Paulo Eduardo Cançado Soares, informa que "ficam reajustados os preços unitários do Contrato n. 01 , de O5 de janeiro de 2026, de acordo com os índices setoriais referente ao período de dezembro/2025 a novembro/2025". 

Normalmente os contratos sofrem reajustes por apostilamento para corrigir a inflação entre o período em que foi realizada a licitação e a data da assinatura do contrato. E, neste contrato existe a informação de que ele  "decorre do procedimento licitatório Edital de Concorrência n. 005/2022". 

Mas, mesmo que este acréscimo inicial de R$ 1,4 milhão tenha sido para corrigir a inflação de 2022 para cá, quando teria sido feita a licitação, um segundo reajuse foi concecido quatro meses após o aumento inicial e agora o contrato está em R$ 7.210.847,64. 

E, embora ainda faltem mais de seis meses para o término do primeiro ano de vigência, mais de 76% do valor total já foram empenhados, R$ 5.494.763,76 e R$ 3,5 milhões efetivamente pagos à empreiteira para fazer a manutenção do asfalto em bairros como Tijuca, Coophavila, Buriti, Santa Emília e outros da região sudoeste de Campo Grande. 

Originalmente o serviço de tapa-buracos na região do Lagoa era prestado pela empreiteira Arnaldo Santiago, que rescindiu com a prefeitura e por conta disso a administração municipal contratou a empresa  RR Barros Serviços e Construções Ltda, que agora foi contemplada com os reajustes. 

O reajuste de 19,7% foi concedido duas semanas antes da eclosão do escândalo revelado pela operação "Buracos Sem Fim", desencadeada no dia 12 de maio pelo Ministério Público Estadual. Naquela data, os investigadores revelaram suposta fraude envolvendo outra empreiteira, a Rial, no serviço de tapa buracos. Ela tem contratos que superam os R$ 113 milhões entre 2021 e 2025. 

Naquele dia foram presas sete pessoas, entre elas o proprietário da Rial, seu pai e cinco servidores públicos. Entre os presos, que foram liberados somente um mês depois, estava o ex-sevidor Edivaldo Aquino Pereira, que era o responsável pela fiscalização da execução do contrato com a RR Barros.

De acordo com os investigadores, ao mesmo tempo em que a cidade estava sendo tomada pela buraqueira no asfalto, o fiscal do contrato dava aval para o pagamento de serviços não realizados pela empreiteira Rial.

Por conta do rompimento em a empresa Arnaldo Santiago, no dia 5 de janeiro deste ano a prefeitura também assinou contrato com a empreiteira Rial, que em meados de maio foi o principal alvo da operação do MPMS. 

E, após este rompimento a Rial passou a ser responsável pela região do Bandeira. O Valor original do contrato era de R$ 6,979 milhões. Mas, no começo do ano recebeu acréscimo de 29,48%, por apostilamento, elevando o valor em  R$ 2.057.672,18. Atualmente, o valor está em R$ 9.037.564,25.

Mas, diferentemente daquilo que ocorreu com a RR Barros, à Rial ainda não foi concedido aditivo e o aumento sobre o valor original do contrato segue em 29,4%. 
 

 

EXAME NACIONAL DO ENSINO MÉDIO

Prazo para pagar taxa de inscrição do Enem é prorrogado até segunda-feira (22)

Inscrições encerraram no dia 12 de junho e candidatos devem pagar taxa no valor de R$ 85 para fazer a prova

17/06/2026 11h45

Divulgação

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O prazo para pagar a taxa de inscrição da prova do Enem foi prorrogadao até a próxima segunda-feira (22). A informação divulgada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) e Ministério de Educação (MEC) redefiniu a data final para que os candidatos regularizem e garantam a participação na prova.

O valor da inscrição é de R$ 85 e deve pagar aqueles que: não solicitaram isenção da taxa; quem teve o recurso de isenção recusado; estudantes de escolas privadas e treineiros (que não ingressam à universidade no próximo ano).

Na Página do Participante, o Inep disponibiliza as seguintes formas para pagar a taxa:

  • pix;
  • boleto;
  • cartão de crédito;
  • débito em conta corrente ou poupança

A emissão do boleto ou outras informações de pagamento dos demais formatos são informadas exclusivamente pelo portal do Inep, na mesma Página do Participante. A depender da instituição financeira do pagador, pode ter alteração nos formatos disponíveis.

Isenção

Destinada a alunos de rede pública e bolsistas integrais de escolas particulares do último ano do ensino médio, a isenção retira o valor da taxa para realizar a prova da inscrição de estudantes aptos, que se encaixam nos requisitos.

O período para solicitar essa isenção foi encerrado ainda em abril, antes de abrir o período de inscrições.

Além desses alunos, os estudantes participantes do Pé-de-Meia e inscritos no Cadastro Único também são isentos das taxas.

Porém para todos estes que não precisam realizar esse pagamento, é necessário acessar o site do Inep e confirmar as informações e conferir se a inscrição foi realizada.

Para os candidatos que são inscritos no Pé-de-Meia, irão concluir o ensino médio neste ano e participarem dos dois dias de prova do Enem receberão o valor de R$ 200 como incentivo adicional.

O pagamento será efetuado após confirmar a conclusão da etapa escolar e cairá na mesma conta cadastrada para receber o auxílio.

As inscrições do Enem foram encerradas no dia 12 de junho, na última sexta-feira e apenas o prazo para pagar a taxa de inscrição foi prorrogado.

Cronograma

O edital do exame divulgado no Diário Oficial da União em maio disponibiliza o cronograma das etapas até o dia das provas, regras da edição deste ano, procedimentos e orientações que os estudantes devem seguir. Além disso, há também uma seção destinada às perguntas frequentes sobre o Enem.

Confira as datas atualizadas:

  • Inscrições: de 25 de maio a 12 de junho (sexta-feira);
  • Pagamento da taxa de inscrição: até 22 de junho (segunda-feira);
  • Solicitação de atendimento especializado e nome social: de 25 de maio a 12 de junho;
  • Resultado do atendimento especializado: 26 de junho;
  • Recurso do atendimento especializado: de 29 de junho a 3 de julho;
  • Resultado do recurso: 10 de julho;
  • Aplicação das provas: 8 e 15 de novembro.

Conforme segue o modelo de aplicação anualmente, o primeiro dia de prova, no dia 08 de novembro abrange a área de linguagens, humanas e a redação, que tem o tema divulgado apenas no dia da prova. A outra prova, no dia 11 de novembro inclui todas as áreas de ciências e exatas.

Ambas as provas possuem 90 questões e os portões abrem as 11h, com fechamento às 12h e início da prova 30 minutos depois, às 12h30, seguindo horário de Mato Grosso do Sul.

Enem

O exame é a principal porta de entrada para o ensino superior no Brasil e é possível fazer por meio do Sistema de Seleção Unificada (Sisu), do Programa Universidade para Todos (Prouni) e do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).

Instituições de ensino públicas e privadas utilizam a nota do exame para selecionar os estudantes como único critério ou completementar. Além disso é possível utilizar a nota em processos seletivos em instituições portuguesas que possuem convênio com o Inep.

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