Quarta, 22 de Novembro de 2017

Produtores esperam fim de barreira sanitária para o próximo mês

7 AGO 2010Por 07h:59
Carlos Henrique Braga

O setor produtivo do Estado dá como certo que a Zona de Alta Vigilância (ZAV), no cone sul, chegue ao fim no mês que vem. A barreira sanitária foi adotada pelo Ministério da Agricultura em 2008 para atender normas internacionais e permitir comercialização dos bovinos. A área, que tem 800 mil animais (4% das 21 milhões de cabeças de MS), abrange onze cidades que tiveram o gado infectado pela febre aftosa, em 2005.
O lugar é o único do Estado que não é considerado livre da doença com vacinação, o que atrapalha a venda dos animais. Sem o peso da barreira, vista como estratégia comercial do exterior por alguns, a região vai ganhar mais autonomia e lucrará com fluxo maior de vendas.
Segundo veterinário do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de MS (Senar), Horácio Loureiro Tinoco, para atender a medidas de prevenção, por exemplo, leilões são feitos com menor frequência, o que tem efeito cascata: produtores perdem em faturamento, prefeituras em impostos, caminhoneiros em fretes e até peões têm menos trabalho.
A inspeção desses bovinos é mais rigorosa. Antes de serem comercializados, eles permanecem em quarentena por até 30 dias. É isso que mais incomoda o produtor, que precisa manter animais vendidos em seus pastos. Além de perder valor porque é de região sob alta vigilância, esse gado permanece, nesse período, em pasto de menor qualidade. “O vendedor não vai deixar os animais em quarentena no melhor pasto, vai colocar no pior, e isso pode resultar em perda de peso e diminuir o valor do animal”, explica.

Quem decide
Na última semana, o Ministério da Agricultura enviou pedido à Organização Internacional de Saúde Animal (OIE) para que a barreira, que tinha prazo de dois anos, seja extinta. O aval do órgão abrirá portas para o comércio exterior.
“Estamos confiantes que isso (o fim da barreira) aconteça porque a ZAV já cumpriu sua função”, diz o presidente da Associação dos Criadores de MS (Acrissul), Chico Maia.
O veterinário Tinoco afirma que o Brasil só reconhecerá a região como livre quando houver “documento assinado pela OIE”, o que deve ocorrer até o fim de setembro. Portanto, “só vale quando for oficial”.

Guerra comercial
Para Maia, há mais interesse comercial de outros países na manutenção da zona do que de proteção à saúde humana. “Você já ouviu falar em alguém no mundo que foi contaminado por comer carne de boi com aftosa?”, questiona.
Na análise do presidente, a área é “sem sentido”, pois é desnecessário “ter uma zona tampão entre Paraguai e o lado brasileiro que são áreas livres de febre com vacinação”.

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