Profissão de 'concurseiro' é cada vez mais comum
. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por ano, cerca de 5% da população brasileira, 10 milhões de pessoas, buscam uma vaga no serviço público e, para muitos, como no caso de Nascimento, essa busca teve um preço.
Depois de 11 anos trabalhando nos Estados Unidos com exportação, o administrador de empresas Mário César Nascimento resolveu voltar para o Brasil no ano passado e, provisoriamente, seguir outra profissão: a de concurseiro. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por ano, cerca de 5% da população brasileira, 10 milhões de pessoas, buscam uma vaga no serviço público e, para muitos, como no caso de Nascimento, essa busca teve um preço.
Ele faz parte do grupo – cada vez maior – de pessoas que decidem parar a vida e se dedicar ao ingresso na carreira pública. “Decidi não trabalhar para estudar, essa foi a forma que achei de acelerar minha aprovação em um bom concurso”, conta.
Para largar tudo, o administrador fez uma poupança enquanto estava nos Estados Unidos, e acredita que o dinheiro deve bancar a família de esposa e dois filhos por cerca de dois anos – tempo suficiente, segundo ele, para se tornar fiscal de rendas. “O salário desse cargo gira em torno de R$ 10 mil por mês, por isso vale o investimento e o sacrifício. Estudo cerca de dez horas por dia”, afirma.
Mas nem sempre os que param a vida para estudar para os concursos públicos têm uma poupança, como Nascimento. Há ainda, pessoas que recebem ajuda de familiares – pais, mães, maridos e esposas – que decidem investir no sonho do concurseiro, que busca estabilidade e boa remuneração para sua vida profissional futura.
Segundo o diretor da escola Neon Concursos, em Campo Grande, Onei Fernando Savioli, essa figura nas salas de aula é cada vez mais comum, e tem ocorrido por uma mudança no cenário nacional da carreira pública, que obriga candidatos a estudarem bem mais. “Nos últimos anos cresceu muito o volume de pessoas em busca de uma vaga pública mas, essas vagas, principalmente no último ano, estão diminuindo por conta de políticas. O governo tem enxugado a máquina e contratado só o essencial – concursos que historicamente abriam duas mil vagas hoje abrem apenas mil”, explica.
Por conta disso, foi-se o tempo de esperar a abertura de um edital para então começar os estudos. Os cursos intensivos, que preparam o aluno em matérias básicas como português, matemática, informática e raciocínio lógico, estão cada vez mais procurados. Somente na escola de Savioli, a expectativa é de que as matrículas nessa modalidade de ensino cresçam 50% neste ano.
Quanto estudar?
A média de tempo de estudo para passar em um concurso depende do objetivo e empenho do candidato. Para os que almejam a área administrativa é preciso cerca de seis meses a um ano. Já os que estão de olho em vagas de auditores da Receita Federal, Analista do INSS, tribunais de Contas e Polícia Federal, a necessidade de preparo exige pelo menos de um a dois anos.
Os prazos são por conta não apenas da concorrência – maior em salários mais gordos – mas também da instituição que elabora a prova. A Fundação Carlos Chagas costuma elaborar provas mais simples e, com questões já utilizadas em outros concursos, o que favorece o aluno que estuda resolvendo provas antigas.
Já a Cespe/UNB é considerada a mais difícil, exige mais dedicação e também concentração, já que cada questão errada anula uma correta do candidato. A Esaf é considerada a intermediária.
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