Sábado, 18 de Novembro de 2017

Procurador pede prisão e afastamento de Ari Artuzi

7 MAR 2010Por 00h:16
O procurador-geral de Justiça, Miguel Vieira da Silva, pediu ao Tribunal de Justiça do Estado a prisão e o afastamento do prefeito de Dourados, Ari Artuzi (PDT), por integrar quadrilha que desviava dinheiro do contribuinte por meio de licitações fraudulentas. O esquema foi desmantelado, em julho 2009, com a investigação da Polícia Federal, que acabou levando para a cadeia 42 suspeitos, como o vice-prefeito Carlinhos Cantor (PR), secretários municipais, vereadores e integrantes da família Uemura, acusados de pagar propina para os políticos em troca da exploração de serviços nas áreas de saúde e funerárias. Todos foram soltos depois por ordem judicial. O alvo agora do Ministério Público é levar o prefeito para a prisão. O escândalo de corrupção surgiu com a Operação Owari (ponto final em japonês), coordenada pela Polícia Federal, que desmontou o secretariado de Artuzi, porque grande parte foi parar na cadeia. Na época, já havia a suspeita do envolvimento do prefeito com a organização criminosa, comandada por Uemura, desde o início de seu mandato. Com o desfecho das investigações da Operação Owari, o Ministério Público chegou até o prefeito Ari Artuzi. Com menos de um ano e três meses no cargo, o prefeito pode parar na cadeia com integrantes de sua equipe e acompanhado de Uemura. Por ter foro privilegiado, coube ao procurador-geral de Justiça denunciar Artuzi perante o Tribunal de Justiça, que tem, por sua vez, a prerrogativa de julgar e prender o prefeito. O escândalo estourou em Dourados quando Artuzi estava apenas sete meses no cargo. A pedido da Polícia Federal e do Ministério Público do Estado, a juíza Dileta Terezinha Souza Thomaz mandou para a cadeia os outros envolvidos com o esquema de corrupção na Prefeitura de Dourados, bem como políticos de Ponta Porã e de Naviraí. Além do pedido de prisão, Miguel requereu o afastamento de Artuzi do comando da Prefeitura de Dourados. “No cargo, ele atrapalha as investigações”, justificou o procurador- geral de Justiça. “O Ministério Público fez a sua parte, agora vamos esperar pela decisão da Justiça”, ressaltou. O procurador-geral justificou a necessidade da prisão do prefeito para poder aprofundar ainda mais as investigações sobre o desvio de recursos públicos em Dourados. “É uma quadrilha que se instalou na prefeitura para pôr a mão no dinheiro do povo”, acusou. Na denúncia apresentada sexta-feira (5) ao Tribunal de Justiça, Miguel Vieira apontou o comerciante Sizuo Uemura como cabeça do esquema. Durante as investigações, a Polícia Federal apurou o envolvimento de Uemura na apropriação do dinheiro público, por meio de licitações fraudulentas, desde as administrações anteriores. E continuou com o esquema criminoso no Governo de Ari Artuzi. Além do prefeito, o procurador- geral de Justiça, Miguel Vieira, denunciou o filho de Uemura, Eduardo Takashi; o secretário de Governo de Artuzi, Darci Caldo; o assessor especial da Prefeitura de Dourados, Jorge Antônio Dauzacker da Silva; o diretor de Departamento de Habitação do município, Astúrio Dauzacker da Silva; os vereadores Humberto Teixeira Júnior, Paulo Henrique Amos Ferreira e Sidlei Alves da Silva, além do engenheiro da prefeitura, Fabiano Furucho, e o secretário municipal de Saúde, Sandro Ricardo Barbara. O Ministério Público, segundo Miguel, apurou a existência de influente organização criminosa voltada para desviar dinheiro público da prefeitura.

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