Sexta, 24 de Novembro de 2017

Problema grave

4 MAI 2010Por 07h:32
No começo da década de 80 do século passado, milhares de brasileiros perderam tudo o que tinham no vizinho Paraguai e foram forçados a regressar à terra de origem. Eles foram "acolhidos" pelos  movimentos de trabalhadores sem-terra que estavam começando a surgir por aqui, à época intimamente ligados à Igreja Católica. Foi neste contexto histórico que surgiu, por exemplo, o assentamento que mais adiante daria origem ao município de Novo Horizonte do Sul.

    Agora, ao que tudo indica, nova leva de colonos está sendo forçada a abandonar o Paraguai e parte destas famílias está acampada no sul do Estado, às margens da BR-163, em Itaquiraí. Por enquanto, são em torno de 600, mas a expectativa é de que este número chegue a mil nos próximos dias. Até agora, somente as autoridades municipais de Itaquiraí manifestaram preocupação, pois temem saques a estabelecimentos comerciais e, principalmente, superlotação dos serviços de saúde pública. Mas, cedo ou tarde, o problema tende a atingir todas as esferas da administração pública. Por isso, os governos federal e estadual precisam, com urgência, verificar se aquele aglomerado de famílias, que não é recente, é realmente de "brasiguaios" ou de sem-terra "comuns", tentando tirar vantagem de um conflito internacional.

    E, uma vez confirmado que a maior parte dos acampados é realmente  vítima da violência no país vizinho, as autoridades locais não podem permitir que vivam como mendigos do lado de cá, embora "mendicância" não seja uma condição que possa ser admitida para qualquer ser humano. Trata-se, simplesmente, de uma questão de acolhida. Se o MST chegar primeiro, fatalmente estas famílias passarão a agir de acordo com os métodos do movimento, mas, se o poder público for ágil e oferecer alternativas, automaticamente ficará livre de conflitos futuros. Além disso, estas famílias certamente são bem mais vocacionadas para trabalhar na terra do que a grande maioria dos acampados tradicionais, que geralmente são "pegos a laço" na periferia das cidades e mal sabem tirar leite de uma vaca.

    O mais importante, porém, é a intervenção da diplomacia brasileira para tentar arrancar o mal pela raiz. São milhares de brasileiros que continuam produzindo no Paraguai. E, sem qualquer "complexo de superioridade", são os principais responsáveis pela produção de grãos do outro lado da fronteira, embora também não se possa negar que alguns latifundiários daqui travam o desenvolvimento do lado de lá.

    A violência contra os brasileiros é atribuída a grupos guerrilheiros esquerdistas e o Governo paraguaio diz que as autoridades daqui estão dando guarida a três chefes destes grupos, os quais seriam os mentores de ataques a brasileiros no Paraguai. Por isso, é da máxima urgência que os governantes brasileiros revejam seus conceitos sobre movimentos sociais e bandidagem, principalmente no que se refere a estes três que o Governo Lugo pede a extradição, pois entende que são sequestradores comuns.

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